segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ironia

Tenho feito algumas descobertas interessantes, sobre a vida, de como ela faz piadas inteligentes, de como ela tem um prazer mórbido de rir na nossa cara e fazer da nossa dor a causa do seu prazer, penso que se a vida tem realmente algum sentido, haverei de concordar com Schopenhauer, e dizer que é a dor e não o prazer. Caso contrário seria um paradoxo.
Mas a verdade é que a vida é irônica e gozadora. A vida tem humor negro e se diverte com a nossa desgraça, ri na nossa cara quando estamos chorando. valor inestimavel da nossa derrota diante do que buscamos, nossas inglórias diante de quem amamos, o pouco valor que recebemos, ou o valor que superestimamos dos outros, a esperança fálida de reconhecimento. A irônia é a personificação de Loki deus nórdico que adora pregar peças algumas bem trágicas. A ironia é imparcial, ela ri com você e pode rir de você quase que no mesmo instante.. ela funciona como o regulador da lei deste mundo, aquela lei que todos adoram anunciar, mas que ninguém para pensar se ela pode ser aplicada contra você: " aqui se faz, aqui se paga" e ela certamente estará com você quando você tiver que pagar e vai jogar na sua cara que o mundo é assim.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O primeiro diálogo de Platão (Paródia)

Quando Platão resolveu publicar suas ideias e divulgar a sua escola, ele teve a brilhante ideia de escrever todos os seus livros de uma vez, chamou todos os escravos de sua casa e comecou a ditar um por vez os trechos de seus diálogos. Num dado momento enquanto ditava uma fala de Hermógenes para o escravo que redigia o Crátilo, o escravo que redigia o Teeteto desatento a escreve logo abaixo da fala de Sócrates.
Então quando chega a sua vez Platão dita para ele a fala do Teteeto e o escravo o interpéla: __"Mestre,agora não é a vez de Sócrates? por que me ditas a fala de Teteeto?" Platão responde: ___ Como frase de Sócrates escravo! a ultima frase que lhe ditei não foi dita por Sócrates? Platão se aproxima do escravo para conferir o que estava escrito e se irrita ao ver que o escravo desatento copiou uma a fala de Hermógenes estragando o trabalho.
__"Escravo ínutil!" grita Platão enfurecido. __"eu sempre discuto com Aristóteles na escola, todos os dias ele insiste em criticar minhas teorias, diz que a participção das formas não tem consistência lógica! insiste em dizer que minha reflexão política não vai funcionar! e o pior ele sustenta com bons argumentos que os escravos não tem inteligência!Como vou refutá-lo! sim ,porque ele sistematizou a lógica,criou regras para os silogismos e até enumerou os erros de racíocínio chamando-as "falácias não formais" Não é atoa que ele se tornou o professor de lógica da minha escola e eu sei que ele quer a reitoria! até porque quando eu lhe falei das ideias para o meu livro de política "A republica" ele riu e disse que essa coisa de "comunidade" ia destruir a Pólis... isso porque ele não conheceu Alcibiades este sim praticamente quebrou a nossa cidade! Bem, estou vendo que foi uma pessima ideia escrever todos os meus livros de uma vez, achei que assim eu pouparia tempo e poderia divulgar a minha história.. e pensar que Aristóteles já tem manuscritos inteiros de lógica que ele chama de "organon" Ai, Meu Zeus da àgora! dai me paciência e bons argumentos, por que se me der força eu mato e não quero beber cicuta!" Dito isso Platão então chama um outro escravo que acabava de voltar da àgora, Platão o chama: __" ei, você! e o escravo responde: __" sim, mestre o que deseja? platão prossegue: __"sente-se ali quero lhe ditar um texto! É agora que provo para todos que os escravos são inteligentes e refuto aquele Macedônio!" O escravo lhe pergunta: __" Mestre qual será o nome do texto que vou escrever para o senhor?" Platão lhe responde com uma pergunta: " qual o seu nome escravo?" ele responde: __"Menon"...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por que o nome de Hermógenes não é Hermógenes?

