Mostrando postagens com marcador poesia filosófica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia filosófica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de março de 2019

Espantalho



Espantalho

O espantalho serve para assustar.
O espantalho não serve para proteger.
O espantalho serve para brincar,
De argumentar, de sofismar.

O espantalho é fabricado.
Feito feio para dar medo.
O espantalho é usado;
Instrumentalizado, um brinquedo.

O espantalho serve para bater
O espantalho é o Judas a ser malhado.
É a hipérbole do que não acredito.
E a parábola da pobreza nos debates.

O espantalho não constrói consenso
O espantalho semeia o dissenso.
O espantalho foi feito:
Para causar horror para quem o olhar,
Para fazer temer quem dele ouvir falar,
Para suplantar a razão com o irracional,
Para reduzir a sensatez,
E produzir a escassez do bom argumentar.


Brener Alexandre 28/03/2019


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Resolução de Ano Novo

Uma resolução para o ano que vem.
Vontade firme de fazer bem.
Determinação para seguir em frente.
Caminhando entre as escolhas da gente.

Uma resolução para o ano que fica.
Balanço da vida,
Lutada, sofrida.

Uma resolução do ano passado.
Determinação cumprida ou fracasso?
Vontade levada a termo ou deixada a esmo?
Caminhada concluída ou deixada de lado?

Uma resolução para o ano novo.
Amor cotidiano,
Amizade compartilhada.
Esperança renovada.

Uma resolução para o ano novo.
Renovar o ciclo.
Fazer novos amigos.

Uma resolução para o ano vindouro
Vontade de ano novo.
Desejo ardente de vida nova.
Ciclo completo,
Amores descobertos.
Sem delongas,
Sem mistérios.

Brener Alexandre 29/12/2017



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Morte

Na morte dos outros reconheço a minha própria finitude.
De tal sorte, a morte compreendida ainda em minha juventude.
Intervalo de tempo como um piscar de olhos.
Como o percurso do sol durante o dia.
Na morte dos outros reconheço os traços do que chamamos vida.

Na minha própria morte irei ver o infinito?
Ou o abismo escuro escondido?
Morte, sono profundo.
Morte, destino de todos os seres vivos.
Morte, única realidade conhecida dos homens.

Na morte dos outros reconheço a minha própria morte.
Morte, mudez que me cala a força.
Morte, lágrimas que escorrem de saudade.
Morte, memória da finitude.

“Do pó viestes e ao pó retornarás...”
Na morte encontrei o segredo,
Que ainda me mantém vivo o desejo,
Na finitude descobri o sentido,
Que ainda me mantém vivo,
Que ainda me faz lembrar que possuo um coração pulsando no meu peito.


Brener Alexandre 12/08/2016

sábado, 30 de julho de 2016

Coração transbordante

Do que o teu coração está cheio?
Sua boca o vai manifestar.
Se estiver cheio de medo,
Se tiver outros desejos,
Tua alma poderá falhar.

A boca só fala do que o coração está cheio.
A alma se manifesta nos olhos e nos lábios.
Nas lágrimas discretas e no choro mudo.
Na gargalhada fácil e no sorriso dado.

O que transborda do teu coração?
Egoísmo ou solidão?
O que transborda do teu coração?
Alegrias e emoção.
O que escondes no teu coração?

No meu coração transborda amor e amizade,
Tristeza e cumplicidade
Justiça e lealdade.
No meu coração transborda respeito
E muitos anseios presos no peito.

Meu coração transbordante que salta pela boca,
Pode ser visto através dos meus olhos.
Nas cicatrizes invisíveis do espírito,
No silêncio tagarela dos meus gestos.

E o teu coração transborda de que?
Da maledicência que envenena?
Do juízo apressado que condena?
És feito de solidão que apequena?

Ou teu coração transborda
De amor que acolhe,
Do olhar que não recrimina,
Da escuta que auxilia,
És amigo que não escolhe.
És coração transbordante de alegria.


Brener Alexandre 30/07/2016

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Retrocesso

Dou um passo atrás e outro e outro
Refaço meus passos devagar procuro minhas pegadas no chão.
Dou um passo atrás, perfazendo o processo ao contrário.
Convirjo, me arrependo, reflito e me abstenho.

Todo retrocesso é conversão
Toda conversão é reconstrução
Das escolhas que fazemos,
Do modo de vida que queremos,
Da caminhada percorrida,
Olhando os malogros da vida.

Dou um passo atrás do outro palmilhando no sentido contrário,
Percebo algo errado em mim, no caminho, na caminhada.
Vejo equívoco ao percorrer essa estrada.
Refaço os meus passos devagar quase parando...
Reflito, e me volto para mim mesmo, para o mundo que está girando.

