Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Amor secular e amor cristão - A linha de passagem entre duas formas de amar

Amor secular e amor cristão – A linha de passagem entre duas formas de amar

Vi perambulando pelas redes sociais a seguinte frase: “Uma geração de jovens com menos de 18 anos com a vida emocional destruída por buscar um amor em pessoas, um amor que só encontramos em Jesus”. Deparei-me com dois problemas ao ler essa frase, uma de ordem ética e outra de ordem teológica. E gostaria de refletir sobre esses dois problemas para que possamos entender o porquê dessa frase não exprimir de modo adequado aquilo que os apóstolos, principalmente São Paulo ensinaram sobre a vida cristã e o amor tal qual é compreendido no cristianismo.

Começarei pelo problema teológico, pois ao resolvê-lo o problema ético se dissolverá quase que automaticamente. A questão teológica que se coloca de forma problemática na frase citada diz respeito ao conceito “amor” usado no texto.  A palavra amor é usada com dois sentidos distintos ao falar dos jovens que tem a vida emocional destruída por buscar “amor em pessoas”, o autor fala do amor cuja perfeição provém de Deus, mas que nas relações humanas se dá sempre de modo imperfeito. Desse modo o amor manifestado entre os jovens é nesse caso um amor romantizado, idealizado e carregado de “erotismo”. Por erotismo não é necessariamente o conjunto de práticas que chamaríamos de “sexuais”, mas um conjunto de práticas que envolvem a atração, física e ou intelectual que gera e desperta o interesse entre os jovens.
Enquanto o amor em sua forma acabada e que só pode ser “encontrado em Jesus” seria algo superior, e portanto, jamais se encontraria nessas relações imperfeitas. A concepção teológica que estamos esboçando nessa análise remete diretamente no plano existencial, pois os jovens estão tentando preencher um vazio de ordem existencial com um amor imperfeito. Por outro lado, esse preenchimento só é possível e encontrado em Jesus. Tal é a situação- problema que se apresenta para nós.

O grande problema teológico que se coloca no que tange o conceito de amor é que a vida cristã é orientada desde o início da Igreja para refletir nas relações interpessoais o amor de Jesus. Isso é ainda mais evidente quando compreendemos a dimensão comunitária da Santíssima Trindade na qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo se tornam o modelo comunitário por excelência baseado na relação de amor e equidade de todos para com todos. Desse modo, o amor secular é sempre imperfeito, mas não o é porque meramente não reflete essa relação trinitária perfeita, mas porque o amor secularizado principalmente na sua dimensão erótica é sempre amor interessado, ao passo que o amor na sua forma acabada é sempre desinteressado. Há outro aspecto que não nos pode escapar de vista, o sentido hebraico, vale dizer, dentro da tradição judaica da palavra “amor” é bastante diferente dos usuais grego e latino.

Vamos resgatar esse sentido? Para entendermos o sentido bíblico-teológico do amor na vida cristã. No livro do Deuteronômio encontramos “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5). E em Levítico está escrito “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Esses dois trechos da lei de Deus são retomados pelo evangelista Lucas e introduzem a parábola do bom samaritano (Cf. Lc 10, 25-37). A parábola ensina o que é ser “próximo” de alguém, e entender essa lição implica compreender o significado do amor pedido pela lei de Deus. Um amor que não é um mero gostar, um simples sentimento, mas é um agir de santidade que se expressa como “fazer bem”, oferecer o melhor que somos e possuímos para o outro. O primeiro Mandamento é uma radicalização do segundo quanto a intensidade, pois só a Deus é reservado um amor e cuidado que tome todo o nosso ser. Ao próximo cabe fazer o bem que fazemos a nós mesmos. Assim, o reconhecimento ético do outro como próximo passa pelo fazer-se próximo do outro.

