sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cicatriz em forma de cruz III

Na alma um rasgo.
Feito no passado.
Marca para a vida.
Das lembranças sofridas.

Um corte entrecruzado
Uma cruz, uma dor.
Um sofrer, sem rancor.

Ferida cicatrizada.
Sangra em lágrimas.
Dois cortes uma história.
Entrecruzada:
No amor,
Na dor,
Morte de um espírito.
Um fantasma entre os vivos.


No encontro dos cortes
Uma dor de morte
O passado marcado
Se encontra com o presente deixado.
Na carne da alma,
Na pele do ser,
Entre gemidos silenciosos.
E na tristeza de te perder.


Brener Alexandre 23/06/2017

Rosa Amarela

Vi a rosa amarela e a sua beleza nela.
formosa e singela.
A rosa é delicada como um sorriso.
suave como um suspiro.
Na sua fragilidade vi força.
lembrou me o abraço de uma moça.
Abraço apertado,
delicado,
entrelaçado.
O teu aroma guarda um segredo.
É a beleza convertida em cheiro.
atrai para si olhares e admiração.
Notada desperta a paixão.
A rosa e ti são iguais.
Não despertam em nós desejos banais.
Tão belas que são despertam em nós,
alegrias que fazem pulsar o coração.
Seu perfume em nós desperta,
A emoção do encontro entre os olhos e a beleza.
Brener Alexandre 20/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sorriso Esboçado

Um rascunho de alegria malogrado.
Num sorriso esboçado.
Felicidade contida entre os lábios.
Inseguro e agarrado.
Preso, contido.
Um simples sorriso.
Fere mais que espada
Queima mais que o fogo.

Um rascunho de interesse proibido
Num sorriso inocente.
Sinal que comunica para as gentes:
A alegria em ver um rosto amigo.
O olhar terno que descobre a beleza do outro.
A felicidade do ser pessoa.
Alegria aprisionada no medo.
Tímida, enclausurada.
Ferida a espada,
Ou à bala.
A queima roupa,
Fulminante.
Como um infarto, um derrame.

Um sorriso esboçado,
Alegria imperfeita
Felicidade desfeita
Do amor aprisionado
Pela distância dos olhares
Pela covardia insistente
Instigada pela solidão latente.


Brener Alexandre 12/06/2017

domingo, 11 de junho de 2017

Persuasão II

Quantos versos são necessários para te convencer?
Quantas lágrimas mudas preciso te oferecer?
De silêncio em silêncio sou engolido.
De lembrança em lembrança sou consumido.
Pela impotência de não poder ficar com você.
Pelas razões que conseguem te convencer.

Quisera eu convencer teu coração.
Com palavras, atos e virtudes, sem ilusão.
Quisera eu te oferecer um caminho.
Com amizade, cumplicidade e carinho.

Nenhum verso te encantou
Nenhuma lágrima te tocou.
Meu silêncio nos emudeceu,
E nas minhas memórias me exilou.

Quão fraco sou em te perder.
Que adianta ter razão e não te convencer?
Sem palavras e sem virtudes.
Sem teu sorriso, sem teu abraço,
Perdido e cansado.


Brener Alexandre - Poema manuscrito em 29/03/2017 e publicado em 11/06/2017