Todo retrocesso é conversão,
Marcha para trás, reflexão.
Todo retrocesso é reconstrução,
Revisão dos caminhos errados,
Das escolhas apressadas,
Da sinalização confusa.

Dou um passo atrás e refaço a caminhada de trás pra frente,
Volto atrás, virada de reconstrução.
Dou meia volta correção do percurso.
Retrocesso não é atraso é marcha repensada
Retrocesso não é perda de tempo, coragem necessária,
Que revê a caminhada,
Que delibera com cautela,
Fonte de prudência,
Que extirpa nossas misérias.


Brener Alexandre 30/06/16

domingo, 29 de maio de 2016

Consentimento

Consentimento permissão dada.
Consentimento intimidade desvelada.
Consentimento afetividade entrosada.

Consentimento um sentimento comum.
Abertura dinâmica ao outro,
Com sentimento, com amor, com cuidado.
Com sentimento, com respeito e respaldo.

Efemeridade relacional.
De interesse passional.
Pede amor incondicional.

Consentimento, entre a razão e a emoção.
Exprime as verdades do coração.
Consentimento...
Compaixão...
Com sentimento
Com o coração.


Brener Alexandre 29/05/2016

domingo, 20 de dezembro de 2015

Alma Estreita


Ah, essas pessoas de alma estreita que não aceitam a opinião alheia.
Esses pobres de espírito no pior sentido sempre com o orgulho ferido.
Alma pequena, fraca e tomada pela covardia.

Ah, essas pessoas de alma estreita que não ouvem a opinião alheia.
Esses miseráveis, carentes de realidade.
Alma pequena embriagada e agressiva sempre ressentida.

Ah, essas pessoas de alma estreita incapazes de conviver com as escolhas alheia.
Essa gente maniqueísta que só conhece dois pólos e duas medidas.
Essas almas covardes projetam nos outros sua própria covardia.

Ah, essas pessoas de alma estreita...
Ó, pobreza de espírito...
Ó covardia travestida de coragem...
Em tua estreiteza não és mais que simples embalagem.
Vazia, estéril, uma ilha.

Ah, essas pessoas de alma estreita que tristeza.
Essa gente que não reconhece a fonte de sua fraqueza.
Essas almas massacradas pela realidade.
Almas destituídas de suas verdades.
Almas que não podem ser percorridas.
Almas que não podem ser preenchidas.
Ainda que estejam vazias.

Ah, essas almas estreitas sempre tão cheias de vazio,

Que é impossível para elas alargar o espírito.

sábado, 14 de novembro de 2015

Ponte de Palavras

Para atravessar o rio de silêncio ergo uma ponte de palavras.
Com cordas de pensamento e suporte de sentimentos.
Entre verbos e adjetivos e um sujeito indeterminado.
Entre o pensamento e a voz que materializa as ideias.

Palavras desajeitadas se seguram a qualquer custo.
Se a ponte se romper irrompe o ruidoso silêncio.
Rio sem riso vazio que angustia.
Palavras que morrem afogadas em agonia.

Palavras vacilantes dizem e nada dizem
Se a ponte balança muito é por medo do silêncio que me agride.
Águas que passam rápido num curto espaço de tempo.
Palavras amedrontadas por causa do agitar dos ventos.

Ponte de palavras instrumento limitado.
Rompe com o silêncio e configura o significado.
Ponte de palavras pinguela dos necessitados.
Por cima do silêncio liga sujeitos e predicados.

Palavras que se ligam como os elos de uma corrente.
Se tornam caminho para as vozes recorrentes.
Tudo flui e a palavra é massacrada pelo movimento.
Ponte frágil de palavras sobre o rio de silêncio.

Como Crátilo a ponte de palavras aponta o sentido.
Anuncia aquilo que com o silêncio é desdito.
Um dedo fala muito ao indicar a direção.
Como a ponte de palavras que possui duas mãos.
Duas direções necessárias para se fazer entendido.
A palavra é desnecessária se não houver algum sentido.

A ponte de palavras estabelece a relação.
Que o abismo de silêncio engole com a solidão.
A ponte é simples necessária e urgente.
Periga por cima do rio que separa as gentes.