Desse modo a regra de ouro (Cf. Mt 7,12) exprime o aspecto ético dos mandamentos divinos, uma ética profundamente teológica em que o amor não tem por primazia uma afetividade ingênua, mas um agir movido pela santidade. Santidade exigida pelo próprio Deus: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus sou santo” (Lv 19,2). Santidade que o evangelista Mateus traduziu como perfeição. “Sede, portanto, perfeitos como vosso pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) e Lucas traduz por misericordioso: “sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Ambos evangelistas traduzem a santidade, pois a perfeição de Deus se exprime como santidade na forma da justiça seja dentro do horizonte legalista que Mateus quer combater ou de Lucas que escreve a Teófilo um amigo seu de origem grega. No caso de Lucas a perfeição de Deus se manifesta principalmente em sua capacidade de se compadecer dos homens, coisa que no horizonte religioso da Grécia pagã era algo inconcebível. Seja em uma concepção filosófica das religiões pagãs, seja na religião tradicional a divindade jamais se importaria com os seres humanos. Para a compreensão filosófica um deus que se importa com mortais não preenche o requisito perfeição, pois sendo uma divindade só poderia se preocupar com coisas eternas e perfeitas como ele mesmo. E para a religião tradicional os deuses são em suma egoístas demais para se importarem com mortais, para eles meros acessórios que satisfazem suas vontades pelo culto ou pelos seus próprios interesses. Em outras palavras, os evangelistas ao compreenderem que a santidade é uma perfeição que se exprime como justiça e misericórdia abrem um novo caminho ético que estava presente na cultura judaica, mas que ainda não havia ganhado o significado universal que o cristianismo por si só pode alcançar.

Portanto, há uma intima relação entre o amor a ser encontrado em Jesus que o texto sugere e a prática desse mesmo amor entre pessoas que aderem ao cristianismo. A própria sacramentalidade do matrimônio depende da prática desse amor, pois o matrimônio é o sacramento que imita a relação unitiva entre Cristo e a Igreja (sem contar a relação de complementaridade expressada em Gn 2,24). A natureza teológica do amor é fundamental para todas as relações cristãs no âmbito pessoal e social e precisa ser cultivada como parte de um exercício que tem Deus como fonte da qual brota a referência do justo e do direito expressos no modo de ser de Deus em sua essência e constituição ontológica e não como meros acidentes ou atributos que complementam o que Deus é.

Traduzindo em miúdos se levássemos essa frase as últimas consequências somente religiosos que se dedicam inteiramente a vida religiosa (consagrados, padres etc) encontrariam esse amor de que a frase fala com tanta leviandade. Afinal, nas relações entre pessoas dificilmente encontraremos esse amor abstrato. No entanto, quando aprendemos a ser “imitadores de Deus como filhos queridos” como pede o apóstolo Paulo aos efésios que insiste “vivei no amor, como Cristo também nos amou e se entregou por nós como oferenda e sacrifício de suave odor” (Ef 5,1-2), então, nos tornamos capazes de experimentar esse amor que é “benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho” (1Cor 13,4).

O grande problema dos jovens com mais ou menos de 18 anos no que se refere ao amor, sejam cristãos ou não cristãos, é que transformam o ato de amar em algo imanente e totalmente voltado para a satisfação de si. Até mesmo as amizades tem se válido desse modus operandi e faz com que os laços se tornem muito finos e efêmeros começam e somem sozinhos. Nas relações interpessoais o cristão é convidado a amar como Cristo ama a Igreja ou o próximo (Cf. Ef 5,25 e Jo 15,12). O amor secular busca obter benefício em todos os sentidos possíveis. Normalmente tem caráter imanentista e recusa ou diminui o papel de um ser transcendente como modelo que orienta a ação e garante sentido.

A frase, entretanto, exprime em um sentido mais fraco (que creio ter sido a intenção de seu autor) uma verdade inegável. Em Jesus encontramos o modelo do amor de Deus que devemos imitar. Nele os jovens, adultos e idosos e crianças encontram a forma basilar e mais perfeita do amor que é justamente o bem querer e o bem fazer que nos faz próximos uns dos outros. É preciso, portanto, fazer a passagem do amor secular para o amor cristão. Os cristãos são chamados desde o batismo a viver essa experiência que nos santifica. A santidade não é um alto grau que nos separa do resto da humanidade e que nos permite julgar e condenar os que não alcançaram esse estado de vida, ao contrário, a santidade é um convite à virtude na qual nunca estamos totalmente conscientes da nossa santidade e a vemos sempre como processo de uma caminhada que precisa ser feita em íntima relação com Deus (na oração e na vida mística) e que deve refletir nas nossas relações interpessoais fazendo valer os mandamentos de Deus como o pedido de um pai que quer ver seus filhos se dando bem uns com os outros. Se possível gostaria de retornar a esse tema, mas por hora ficaremos por aqui.


