sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Rosa Branca

Uma flor entre flores eu vi e encantado admirei.
Uma flor entre flores espécies diferentes um jardim diante dos meus olhos.
Uma rosa branca de perfume suave que toca suavemente o meu coração,
Tocando com delicadeza uma flor tomando-a pelas mãos,
Procurando o aroma da beleza e beijando-a com emoção.

Um beijo terno, como um beijo no coração
Um beijo singelo, como a flor que tem em suas mãos.
Um jardim inteiro não tem a sua delicadeza.
As flores mais sofisticadas não são páreo para a sua beleza.

Ó rosa branca, que enche o meu coração de ternura,
Toca me como toca as flores põe em mim a tua brandura.
Ó rosa belíssima, suave como as noites de verão,
Tu não sabes a alegria que trazes ao meu coração.

Ó rosa branca, esse poema é para ti
Que me encantou com a sua ternura
Sua beleza e doçura.
Ó rosa branca, pegue o meu coração,
Como segurastes a flor com delicadeza em tuas mãos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Poema de chamamento da rosa solitária

Acordei com saudade de ti, ó amada minha! Acordei com saudade do teu cheiro, ó rosa perfumada!
Teu cabelo tem o perfume das férias de verão da minha infância, lembrança doce e feliz.
Teus olhos são duas lanternas que me guiam na escuridão das noites quentes de dezembro.
Da tua boca sai a mais bela melodia que silencia todo o universo para te ouvir.

E, no entanto, o que ganho de ti é silêncio, e te tenho apenas na memória retida como uma fotografia.
Lembrança sinestésica da tua companhia anestesia para as dores da minha alma, longe de ti.
Ah, se eu pudesse abraçar-te! Ah, e eu pudesse sentir o teu perfume mais uma vez!
Rosa solitária, flor do deserto, vem habitar o meu jardim e iluminar com tua beleza mais radiante que o sol a mina vida, pintá-la com as cores do teu sorriso e trazer encanto com a tua voz doce aos meus ouvidos.

Tenho saudade de ti, das tuas mãos suaves tocando as minhas.
Tenho saudades de ti, de poder olhar teus olhos, admirar o teu belo rosto.
Rosa encantadora longe do teu perfume não sei para onde ir e nem o que fazer.
Tua presença para a minha saudade é como a água para sede
Vem para saciá-la sem medo.
Porque a saudade tal como a sede, mata quando não é saciada.
E não quero ver o meu coração secar sem se alimentar do néctar doce do teu ser.




domingo, 21 de dezembro de 2014

Castelo da solidão

Teu distanciamento é muro alto que não sei transpor
Olha-me como que do alto da torre mais alta
Teu sorriso escapa como a ponte que se ergue sobre o fosso.
És castelo, fortaleza intransponível.

Examino-te, quero penetrar o teu ser.
Examino-te, teus olhos profundos como a névoa da floresta.
Examino-te, vejo a solidão nos teus pequenos gestos.
És impenetrável e impermeável, meus olhos não podem te banhar como a luz do sol banha as flores ao amanhecer.

À distância descubro a beleza do teu sorriso
E empreendo uma cruzada para conquistar o teu coração.
Não sou cavaleiro, nem príncipe
Mas quero tomar o castelo da solidão.
Convertê-lo em castelo da alegria,
Fazer dele castelo da felicidade.

Mas esses muros altos intransponíveis me impedem de adentrá-lo.
Nem um exército de sorrisos.
E nem mesmo um batalhão de rosas podem passar.
Nem mesmo um poeta que há algum tempo tenha aprendido a amar.

Tão difícil adentrar o castelo
É para aquele que não é príncipe
Como é difícil dissipar as trevas
Para aquele não é sol.
Abra a porta do teu ser
Baixe a ponte que pode nos unir
Colha a luz dos meus olhos fixados em ti
Pois, quero ver o teu sorriso florescer
Transformemos o castelo da solidão
Um abraço seu e estarei protegido também.

Teu distanciamento é como um castelo
Rodeado de adversidades
Não tenho medo
Mas não quero ser invasor
Abaixe a ponte e me convide para jantar contigo
E o castelo da solidão cairá e se tornará palácio da união completa.




