E se eu te contasse o que eu sinto?
E se eu te falasse do meu íntimo?
O que mudaria?
E teus olhos não podem ver quem eu sou no meu silêncio
Então o som do que eu sou não poderá ser apreendido por você quando falar
E nada mudaria...
E se eu me arriscasse?
E se eu lutasse pelo que sinto por você?
Faria a diferença?
De que adianta me arriscar por alguém que não entende o que eu sou e nem o que eu sinto.
Lutar não é mais que transformar a minha frustração em dor e me ferir outra vez.
E nada mudaria a não ser que a minha alma estaria ainda mais torturada pelas tuas lembranças.
Brener Alexandre 07/08/2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Pequeno tratado sobre a amizade
A amizade é um dos grandes temas abordados pela filosofia clássica. E por que a amizade tem tamanha relevância para a filosofia? Porque ainda que a sociedade tenha se tornado por demais complexa é a amizade que expressa a concórdia entre as pessoas reunidas por um ideal.
Eu sou inclinado a aceitar análise que Aristóteles faz da amizade na Ética a Nicômaco, que me parece ser muito acertada. De fato, o Estagirita entende que a amizade pode ser classificada em três tipos do qual apenas um é de fato amizade configurando assim um clássico problema de homonímia com a palavra amizade no uso cotidiano do termo.
Com efeito, falar da amizade com um olhar filosófico implica repensar a ética das virtudes ou melhor significa falar das virtudes e entender a amizade como uma afeição sadia que se relaciona com as virtudes.
Entendo por amizade como já manifestei de modo impreciso uma disposição afetiva entre dois seres humanos. Esta disposição afetiva envolve uma inclinação ao cuidado e o desejo de convivência entre as partes envolvidas. Por cuidado quero dizer o desejo e a satisfação de ver o outro bem, alcançando o sucesso em suas realizações pessoais e morais. E o desejo de convivência é uma conseqüência inerente à inclinação ao cuidado, uma vez que cuidar implica se envolver e se relacionar.
Então para falar de amizade penso que o melhor a fazer é começar pelo cuidado como demonstração de interesse e afeto genuíno pelo outro. O cuidado é uma marca que exprime a amizade e esta é uma expressão do amor que sentimos por um semelhante e isto se torna mais claro quando percebemos que amicitia (amizade em latim) tem a raiz de amor indicando a natureza afetiva da relação. Em grego a palavra philía também expressa a disposição afetiva necessária para a consumação dos laços amizade, pois o verbo philéo também expressa a natureza do amor. É neste sentido que entendemos o cuidado como uma atenção e um interesse pelo outro em si. O que é muito diferente de uma relação interesseira, na qual se deseja extrair algo de útil que o outro tem a oferecer. Existem dois tipos de amizade interessada sendo que uma delas se subdivide em outras duas formas. A primeira é aquela que considero mais legítima e mais condizente com o que expressa a palavra amizade, pois o interesse não visa um finalidade externa à própria amizade, mas extrai da amizade os benefícios da convivência e parte de uma relação afetuosa sincera. Nas outras duas formas o interesse é externo à própria amizade tornando-a imperfeita. A duas formas imperfeitas a que me refiro são a amizade pelo interesse, na qual esperamos receber algo em troca pela associação amistosa e a amizade cujo único fim seja adquirir o prazer.
Indivíduos que se relacionam esperando receber ou trocar favores rompem seus laços de amizade tão logo conseguem o que desejam, exceto nos casos em que o afeto e o interesse extrapole os favores trocados. Já o individuo que se relaciona em busca de prazer, este é incapaz de se envolver verdadeiramente com o outro, pois o que realmente lhe interessa não é o bem estar do outro, mas apenas o prazer que dele pode extrair, portanto dificilmente se preocupará com os problemas e adversidades que este amigo pode vir a ter na vida e muito provavelmente não será capaz de lhe prestar socorro quando precisar.
Por outro lado, a amizade verdadeira e legitima consegue realizar na economia global da relação partindo do cuidado e do carinho o interesse pelo que o outro é como seu semelhante valorizando sua humanidade. É capaz de trocar favores sem resumir sua relação aos desejos que lhe convém e obtém o prazer sem negligenciar o bem estar do seu companheiro. Fica claro portanto que a amizade perfeita implica a excelência moral que aperfeiçoa nossa humanidade e que através da amizade nos torna auto-suficientes.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Roma: Uma descrição quase fiel da formação de um império
O seriado Roma exibido no canal HBO, de produção européia com o apoio da BBC é uma das melhores leituras feitas do período final da república romana. Recheada de personagens históricas importantes: Júlio César, Pompeu, Marco Antônio, Brutus, Cícero, Catão, Cipião, Otávio César, lépidos e Cleópatra. A trama constitui duas temporadas e duas histórias que se cruzam. A primeira temporada apresenta a disputa pelo poder entre Júlio César e o General Pompeu. A segunda temporada retrata a disputa entre Marco Antônio e Otávio César. A história da república romana é intercalada pela história de amizade entre dois legionários da 13° legião, veteranos da guerra contra a Gália, os soldados Titos Pullos e Lucius Vorenus, ambos se envolvem nas disputas políticas travadas pelos patrícios romanos, o que muda substancialmente suas vidas.