Uma ponte feita para ligar os espíritos
Almas isoladas e corações contritos.
Que o silêncio aparta como rio intransponível.
Engolindo amores e amigos.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Biruta

A biruta vai aonde o vento assopra
Para todos os lados, ela vai e volta.
A biruta segue sempre o caminho das ventanias.
Sul ao norte, do Oeste ao leste, do Norte ao sul e do Leste ao oeste.
A biruta se move por paixão seduzida pelo vento vai a qualquer direção.
A biruta ficou biruta girando para todos os lados.
Afetada pelo vento era afetada pela vontade
Inclinada pelo desejo não encontrava a verdade
Perdida se inclina em qualquer direção
Ao sabor do vento se encaminha para a desrazão.
Persuasão que me seduz ao sabor de uma opinião
Me inclino ao que me agrada dou meu assentimento e razão.
Opiniões são como o vento e vem de todas as direções
A biruta pobre coitada não tem opinião sobre nada
É cabeça de vento nata, tal é a sua condição.
Boca aberta e cabeça vazia
Entra e sai de idéias
Inclina-se a cada ventania
Como a mente insensata a qualquer idéia.
Biruta de cabeça vazia
Biruta ensandecida
Maluca, doidinha
Quando vem a ventania
Gira para todos lados nossa amiga birutinha

Tentando seguir o rastro da insensatez dos pontos de vista.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Amizade Virtual

Amor solitário, amor à distância.
Amizade virtual é amor surreal.
Amizade virtual é amizade de cristal.
Tudo é visto, tudo é ignorado,
Tudo é dito no silêncio incontornável.

Amizade virtual, artificial.
Amizade virtual, descompromisso sem igual.
Amizade virtual, um pacote à la carte.
Amizade virtual, sem decepção e combate.
Tudo é escolhido, até quando finjo não escolher.
Tudo é medido, porque não quero me comprometer.

Amizade virtual que cabe em caixinhas reluzentes.
Amizade virtual forma de amor decadente.
Amizade virtual com o vizinho que mora em frente.
Amizade de mentira que facilita a vida da gente.
A dor do outro não importa.
A tensão me desespera.
Vontades em conflito .
É agonia e angustia certa.

Amizade virtual cabe na palma da mão.
Cabe na pupila contraída que não quer ver decepção.
Amizade virtual de janelas que não revelam o mundo.
De ideias fabricadas, vontades obliteradas, paixões fingidas.
Carinhos dissimulados.
Vida real maldita, ingrata e dolorida.
Prefiro essa vida vazia cheia de mentiras
Que a dor e a agonia de ver gente real.
Que desafia e me instiga
Que me alimenta e ilumina.

Amizade virtual é como amigo imaginário.
Crio um que não me dá trabalho.
Amizade virtual não toca de verdade.
Sua artificialidade esconde as almas covardes.
Tudo é mediado e o amigo está tão longe
Mesmo quando está ao lado parece estar do outro lado de uma ponte.
Amizade virtual é coisa que você põe na sua cabeça
Por medo de se machucar, te tornas incapaz de descobrir a beleza:
Que há na alma dos outros,
Que há na tensão do encontro,
Que há no amor construído,
Que há na descoberta do rosto do outro.


Brener Alexandre 11/05/2015

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Covardia

Me falta a coragem de te procurar
Pois tenho em excesso o medo de te perder
Se não te procuro como é que te tenho?
Doce ilusão é ter o que já está perdido.

Me falta a coragem de te olhar
Pois tenho vergonha de reconhecer
Se não reconheço, seria possível te amar?
Outra ilusão, desejar no íntimo os deuses vazios, ídolos.

Me falta a coragem de te amar
Sou um procrastinador
Enquanto espero a pessoa certa e a hora certa você fez acontecer com outro e me deixou sozinho outra vez.

Me falta coragem
Essa sina covarde
De achar o amor lindo, mas o dos outros
De achar a amizade importante, mas a distância

Me falta coragem

Por excesso de covardia eu parei de viver.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Narciso

Ah, esses olhos espelho da alma!
Ah, esses olhos tão profundos como o mar aberto!
Olhos tão profundos que me afogo só de encontrar os meus olhos nos seus.
Como Narciso encantado consigo mesmo admirando sua imagem refletida no rio.

Ah, esses olhos, acha que tinham a profundidade de um abismo,
Mas eis que me surpreendo ao ver que este olhos me dão pé.
Esses olhos me afogam em decepção posto que só vê a si mesmo.

Ah, Narciso! Narciso! Seduzido pela tua própria beleza te enganas
 E te afogas em uma poça de arrogância e tu a chamas de rio.
Ah, Narciso! Narciso! Gritas por céu denso e mares profundos
Mas te afogas no copo d’água que te servem para matar a tua sede.

