segunda-feira, 1 de abril de 2013

Charitas sensibilis



Não me leve a mal se eu procurar o teu abraço ávido para fugir do frio da minha solidão. Ou se eu procurar segurar a tua mão como se tivesse medo de cair de um penhasco.
È na sensibilidade do teu amor que descubro o refúgio para as trevas da minha alma.
Espero pelo teu sorriso como o galo espera pelos primeiros raios de sol para soltar o seu canto alegre.
Tua pele suave ao tocar a minha me acalma, o calor do teu corpo junto ao meu aquece o meu espírito diante da frieza da solidão que me persegue nas noites escuras da minha existência.
Nos teus olhos eu procuro a tranqüilidade do sono perdido
E na tua boca espero encontrar o sabor das delícias escondidas pela amizade velada pelo desejo.
Anseio pela tua proteção, pela tua companhia, pela cura que só o teu cuidado podem trazer sobre as minhas feridas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Estranheza minha de cada dia



A estranheza é o meu ser e a diferença é a minha marca distintiva.
As pessoas passam por mim e sinto a diferença que nos separa
Diferença que não nos une, mas marca radical da incompletude.
Me sinto sozinho mesmo quando estou no meio de muitos
Me sinto sozinho como se ninguém pudesse preencher a dor que rasga o meu coração.

A cada dia me sinto estranho em relação a ti...
Sinto como se ainda que eu passasse a vida toda ao seu lado eu não te conheceria.
Estranheza de cada dia está presente mais do que o pão.
Essa sensação de que não sou igual a nada, igual a ninguém
Que não estou em casa
Que não posso ficar a vontade

Estranheza de cada dia me pune com a dor de me sentir o pior ser humano
Ou pior não me sentir humano...
Entre o desejo de te amar e o desejo de ser por você amado...
O que é o amor para quem se sente um estranho em relação ao mundo?
O amor nada mais é que descobrir na acolhida do outro que você não é do avesso.

O que eu sinto é que amor nenhum do mundo me fará sentir que não sou do avesso.
Porque nasci ao contrário do ente humano...
O humano em mim é exterior
O meu interior não tem descrição.

Não me sinto digno de nada
Nem de ninguém
Não me sinto no coletivo
Nem no individual
Não me sinto parte de você
Nem de mim mesmo.

Estranheza de cada dia
Estranheza a todo tempo
Solidão que me define.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Rosas do meu Jardim II


Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação.
Para as rosas do meu jardim devoto a minha atenção.
Porque é graças ao teu perfume,
Aroma doce e suave que minhas manhãs e noites são mais agradáveis.
Porque é graças a suavidade transparente do seu carinho
que as minhas manhãs e noites tem sabor de pêssego fresco e maçã verde colhida no pé.

Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação.
As vezes elas não sabem o que sinto, outras vezes até sabem e fingem não saber.
Ah! Rosas perfumadas e delicadas que dão vida a minha vida não sabem o que sinto ao vê-las
Nem a alegria que sinto de desfrutar de vossa amizade!

Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação
Porque sem elas não haveria inspiração ao poeta cheio de amor.
Nem haveria palavras que nos ensinassem o que é delicadeza e ternura.

Para as rosas de minha vida, mulheres amigas, mães devotadas, namoradas amorosas.
Para as rosas de minha vida, mulheres especiais que dão beleza ao meu mundo.
E partilham no seu existir a harmonia do universo inteiro em gestos simples de carinho.
Rosas multicoloridas que alegram o jardim da minha vida se abrindo em beleza.
Para estas e todas as rosas de todos os jardins todo o meu afeto e inclinação e admiração,
Feliz és tu mulher e não apenas no dia 8 de Março, mas todos os dias.

Brener Alexandre Gonçalves 08/03/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Amor amizade II



Ah, como eu queria que as mãos dadas prevalecessem sobre a nudez de nossos corpos!
Que o desejo fosse a simples força motriz e não o fim último da afetividade que nos une.
Que a palavra amor fosse sinônimo de cumplicidade, respeito e união e que as mãos dadas traduzissem o que sinto por você.
Não é que a nudez dos nossos corpos seja um mal, apenas gostaria que não fosse só isso.
A nudez é por vezes o símbolo da entrega pura entre duas almas que se desejam unidas, mas também é o sinal sórdido da expressão fisiológica do desejo.
Entre aromas e sensações que a nossa mente procura incansavelmente para se satisfazer fantasiando entre imagens impressas em nosso DNA.
Ah, a fantasia! A materialização da vontade, autônoma, corajosa e por vezes pragmática!
As mãos dadas não são só carinho, só união fraterna, as mãos dadas é o encontro de dois mundos contraditórios que buscam coexistência e coerência, extrapola a lógica da razão e pintada com a beleza mítica da narrativa extraordinária suplanta a mais superficial das emoções em troca do mais profundo laço de respeito e cuidado para com o outro.
Não, não é que eu não saiba que o limite entre o sagrado e o profano é tênue, uma linha imaginária que só enxergamos quando nos convém.
A verdade é que o sagrado e o profano no amor são dois lados da mesma moeda, o profano está contido no sagrado. Por isso não acredito que um seja melhor que outro, os dois são um só e mesma coisa!
De mãos dadas eu não te vejo como objeto que vai me realizar, mas te vejo como alguém que quer ser realizada junto comigo, somos partes do macrocosmo sendo um microcosmo sempre a beira da primeira explosão que vai dar o pontapé inicial para uma série interminável de aspirações e fantasias, interminável entre aspas, porque somos finitos e isso nos diferencia e muito do desconhecido do cosmos, ou talvez sejamos infinitos na finitude, porque o “eu” também é desconhecido, o eu é a grande matéria escura dos nossos desejos!
Que as mãos dadas sejam como dois elos fortes do nosso amor, que o meu toque suave das minhas mãos seja a transparência dos meus sentimentos por você para que a minha nudez seja como o rio de água cristalina e te permita ver o máximo que o meu “eu” possa te revelar.