Brener Alexandre 07/07/2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Entrar ou sair do coração de alguém dói: pequena reflexão sobre as relações humanas

O coração é desde a antiguidade o órgão que representa o ser humano por inteiro, suas dimensões racionais e afetivas, suas virtudes e vícios, ou seja, tudo o que ele é como ser humano em sua humanidade sem fragmentar-se é coração. Por isso, falamos ainda hoje do coração como lugar do nosso ser e não a nossa cabeça embora admitamos ser a cabeça o lugar da razão. A antropologia bíblica e a antropologia filosófica do pensamento arcaico (poesia grega principalmente) atestam o coração como centro da humanidade.

Compreendendo o significado do coração como imagem do nosso íntimo, pergunto: por que entrar ou sair do coração de alguém dói? Como é esse doer? A imagem à qual irei recorrer para responder essas duas perguntas é fruto de um sonho que tive. A imagem é uma dinâmica, exercício no qual realizamos uma experiência concreta do que desejamos ensinar. A imagem foi construída do seguinte modo: um grupo de pessoas formando um aglomerado dentro de uma tenda sem iluminação interna. A pessoas entravam e não saiam inicialmente, quem estava do lado de fora não ouvia barulho vindo da tenda, era como se ela tivesse isolamento acústico.

As pessoas eram convidadas a entrar na tenda que já contava com um grande número de pessoas. A primeira sensação: medo, porque não sabemos o que acontece dentro da tenda. A segunda sensação: curiosidade, queremos saber o que há no interior da tenda descobrir o que se passa lá dentro. A terceira sensação: coragem, você se dispõe a enfrentar o medo inicial e resolve entrar na tenda. A quarta sensação: o desejo, o desejo te move e você adentra a misteriosa tenda escura.

Essas quatro sensações iniciais não se manifestam nessa ordem e muito menos podem se manifestar todas de uma vez. Pode ser que você sinta apenas medo, ou coragem, desejo ou curiosidade ou nenhuma delas. Dentro da tenda está escuro, você esbarra nas pessoas pode tropeçar no meio delas enquanto entra na tenda, pode até se machucar com uma cotovelada, tapa, soco, chute e com muitas agressões voluntárias e involuntárias. Isso acontece porque não sabemos com o que ou quem estamos lidando dentro da tenda e nesse percurso é parar dentro da tenda no oculto da escuridão ou caminhar para achar a saída, só há duas possibilidades ficar ou sair. Se sairmos ou ficarmos haverá consequências, ninguém escapa ileso da tenda. Quando se sai, a saída é sempre angustiante, dolorida, saímos marcados no corpo, na alma pela experiência de andar entre tantos na escuridão. Essa é a imagem que a dinâmica propõe, e o que ela ensina?
Entrar na vida de alguém, isto é, entrar no coração de alguém é entrar nessa tenda, a gente não sabe o que vai encontrar, e nem sabemos se vamos ser capazes de permanecer.

As quatro sensações experimentadas antes de entrar são as sensações que podemos sentir dentre tantas possíveis quando conhecemos alguém. É natural que tenhamos medo, curiosidade, coragem e desejo em relação às pessoas que conhecemos. O medo por não saber o que esperar, ou como as pessoas irão reagir. A curiosidade de saber como é conviver com aquela pessoa ou de entrar no universo da vida dela. A coragem e o desejo de se arriscar e investir na relação. Em suma, são os primeiros passos em qualquer relação humana.
A tenda é escura porque assim como o coração de qualquer pessoa nós somos incapazes de saber quantas pessoas ali habitam, quantas tem um lugar especial na vida do outro quantas pessoas estão disputando o mesmo espaço no coração de alguém. Por isso ao entrar e caminhar no coração de alguém ficamos sujeitos a todo tipo de “agressão” algumas voluntarias fruto da disputa pelo lugar, outras involuntárias fruto do nosso querer que nos põe em conflito com o que não compreendemos ou aceitamos na vida do outro, o ciúme, a inveja, a insegurança são alguns dos elementos que podem nos machucar nesse processo.

Desse modo, só há duas possibilidades. Sair ou ficar, em ambos os casos haverá conflito, haverá disputa por espaço, mas quando sair haverá a frustração e as marcas da experiência gerada pela tensão no interior do coração do outro.

