sexta-feira, 6 de junho de 2014

Simulacro

Essa alegria disfarça a minha tristeza.
Como o brilho da lua engana meus olhos.
A lua brilha e sua luz não vem dela mesma.
Como a alegria que esconde a minha tristeza.

Sua voz disfarça o seu descaso
Como um simulacro da preocupação.
Seus olhos maldosos brilham.
Mas não jogo o seu jogo para a sua decepção.

Não sei viver de simulacro
de casulo ou de casco.
Sei viver de peito aberto
Manifesto.

Não sei ser carcaça
Que se troca quando sai de moda.
Não sei ser carapaça para me esconder na toca.

Enquanto você é simulacro
Brilha com a luz que não é tua como se fosse
Enquanto você é dissimulado
Diz ter o que não é seu como se tivesse.

Antes a tristeza que a alegria fingida.
Antes a dor que o engano dessa ilusão.
Se é preciso imaginar Sísifo Feliz...

Só me resta abraçar a escuridão.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sedução


Sedução é o brilho dos teus olhos.
Sedução é a suavidade esculpida nos teus lábios.
Sedução é a afabilidade dos teus longos cabelos.
Sedução é cada curva do teu corpo.

Quando você fala a disposição das palavras é sedução.
Sedução é outro nome para persuasão.
Sedução é a cor dos teus olhos.
Sedução é a maciez da tua pele que me aprisiona e me faz desejar seu abraço.
Sedução é a harmonia estética do teu rosto, formato do nariz e o modo de olhar.

Quando escuto a sua voz a disposição do som é sedução.
Sedução é outro nome para encantamento.
Sedução é o teu amor pelo saber.
Sedução é sobre tudo aquilo que você lê.
Sedução é o que me faz desejar você.

Quando vejo você parada a pensar, ou sentada a conversar é sedução.
Sedução é outro nome para prisão.
Sedução é ser você mesma.
Sedução é amar o que você ama livremente.
Sedução é quando você se irrita, é quando você ri sozinha.
Sedução é querer estar com você
Cativo, prisioneiro.
Nessa prisão sem grades
Nesse sonho que eu gostaria que durasse a vida toda.



Coração- Livro

Abri o meu coração como se fosse um livro de poesia
Nele continha versos sobre tudo que eu sentia.
Abri o meu coração como se fosse um romance
A história lá contada é uma ficção excitante.
Abri o meu coração, mas você não sabe ler.
Desconhece as razões que um coração pode ter.

Abri o meu coração que recitava uma elegia.
Estava triste de saudade perdido em agonia.
Abri o meu coração que entoava uma lamentação.
Cada lágrima era gota de chuva a regar os jardins do meu coração.

Abri o meu coração como um livro para você
Mas você não quis ler porque teve medo de me compreender.
Abri o meu coração e queria que você aprendesse
A ler com o seu coração e não com os medos e a tua aflição.

Agora o meu coração fechado se encontra
Abrir-se-á apenas para as pessoas sinceras e corajosas.
O coração fechado está como um livro que ninguém lê.
Na estante do esquecimento, esquecido por você.

Abri o meu coração com as razões que ele tinha.

Mas você não me compreendeu e preferiu ficar sozinha.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Eclipse do sol III

Nem uma palavra, dia cinza!
Nenhuma luz, nuvens espessas!
O sol foi encoberto pelas nuvens de chuva
Minhas lágrimas de agonia...
Tuas lágrimas de tristeza...

A cada dois dias uma palavra tua dirigida ao nada.
A cada minuto sou tomado pela ansiedade que me mata.
A lua encobriu o sol com a sua sombra escura e pálida
Escuridão em plena luz do dia...
Cegueira branca esquálida...

Esse dia-noite não tem fim.
Essa noite-dia sem estrelas.
E essa lua nova...
Sem brilho,
Sem brio.

Esse dia escuro de luz opaca, ofuscada.
Essa noite clara como o breu.
O sol foi encoberto pela lua cheia
Vermelha de raiva
O sol foi encoberto pelas nuvens de lágrimas.
Ah, esse eclipse que nunca acaba!

Ah, o herói trágico por fim se apaga.