O que Crátilo quis dizer ao afimar que Hermógenes não se chama Hermógenes?
No diálogo Crátilo Platão parece brincar fazendo um trocadilho com o nome Hermógenes para introduzir o tema da correção dos nomes (ortotheta onoma). Crátilo diz a Hermógenes, que seu nome não é Hermógenes (303b). Sócrates supõe que Crátilo tenha dito isso pensando na dificuldade que Hermógenes tem de fazer riqueza (384c). Uma vez, que Hermógenes significa: gerado de Hermes ou filho de Hermes (Hermes + genos).
Hermes é o deus grego do comércio e da riqueza, Mas também é o deus que protege os ladrões, responsável em transmitir a mensagem de Zeus aos mortais e demais deuses, Hermes também é o deus da eloquência (peithó)e mestre na arte de enganar(ápate).
Durante a seção de etmológias Crátilo propõe o exame do nome do deus Hermes, para entender porque seu nome não pode ser Hermógenes (407E).
Sócrates explica que: "Hermes é o Intérprete (Tó hermenea), o mensageiro, o astuto (Tó Klopikón) e o enganador (tó apatelón)com os discursos e o comércio;todas estas atividades (pragmatéia) revelam o poder do discurso (logou dynamin)." (407E-408A)
Sócrates continua sua explicação informando que o falar (Tó eirein) é o exercício do discurso. E que Homero emprega várias vezes o termo "emesato" (pensar com criatividade) que significa maquinar (mechanesasthai).E por isso o legislador que organiza, por assim dizer, de entender o deus como "o de discursos bem articulados" (ho mesamenos); O dizer é falar (Tó legein dé estín eirein). Os homens, aquele medita o falar (Tó eirein emesato) será chamado justamente por nós "eiremes"(eirein+emesato) e embelezando o nome, chamamos Hermes." (408A-B)
Depois desta explicação Hermógenes por fim conclui: "Por Zeus!Me parece que Crátilo diz não sem razão que o meu nome não é Hermógenes, pois não sou hábil (eumechanós)no discursar. (408B).
A brincadeira feita por Platão no ínicio do diálogo e retomada durante a seção das etimólogias me parece remeter justamente ao problema que Platão quer solucionar e no entanto não o consegue sobre a correta aplicação dos nomes. o caso de Hermógenes é no mínimo curiosa, já que ele sendo o filho mais jovem de um aristocrata não herdaria o patrimônio, ficando este com o seu irmão mais velho, tal como a lei grega sobre a herança designa. No entanto Hermógenes que assume claramente não ser bom com as palavras depois da etimólogia feita por Sócrates parece explicar porque ele não é de fato um "filho de Hermes" já que ele não conseguiu convencer Sócrates de que os nomes se dão por convenção e nem a Crátilo de sua tese sobre os nomes. Por fim não Herdou as riquezas "paternas", pois nem acesso ao patrimônio financeiro, e nem ao dom da eloquência (peithó)criando assim uma caricatura do naturalismo defendido por Crátilo, do qual Hermógenes discordava. desconheço no entanto a verdadeira opinião de Platão a cerca do assunto, mas me interessei um pouco sobre o papel de hermógenes no diálogo platônico escrevendo um pouco de modo livre sobre o assunto.
Apenas saliento que aquele que estuda os nomes ( papel desempenhado pelo gramático)este é um hermeneuta no sentido estrito da palavra, aqui entendida como interpréte que relaciona o nome a coisa que se quer nomear. papel que no diálogo é exercido por um legislador (nomotheta)e que como fica explicado pela etimologia de Hermes, já que medomai verbo da voz média que origina emesato citado por Platão significa pensar, refletir e até mesmo trabalhar, neste caso o legislador é aquele que trabalha ou pensa as palavrss de modo a ser um interpréte da natureza.
Hermógenes é uma imagem paradoxal neste diálogo, representa a dificuldade de conciliar physis e nomos (natureza e lei) duas instâncias que sempre lutaram pela psyché (alma) dos homens e da pólis representada pela politéia (constituição).
Por fim este texto tem apenas um caráter reflexivo sobre um diálogo que merece um estudo sério e detalhado de seu conteúdo, no entanto queria exprimir em palavras oque eu estava pensando a respeito de Hermógenes e de seu papel no diálogo em alguma outra oportunidade poderei rever meus erros e corrigi-los aqui deixo apenas esta primeira impressão.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Alegrias e uma taça de vinho

Canto ao deus, que o vinho me ofereceu!
e a deusa, que sentada ao meu lado brinda!
canto a alegria, a música entoada..
canto a alegria entre amigos compartilhada!

canto cada tira gosto, cada sorriso, cada gole no meu vinho!

canto a minha taça transpordante doce amigavél companheira!

canto solenemente, a noite inteira, cada hora que se passa!

canto com o meu desejo e o meu corpo eufórico, alegre, enlouquecido...
canto meus amigos, minhas amigas... e a taça de vinho...