O coração é lugar da intimidade, e sempre haverá disputas quando queremos fazer parte da vida de alguém. Entrar ou sair do coração de alguém dói, portanto, porque implica saber caminhar em território desconhecido no escuro confiando no convite para permanecer com. Se não somos capazes de fazer essa experiência de confiança somos expulsos do coração por nós mesmos, que provocamos a nossa expulsão. Essa dor é a frustração, mas também é a dor do medo e da insegurança que são constantes em nossas vidas principalmente quando não confiamos em nós mesmos e refletimos essa desconfiança nos outros.


Brener Alexandre 13/04/2017

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Fio de cabelo

O fio de cabelo presente anunciava tua ausência recente.
Memória da presença perene.
Recorda-me da sua iminente partida.

Fio de cabelo solitário ali esquecido
Na cadeira deixado.
Um encontro a pouco consumado.

Fio de cabelo,
Fio de novelo,
Puxa da memória o desejo.
Puxa do labirinto o segredo.

Fio de cabelo,
Fio de desejo,
Lâmina da memória,
Me corta enquanto narra sua história.

Fio de cabelo,
Fio do destino,
Esticado devagarinho.
Um pedacinho do teu ser esquecido de mansinho.

Fio de cabelo delator da tua presença ausente.
Da tua partida recente.
Do desejo te ter por perto um pouco mais.
De encontrar na tua companhia um pouco de paz.


Brener Alexandre 20/04/2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Ponte de Palavras

Para atravessar o rio de silêncio ergo uma ponte de palavras.
Com cordas de pensamento e suporte de sentimentos.
Entre verbos e adjetivos e um sujeito indeterminado.
Entre o pensamento e a voz que materializa as ideias.

Palavras desajeitadas se seguram a qualquer custo.
Se a ponte se romper irrompe o ruidoso silêncio.
Rio sem riso vazio que angustia.
Palavras que morrem afogadas em agonia.

Palavras vacilantes dizem e nada dizem
Se a ponte balança muito é por medo do silêncio que me agride.
Águas que passam rápido num curto espaço de tempo.
Palavras amedrontadas por causa do agitar dos ventos.

Ponte de palavras instrumento limitado.
Rompe com o silêncio e configura o significado.
Ponte de palavras pinguela dos necessitados.
Por cima do silêncio liga sujeitos e predicados.

Palavras que se ligam como os elos de uma corrente.
Se tornam caminho para as vozes recorrentes.
Tudo flui e a palavra é massacrada pelo movimento.
Ponte frágil de palavras sobre o rio de silêncio.

Como Crátilo a ponte de palavras aponta o sentido.
Anuncia aquilo que com o silêncio é desdito.
Um dedo fala muito ao indicar a direção.
Como a ponte de palavras que possui duas mãos.
Duas direções necessárias para se fazer entendido.
A palavra é desnecessária se não houver algum sentido.

A ponte de palavras estabelece a relação.
Que o abismo de silêncio engole com a solidão.
A ponte é simples necessária e urgente.
Periga por cima do rio que separa as gentes.

Uma ponte feita para ligar os espíritos
Almas isoladas e corações contritos.
Que o silêncio aparta como rio intransponível.
Engolindo amores e amigos.

domingo, 2 de novembro de 2014

A Rosa – Reflexão a partir do Pequeno Princípe

Olhando as flores me lembrei de que o amor recusa a violência e relendo o clássico “O Pequeno Príncipe” me veio outra coisa a mente. É interessante o movimento feito pelo principezinho antes de conhecer e cativar a raposa, pois, o pequeno príncipe passa por um roseiral e fica desapontado ao descobrir que a sua rosa não era única, mas era apenas uma rosa comum. Porém, depois de conhecer e ficar amigo da raposa descobre que a sua rosa não é uma rosa qualquer, uma rosa comum, mas é especial.
O nosso principezinho volta ao roseiral e diz: “Ela (a rosa) sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o para-vento. Foi por ela que eu matei as larvas. Foi ela que eu escutei se queixar ou se gabar, ou mesmo calar-se algumas vezes, já que ela é a minha rosa.” Vejam que a descoberta do principezinho o faz perceber que a relação com a sua rosa modifica completamente o seu olhar sobre ela. A relação é de intimidade e profundidade, uma coisa leva a outra.

A raposa explica ao menino: “eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O Essencial é invisível aos olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...” Na verdade, não foi tempo perdido, foi tempo dedicado. A rosa quer ser ela mesma e também queremos ser nós mesmos. Queremos ser aceitos como somos com nossos pequenos defeitos e nossas virtudes, carecemos de reconhecimento e de espaço para crescer. Ora somos jardineiros, ora somos a rosa.