Roma é um seriado rico em detalhes, desde o figurino as práticas culturais da sociedade romana.
A piedade religiosa, os amores, e o casamento institucionalizado tudo é retratado com riqueza de detalhes históricos.
Algumas considerações sobre a cultura Greco-romana
Roma como foi dito descreve na medida do possível de modo detalhado o modo de viver dos romanos, Patrícios e plebeus. Sua maneira de se relacionar com a religião, política e família delineava os traços marcantes da constituição da cultura etrusca influenciada pela cultura grega.
De todas as coisas retratadas em Roma, o casamento e as relações amorosas merecem grande destaque, pela riqueza de detalhes culturais de um modelo institucional da família que já não existem mais. A sociedade romana, assim como a maioria das sociedades antigas não permitiam que as mulheres tomassem parte das disputas políticas, mesmo entre as famílias nobres (patrícios). Os casamentos era um dos meios de conseguir alianças políticas e manter o poder coeso através dos laços de amizade estabelecidos pela união matrimonial. O casamento, portanto, era uma instituição que não privilegiava o amor, antes levava em conta a honra, a dignidade e as famílias dos noivos. Situação completamente inversa da nossa sociedade que ainda respira os ares do romantismo do século XVIII. Um dos momentos em que o casamento e o amor são tratados até certo ponto como situações contrárias ou inconciliáveis quando Lucius Vorenus discute com a sua esposa o casamento de sua filha mais velha. A sua filha pede que o noivo seja o homem que ela ama, um jovem pastor. Mas Vorenus rejeita o pedido da filha em conjunto com sua esposa, considerando que um casamento construído com o amor é estranho e luxurioso. O amor neste caso é tratado sempre com as nuanças do erotismo e sensualidade. Em outra circunstância quando Otávio César propõe a Marco Antônio um casamento para demonstrar publicamente os laços de amizade entre os dois, não lhe dá a mão de sua mãe que era sua amante e sim a mão de sua irmã Otávia, com o a mesma justificativa de Vorenus de que um casamento não pode ser selado entre amantes, mas deve ser baseado em outros valores dos quais a moderação (temperança), dignidade e honra são os pilares. Além do casamento, a serie retrata a relação entre amantes e o modo como a sociedade romana exprimia sua sexualidade livremente seja nos bórdeis da cidade, seja nas relações amorosas de várias naturezas, inclusive homosexuais. Que assim como na cultura grega estão entrelaçadas na cultura cotidiana.
E claro para os amantes de história antiga, não poderia deixar de comentar como é retratado a política romana. Um senado e atuações impecáveis. Uma política baseada no discurso, onde a retórica tem papel importante para decidir os rumos do grande império romano. Marco Túlio Cícero, Catão, Cipião personagens caras a política e a filosofia romana. Os dois últimos tomados como exemplo de sábios para a filosofia Estóica e o primeiro foi decisivo para a derrota de Marco Antônio. A filosofia estóica é amplamente explorada no seriado. Cícero e o próprio Vorenus (que era estóico discípulo de Catão) muitas vezes mostram como o sábio deve ou não se portar. A morte de Cícero é perfeita para demonstrar a impassibilidade do sábio diante da morte.
Roma é um seriado curto, infelizmente, mas recheado de informações detalhadas sobre um modelo cultural que ainda é basilar para a nossa sociedade e que abriu caminho para uma outra cultura que se fortaleceu com a queda do grande império no século IV d.c, a cultura cristã.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Solus Ipsum sum
Me dei conta de que estou sozinho, não, sou sozinho.
“Solus ipsum sum” grita minha consciência sôfrega.
Não tenho teu abraço, não ganhei o teu sorriso e nem sinto seu calor.
Sou só abandonado a minha própria solidão. Estranho a mim mesmo.
Estranho para você. Perdido nos meus olhos castanhos, preso a imensidão dos teus olhos também escuros.
Me dei conta do quanto sou frágil, quebradiço cheio de pequenas superstições. Imaginação fértil e fecundada pelo desejo.
Me dei conta do quanto me dou ao mundo essa alteridade maior que me faz pequeno, uma criança chorona.
Me dei conta de que até o meu nome nada mais é que um amontoado de sons que só expressam a minha triste ilusão solitária.
Ilusão solitária é o nome que dou a minha existência quando ela dói em saudade, quando ela dói em ser dor. Quando ela dói em ser solidão.
Brener Alexandre Gonçalves, 18/05/2012
“Solus ipsum sum” grita minha consciência sôfrega.
Não tenho teu abraço, não ganhei o teu sorriso e nem sinto seu calor.
Sou só abandonado a minha própria solidão. Estranho a mim mesmo.
Estranho para você. Perdido nos meus olhos castanhos, preso a imensidão dos teus olhos também escuros.
Me dei conta do quanto sou frágil, quebradiço cheio de pequenas superstições. Imaginação fértil e fecundada pelo desejo.
Me dei conta do quanto me dou ao mundo essa alteridade maior que me faz pequeno, uma criança chorona.
Me dei conta de que até o meu nome nada mais é que um amontoado de sons que só expressam a minha triste ilusão solitária.
Ilusão solitária é o nome que dou a minha existência quando ela dói em saudade, quando ela dói em ser dor. Quando ela dói em ser solidão.
Brener Alexandre Gonçalves, 18/05/2012
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