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Clichê – Refletindo sobre a definição do Pe. Fábio de melo

Segundo o Padre Fábio de Melo:O clichê é um amparo teórico que nos dispensa de pensar por nós mesmos. O que vou tentar fazer aqui é um exercício reflexivo em torno dessa intuição compartilhada por Padre Fábio de Melo em sua conta do twitter.
Mas ao mesmo tempo em que vou me deter nessa excelente definição do vocábulo ‘clichê’ tentarei ir além, porém, sem sair do foco que a definição apresentada por Fábio de Melo expõe com tanta clareza.

De fato, o clichê é aquela atitude mecânica que permite que fiquemos em nossa zona de conforto, é um recurso que a convenção social baliza de forma a evitar conflitos e permitir que a vida em sua completa boçalidade possa transcorrer sem grandes problemas. Enquanto “amparo teórico que nos dispensa de pensar por nós mesmos” o clichê é como que uma espécie de manual que tem por objetivo garantir ao máximo que nunca saiamos de nossa zona de conforto e por isso perguntamos “tudo bem?” e respondemos: “vou bem, obrigado!” sem titubear ainda que não estejamos bem, porque dizer que não estamos bem gera conflito, pede ao outro que ele enquanto, amigo, colega seja responsável e se disponha a ser engajado com o outro. Conflito não é só o atrito que gera o mero desacordo, o próprio desacordo é fruto do descompasso entre dois indivíduos, o conflito é o desconforto gerado pelo compromisso que sou impelido a assumir para com o outro. Em uma sociedade individualista e consumista como a nossa, não há desconforto maior do que ter que se relacionar com certo grau de profundidade com as pessoas.
As pessoas de modo geral esperam que todo mundo use o piloto automático e fique por isso mesmo. Em outras palavras, clichê é o piloto automático da vida que me dá certo conforto, evita embaraços e não exige engajamento com as pessoas.

Bons exemplos que o cinema nos deixou, vou citar dois: O filme “Clic” com Adam Sandler  apresenta o clichê como automatismo social. O Personagem de Sandler  usa o controle remoto para saltar as partes de sua vida que ele considera chata, por exemplo, o jantar com os seus pais e familiares e até mesmo o momento de intimidade com a sua esposa, tudo para poder ter mais tempo para o trabalho. Outro filme, este mais recente, é o “Doador de memórias” esse filme merece uma reflexão a parte pelos vários elementos que nos dão o que pensar, mas fico aqui com uma única cena do filme no primeiro encontro entre Jonas (protagonista da história) e o doador de memórias. O automatismo social mais comum no filme é: “eu aceito as suas desculpas” que o doador imediatamente pede para que Jonas nunca mais repita na sua frente. Tal automatismo reflete essa necessidade de evitar o conflito enquanto desentendimento que gera animosidade ( uma das coisas que mais chama a atenção no filme é que todos tem suas emoções suprimidas quimicamente).

Em uma sociedade que quer evitar ao máximo o conflito, preza ao extremo a liberdade individual e estimula ao máximo o prazer pessoal como é o caso da nossa sociedade vê no clichê uma excelente ferramenta que torna as relações rasas e límpidas o suficiente para que possamos ver o fundo sem que precisemos mergulhar a cabeça e nos molhar.
É aí, creio eu que o clichê se torna essa muleta que nos dispensa de pensar por nós mesmos, já que sua função mais importante é permitir que possamos tocar os nossos negócios sem se preocupar com qualquer coisa. O clichê é uma poltrona confortável que faz tudo, inclusive servir aquele cafezinho quente e cheiroso. É de fato amparo, muleta, recurso, mecanismo de automatismo que faz com que pessoas que tem potência para ser um rio São Francisco grande e imponente ver suas nascentes secar e sua vida passar até que tudo o que foi vivido seja vazio e sem próposito.


O clichê está muito mais presente em nossas vidas do que gostaríamos. Mas melhor seria se desligássemos o piloto automático e ousássemos mergulhar fundo nas pessoas. Descobrir novos mundos e novos céus, o poeta latino brada: “Carpie Diem!” Não pode ser um hedonismo barato, colher o dia é tirar o máximo de proveito que ele tem para nós, isto é, viver a vida com suas alegrias e tristezas, colher o dia é abrir mão do “amparo teórico que nos dispensa de pensar” de que nos fala padre Fábio de Melo e não apenas reproduzir frases desinteressadas que nos conforta como uma poltrona de massagens de um shopping center, mas que nos permita, de fato, viver e conviver com a humanidade que habita cada um de nós.