No entanto, nos esquecemos que a rosa vai reclamar um dia ou outro, vai estar insatisfeita, mas isso faz parte do mistério relacional.
Se não suportamos pessoas rasas, fúteis e superficiais é porque somos profundos como um abismo, é belo, mas assustador! Somos como o mar aberto, esplêndido, mas angustiante. Ora, os místicos também conhecem bem essa experiência de se lançar nas “águas mais profundas” e de fazer a experiência do desamparo, esse abandonar-se no mistério também é angustiante.

Quem tem a profundidade dos abismos é de uma intensidade angustiante e não se contenta apenas em refrescar os pés, mas quer “lavar o corpo inteiro”.
E se somos estranhos de perto, que seja! A estranheza é fruto da falta de convívio, de tempo dedicado, pois devemos nos interessar pelas pessoas como elas são e não como queremos que elas sejam! É tolice dizer para alguém que é melhor te ter como amigo, ora, a amizade pressupõe que eu também te acompanhe de perto do contrário não é amizade, não seria nem coleguismo.
Assim como a lógica pressupõe que se alguém merece todo amor do mundo e se você diz isso a alguém, então devemos pressupor que você esteja minimamente inclinado a amá-lo do contrário o que você diz é uma mentira ou você é covarde.

O amor, a amizade e todo o resto dependem da coragem enquanto virtude, pois é da coragem que brota a sinceridade para o real engajamento.
MacIntyre argumenta: “Acreditamos que a coragem é uma virtude porque o cuidado e a preocupação com indivíduos, comunidades e causas, tão fundamentais em tantas práticas, requerem a existência de tal virtude. Se alguém diz que cuida de uma pessoa, comunidade ou causa, mas não está disposto a correr riscos por essa pessoa, comunidade ou causa, põe em questão a sinceridade de seu cuidado ou interesse. Coragem, a capacidade de correr riscos, tem seu papel na vida humana devido a essa ligação com o cuidado e o interesse. Não estou dizendo que seja impossível interessar-se e também ser covarde. Estou dizendo, em parte, que a pessoa que se interessa com sinceridade e não tem a capacidade de se arriscar precisa se definir, tanto para si mesma como para as outras, como covarde.” (MacIntyre, Depois da Virtude. P. 323-324)
Traduzindo em miúdos, a coragem se relaciona com a veracidade da nossa intenção. Do quanto estamos dispostos a pagar para que nossas relações sejam verdadeiras e sinceras.
Eu posso escolher quem vai me machucar e quem não vai e se me machucar tenho que buscar a sabedoria para saber se a pessoa o faz por querer, afinal de contas a rosa tem espinhos e se não sei lidar com ela ou se me apresso, eu me espeto!

A verdade é que tem pessoas na quais eu daria o mergulho profundo, “o salto no escuro da piscina” como canta Humberto Gessinger em Piano bar. Algumas pessoas merecem a minha coragem e a minha sinceridade, outras simplesmente optam pela covardia não dita. E você o que quer para si mesmo? O que você tem feito pela rosa que floresceu no seu mundo? Já a notou?
Lembre-se “o caminho só existe quando você passa”...
  

sábado, 10 de maio de 2014

Amor sui ( amor de si)


"Assim, a solidão não é rejeição do outro, ao contrário: aceitar o outro é aceita-lo como outro (e não como apêndice, um instrumento ou um objeto de si! ) , e é nisso que o amor, em sua verdade, é solidão. Rilke encontrou as palavras necessárias para dizer esse amor de que necessitamos, e de que somos tão raramente capazes: 'duas solidões que se protegem, que se completam, que se limitam e que se inclinam uma diante da outra...' Essa beleza soa verdadeira. O amor não é o contrário da solidão: é a solidão compartilhada, habitada, iluminada -e, às vezes, ensombrecida - pela solidão do outro. O amor é solidão, sempre; não que toda solidão seja amante, longe disso, mas porque todo amor é solitário. Ninguém pode amar em nosso lugar, nem em nós, nem como nós. Esse deserto, em torno de si ou do objeto amado, é o próprio amor." (Comte-Sponville, André. Amor a solidão. p. 30-31).

