sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Morte

Na morte dos outros reconheço a minha própria finitude.
De tal sorte, a morte compreendida ainda em minha juventude.
Intervalo de tempo como um piscar de olhos.
Como o percurso do sol durante o dia.
Na morte dos outros reconheço os traços do que chamamos vida.

Na minha própria morte irei ver o infinito?
Ou o abismo escuro escondido?
Morte, sono profundo.
Morte, destino de todos os seres vivos.
Morte, única realidade conhecida dos homens.

Na morte dos outros reconheço a minha própria morte.
Morte, mudez que me cala a força.
Morte, lágrimas que escorrem de saudade.
Morte, memória da finitude.

“Do pó viestes e ao pó retornarás...”
Na morte encontrei o segredo,
Que ainda me mantém vivo o desejo,
Na finitude descobri o sentido,
Que ainda me mantém vivo,
Que ainda me faz lembrar que possuo um coração pulsando no meu peito.


Brener Alexandre 12/08/2016

sábado, 30 de julho de 2016

Coração transbordante

Do que o teu coração está cheio?
Sua boca o vai manifestar.
Se estiver cheio de medo,
Se tiver outros desejos,
Tua alma poderá falhar.

A boca só fala do que o coração está cheio.
A alma se manifesta nos olhos e nos lábios.
Nas lágrimas discretas e no choro mudo.
Na gargalhada fácil e no sorriso dado.

O que transborda do teu coração?
Egoísmo ou solidão?
O que transborda do teu coração?
Alegrias e emoção.
O que escondes no teu coração?

No meu coração transborda amor e amizade,
Tristeza e cumplicidade
Justiça e lealdade.
No meu coração transborda respeito
E muitos anseios presos no peito.

Meu coração transbordante que salta pela boca,
Pode ser visto através dos meus olhos.
Nas cicatrizes invisíveis do espírito,
No silêncio tagarela dos meus gestos.

E o teu coração transborda de que?
Da maledicência que envenena?
Do juízo apressado que condena?
És feito de solidão que apequena?

Ou teu coração transborda
De amor que acolhe,
Do olhar que não recrimina,
Da escuta que auxilia,
És amigo que não escolhe.
És coração transbordante de alegria.


Brener Alexandre 30/07/2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Segredos do coração

Todo coração tem segredos.
Todo coração tem seus medos.
E seus desejos.

Todo coração é morada.
Protegida e bem guardada.
Onde os sentimentos mais íntimos
Onde os desejos mais desejados
Ficam ocultados.

Quem tem coragem de revelar os segredos do coração?
Quem escapa aos perigos de quem o revela?
Quem escapa a essa maldição?

De revelar o que sente e se ferir.
De contar seus desejos e malogra-los.
De se abrir com ternura e ser rejeitado.

Todo coração tem segredos
Todo coração tem mistérios
Tem anseios.
Em seus movimentos etéreos.

Quais são segredos do teu coração?
Um amor escondido?
Uma inimizade velada?
Amas o teu amigo?
Por tua amiga estás apaixonado?

Pudera eu te contar os meus segredos
Abrir-me para ti sem medo.
Mas os seres humanos nem sempre amam a verdade.
Fogem da sinceridade.
Tem medo de amar.
Tem medo de se envolver.
Criam laços frouxos
Por que tem medo de sofrer.


Brener Alexandre 28/07/2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vulnerável

Despido e desarmado me torno vulnerável.
Tomado de um sentimento honorável.
De peito aberto e guarda baixa.
Somente a simplicidade me acompanha.

Desprotegido de todos os lados.
Desejando amigos ou estando enamorado.
Abro-me para mil e uma possibilidades.
Investimento de alto risco
Não é ato de insanidade?

Me fiz fraco para amar-te
Me fiz simples para que me compreendesse
Me fiz vulnerável para que entrasses em mim.

Na fraqueza foi ferido,
Pelo amor convalido,
Pelo medo achincalhado,
Pelo orgulho destruído.

Vulnerável fui atacado,
E o meu amor foi combatido,
Minha amizade ignorada,
Nas chamas da covardia foi lançada.

Vulnerável,
Desprotegido,
Desarmado
Desguarnecido.

Vulnerável,
De peito aberto,
Coração exposto,
Perigo iminente,
Risco incalculado.

Vulnerável tombei,
Meu ponto fraco era você,
Sem armaduras, proteção
De peito aberto expus meu coração.

Vulnerável eu cai,
Agredido
Pela covardia dos homens,
Pelo orgulho e pela arrogância,
Que nos separa uns dos outros.
Que traz a agonia que nos suplanta.


Brener Alexandre 25/07/2016