sábado, 31 de maio de 2014

Figueira Maldita

À beira do caminho havia uma figueira.
De belas folhagens, oferecia sombra fresca.
Suas folhas eram verdes e a árvore bonita.
Mas naquela época figo algum ela produzia.

Não era tempo de figos, mas era tempo da fome.
Procurando por alimento, aproximou se um homem.
O homem não era uma pessoa qualquer.
Era o verbo encarnado, Jesus de Nazaré.

Olhou para a figueira e fruto nela procurou.
Encontrando apenas folhas bradou o Senhor:
“De ti não nasça frutos, de ti ninguém se alimentará.”
Amaldiçoou a figueira e fê-la murchar.

Essa é a história da figueira maldita.
Parada pelo caminho não cheirava e nem fedia.
A figueira ilustra o destino das pessoas,
Que param pelo caminho e se contentam com pouca coisa.

A figueira é a imagem daqueles que tem medo,
De alimentar os seus irmãos no tempo do desespero.
Quando meditarem essa palavra o poeta pede aos cristãos.
Deem fruto à vontade e sem moderação.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Supernova

A estrela cresceu, a estrela aumentou.
A estrela explodiu e caos se tornou.
A estrela era brilhante e mais brilhante ficou.
Mas um dia o seu brilho se apagou.
Pequenina ela cresceu, sua massa aumentou.
Seu tamanho anuncia que o seu fim chegou.

Brilhante e reluzente como o último suspiro.
Explosão fulgurante ela morre e não dá gemido.
O seu brilho vai se apagando, pouco a pouco, devagarinho.
Por fim, o breu, a estrela se apagou.
Um buraco, um vazio, a supernova nos deixou.

As estrelas como os homens também morrem pode crer.
Agrupada em constelações, mas separadas até morrer.
Os homens são assim, agregam com o invisível.
Mas longe uns dos outros, estão abandonados e sozinhos.

A estrela que um dia brilhava no céu
Já não mais será luzeiro no universo ao léu.
A estrela que eu pensava que toda noite se acendia.
Apagada para sempre estará como muitas e muitas vidas.

A estrela de grande brilho aos poucos foi desaparecendo.
Um vazio, um buraco no céu esmaecendo.
Está estrela que outrora por você suspirava.
Pela falta do seu amor nunca mais será tocada.
Estrela reluzente que um dia no céu brilhou.

Descanse em paz estrelinha que a minha noite um dia iluminou.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ovelha desgarrada

Diz uma história antiga que quando uma ovelha se perde o pastor por ela procura
Diz uma história antiga que quando uma ovelha se perde as demais com ela se preocupa.
Pobre ovelha perdida, pobre ovelha desgarrada.
Longe do redil do pastor, longe de verdes pastagens.
O pastor não lhe procurou, e o redil não se importou.
Pobre ovelhinha perdida nas estepes e pradarias.
Por lobos e coiotes espreitada no deserto.
Sozinha e abandonada está à ovelhinha desgarrada.
Se perdeu porque era diferente das ovelhas do redil
Lã escura e olhos claros pela porta ela fugiu.
O pastor não deu falta e as outras ovelhas a ignoraram.
Desgarrada do rebanho está a ovelha afugentada.
Perdida no deserto, longe das belas pastagens.
Alimento para lobos e coiotes selvagens.
Naquela história antiga dizem que a ovelha se safou
Mas para o nosso poeta não foi assim que acabou.
A história traz a imagem da compaixão e do arrependimento.
Mas a ovelha desgarrada só conhece o sofrimento.
Ovelha, ovelhinha sozinha e abandonada.
Teu destino, triste sina.

É ser pelo lobo devorada.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Dias de Outono

Outono é lembrança presa na memória.
Cada lembrança cai como folha no chão da minha história.
Os dias de outono sempre foram tranquilos
Ah, essa paz dos dias que anunciam o frio!

Cada folha que cai é uma gota da minha história.
Flui como um rio todas essas memórias.
Esse rio de folhas secas as vezes me arrancam sorrisos
Outras vezes é tristeza que trazem no mais íntimo do meu espírito.

E o vento de outono leva para longe as minhas memórias.
As folhas secas voam longe como voam as minhas histórias.
E estes versos tão singelos como a alma do poeta.
Tem a fraqueza do outono e a melancolia que o encerra.