Ah, esses olhos espelho da alma superfície plana que engana.
Reflete o que eu penso que sou, reflete o profundo sem profundidade.
Ah, esses olhos tão profundos, mas, tão profundos que se fossem um rio
Passaria a pé enxuto. Esses olhos espelhos de uma arrogância modesta.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Imperium

Você cruzou o rubicão e disse que vinha como amigo
Mas calmamente impõe a homens livres o poder excessivo.
Cidadão augusto que fere a isonomia
Seu ato desmedido destrói a isegoria.

Se apropria de teu título e abusa de sua força
Tiraniza a assembleia em nome de tua glória.
Funda para ti uma mentira vil
Se fazes filho dos deuses e legitima teu ardil.

Ameaça teus inimigos em nome da tua sede de poder
Quer todos sob seus pés com medo de morrer
E assim destrói o governo de nossas leis
Se coloca no lugar delas e a força nos quer fazer te obedecer.

Você cruzou o rubicão, marchou de mansinho
Tinha partido como amigo, nunca imaginei que voltaria inimigo.
Entrou na grande cidade
Passou pelos portões de Roma
Tirano que destrói a República
Imitador do tirano Sula
Que demoli a áurea república.

Na assembleia se dirigia se fazendo de interessado
No bem de todos, mas só pensava no seu lado.
Suas monções só favoreciam a ti só aumentavam o seu poder
Seu desejo era soberano
Sua vontade era lei
Tudo o que você queria era mais poder.

Você cruzou o rubicão
Cruzou o limite que nos separa do humano e do divino
Adeus república
Assembleia dos iguais
Cede espaço ao império
Violento
Opressor
Que a lei para ele não existe só quando para ele é favor.
Você cruzou o rubicão
E ameaça a liberdade
De cidadãos livres
Livres de verdade!

Você cruzou o limite
Destruiu as nossas leis
Transformando em súditos cidadãos-reis
Pois abaixo da lei estávamos
Era nosso escudo e amparo
Por causa dos excessos de um homem
Rumamos ao fracasso...

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Caminho para Lugar nenhum

Percorro um caminho de desencontros
Estradas paralelas que não se cruzam
Vias em que o destino pouco importa
Ruelas vazias e solitárias.

Percorro o caminho para lugar nenhum
Cheio de desencontros e ironias
Cheio de fetiches e mentiras
Estrada que não tem destino-envio.
Passagem para a invisibilidade
Trajeto do esquecimento.

Caminho sem asfalto
Caminho de terra batida
Caminho que não tem início e nem saída.
Caminho solitário via de solidão
Invisível aos seus olhos
Vou para lugar nenhum
Vou para o sem destino
A caminho do esquecimento.

Caminho para lugar nenhum
Via para a ausência
Trajeto da saudade

Desencontros e desencantos com a verdade.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Kenós

Me contaram uma estória deveras curiosa
De um menino que se interessava por coisas misteriosas
Um mistério é um poço cujo fundo não se vê
O menino descobriu no vazio um mistério pra valer.

O vazio atraia a atenção do menino
Que descobriu no vazio mundos infinitos
Possibilidades sem fim, no nada a criação
Força do vir-a-ser um mistério sem solução.

O menino passava horas a fio imaginando como seria o misterioso vazio
Inculcado com o nada descobriu mil caminhos
O vazio não é nada, é apenas vazio.
Mistério grandioso que revela o infinito.

No vazio o menino encontrou satisfação
Pois o infinito é possibilidade para encontrar a solução
O cheio está completo pronto e acabado
O vazio é horizonte é caminho a ser traçado
Se até no mistério pascal o vazio haveremos de elogiar
Pois, o Cristo se esvazia para poder nos salvar.

Esse menino inteligente viu o que só alguns conseguiram ver
A mística do vazio que nos faz crescer
Mergulhado no vazio até a onde a vista alcançar

Os segredos da vida espero encontrar.

domingo, 28 de setembro de 2014

Mundo Interior

O mundo que eu conhecia está destruído.
Eu vejo suas ruínas nos meus desatinos.
O mundo que eu conhecia foi arruinado.
Eu vejo destroços meu mundo é como um barco destroçado.

O meu mundo de fora parece bonito
Parece em ordem quando me vêem sorrindo.
O meu mundo de fora parece organizado
Sem crateras, nem abismos, sem buracos profundos parece ensolarado.

Eu vejo o meu mundo entre escombros e tristeza
Não há luz do sol, brilho da lua e das estrelas.
Eu vejo o meu mundo de um modo que ninguém mais vê.
Para todos está tudo calmo tudo tranqüilo
Mas o mal oculto espreita escondido.

No meu mundo interior havia jardins floridos
Céu estrelado, lua cheia, canto dos pássaros e o sol brilhava como o mais belo sorriso.
No meu mundo interior tudo o que construí ficou arruinado
Estradas destruídas, casas abandonadas, meu mundo interior ficou como uma cidade fantasma.

Não acredite no que você vê não se dê por convencido
Quando sorrio estou chorando
Quando choro estou deprimido.
Esse mundo tão vasto e ao mesmo tempo tão pequeno
A todos está vedado, pois, os olhos mentem sobre o que estão vendo.

Esse mundo separado pela alma fragmentada
Eu vejo sozinho e calado o destino que me aguarda
Talvez um dia eu reconheça e diga num abraço amigo

Chamar a morte de irmã querida como disse São Francisco.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Espelho

Nele eu me vejo como quero como desejo.
Nele eu me projeto e me enxergo é só o que vejo.
Nele há o reflexo repetição desigual excesso.
Nele me descubro tão belo que me perco.

Nele me arrogo clamo por atenção.
Nele me redescubro cheio de orgulho e paixão.
Nele não há ninguém maior que eu
Nem mais belo, nem mais forte
Há apenas excesso extravagância da minha sorte.
Vaidades e excessos que hão de me levar a morte.

Nele me projeto reflexo das minhas paixões
Nele encontro o prazer que ninguém mais pode me oferecer
Colírio para os meus olhos
Refresco para a minha alma
Posso enfim perguntar sem demora

Espelho espelho meu há alguém mais tolo que eu?

domingo, 25 de maio de 2014

Sísifo Condenado


Como Sísifo condenado nesse ciclo sem fim
A força que move a rocha é usada contra mim.
Como Sísifo condenado, condenado em solidão.
Toda força que utilizo sempre me parece ser em vão.

Esse ciclo que não fecha é a minha maldição.
Triste e absurda sina me tira a respiração.
Se o esforço é vão.
Se a vontade é inútil.
Pobre Sísifo condenado no ciclo do absurdo.

Condenação legítima?
Ilegítima condição.
Castigo sem crime
Herói trágico por vocação.

Sísifo condenado não chore sua sina
Transporta a tua pedra para o alto da colina.
Do alto ela desce novamente, pobre homem.


Massacrado pelo destino.
Desacreditado e sem sentido
O desejo de liberdade malogrado pelo castigo.

Como Sísifo condenado nesse ciclo interminável.
O poeta narra sua sina terrível e abominável.
Como Sísifo condenado ele não reclama do castigo.
Apenas lamenta o seu triste destino.




domingo, 18 de maio de 2014

Verdade II



Você disse que a verdade liberta.
Mas a verdade a mim se manifesta como uma janela aberta.
Você disse que eu era o melhor.
Mas a verdade é que aos seus olhos eu me sinto como se fosse o pior.

O que é a verdade?
Amante de homens fortes.
O que é a verdade?
Silêncio esclarecedor.
O que é a verdade?
É a mentira travestida, covardia velada.

Você me disse que a verdade me libertaria.
Mas a verdade não me libertou antes me mata a cada dia.
Você me disse que eu somava.
Mas me subtraiu do teu convívio porque eu mais nada acrescentava.


Se eu conhecesse a verdade ela talvez me libertaria...
Mas a verdade eu não conheço, conheço apenas mentiras.
Se a verdade libertasse como você me prometia.
Menos escravo dessa dor eu seria.
Se a verdade com a liberdade afinidade tivesse.
Talvez alguma esperança de libertação desse mundo me viesse.

Se tomo por verdade aquilo que é mentira.
Então a liberdade prometida nunca viria.
Você me disse aquele dia que a verdade liberta.
Me pergunto até agora que verdade é essa.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Um coração misterioso

No sonho de outro dia vi a tua rua escura
Não havia casas, nem luzes apenas amargura.
No sonho de outro dia você estava ausente
Mas como referente enunciado você se fez presente.

Teu coração é como cofre cheio de segredos
Mistérios nebulosos confinados pelo seu desejo.
Teu coração é como nuvem escura difícil de penetrar
Como a escuridão da tua rua no meu sonho quis me lembrar.

Um coração misterioso só fala por enigmas
Frases soltas e ambíguas
O coração misterioso tem linguagem privada
Não usa referentes porque não quer se referir a nada.

A linguagem do mistério é nebulosa e obtusa
Mesmo o coração misterioso com ela se ofusca.
Cuidado coração se com o mistério fores brincar
Pois uma hora ele pode te machucar.

O coração misterioso é como aquela rua escura
Impenetrável por natureza e nos convida à loucura.