"Quantos fogem da solidão, ao contrário, e são incapazes de um verdadeiro encontro? Quem não sabe viver consigo, como saberia viver com outrem? Quem não sabe morar com sua própria solidão, como saberia atravessar a dos outros? Narciso tem horror da solidão, e isso é fácil de compreender: a solidão o deixa face a face com o seu nada, em que ele se afoga. O sábio, ao contrário, fez desse nada seu reino, onde ele se perde e se salva: não há ego, não há egoísmo! O que resta? O mundo, o amor: tudo. " ( Comte-Sponville, André. Amor a solidão. p. 33)

Na leitura de Amor a solidão, me deparei com essa definição certamente para muitos estranha do amor como solidão. Ela de certo me fez pensar bastante nas duas extremidades da relação, para fazer uma paráfrase a obra de Martin Buber, “Eu e Tu”. E agora motivado por um desafio de falar de uma cura que seja mais autônoma e que não esteja mirada na figura do outro me sinto inclinado a comentar estas passagens de Amor a solidão partindo primeiro da conclusão de que: “ a solidão não é rejeição do outro” mas é a confirmação de que o outro não integra a minha subjetividade, não faz parte do meu eu.

E depois refletirei sobre o cultivo da solidão como um amor sui, isto é, como um amor de si, pensando principalmente na concepção própria das filosofias helenísticas do final da antiguidade de terapia, ou cura sui, do cuidado de si. E assim creio, apresentarei em prosa o que ainda não consigo apresentar em verso, isto é, o lado positivo da solidão enquanto cuidado de si e amor de si e cura para o enfrentamento dos combates diuturnos da existência.

Já havia tratado a solidão como alteridade absoluta e desconexão com o mundo aqui Pain VI neste texto apresentei a solidão como a experiência radical de alteridade em relação ao outro, que traz consigo um sofrimento terrível. Agora, pretendo fazer o caminho inverso e falar do cultivo da solidão como cura sui, como cuidado de si aquilo que Sêneca entendia como vida retirada como forma de combater as aflições do espírito e que impede o homem de odiar a sua própria espécie (misantropia).  Os estóicos são filantropos por excelência e condenam a misantropia.

Por um lado, a solidão é essa estranheza, imposta pela ausência do outro e desconexão com o mundo, como eu havia exposto no texto Pain VI.  De outro modo, a solidão é também convívio consigo mesmo, esse retirar-se da vida corrida e muitas vezes superficial do dia-a-dia para cultivar a relação consigo mesmo.  A vida cotidiana na maioria das vezes é barulhenta em sua agitação e, tal agitação impede ou mesmo atrapalha a relação que deveríamos desenvolver conosco mesmo.
A vida retirada é justamente o cultivo da solidão para cultivar a relação consigo mesmo, a coisa mais fascinante na solidão cultivada é aprender a ouvir o silêncio que habita em nós.

Claro que nem sempre o silêncio nos elogia, nem sempre nos mostra um mundo de cores, mas se na relação com os outros somos passíveis de passar por estas experiências, porque não passá-las conosco mesmo?
Quem não é capaz de olhar dentro de si sem repulsa não é capaz de suportar o outro. Suportar não é o mesmo que tolerar, suportar é ser capaz de aguentar o outro, é ajudá-lo com suas misérias, porque todos nós possuímos misérias, mas também podemos possuir grandes virtudes e se só atentamos para nossas virtudes sem olhar nossas misérias, estamos fugindo do que somos, se olhamos apenas para as virtudes dos outros e não se permitirmos perceber as suas misérias estamos criando uma realidade fragmentada do outro.
Por isso, Sponville está certo quando diz que o amor é solidão, porque a solidão é o exercício da amizade consigo mesmo, ou melhor, a solidão é o convívio amoroso que podemos ter conosco mesmo, todo o amor, o verdadeiro amor, se funda no convívio despojado das ilusões que eventualmente criamos de nós mesmos e porque não dos outros.

O silêncio é o lugar do encontro consigo mesmo, onde somos desnudados de nossas fantasias e somos postos diante dos nossos medos, das nossas angustias e dos nossos defeitos. É por isso, que muitas pessoas fogem da solidão, se dispersam de si mesmo em uma busca desenfreada por atenção, por prazer e toda e qualquer forma de diversão, a diversão é esse afastamento de nós mesmos que não permite que vejamos quem somos.

Os místicos conhecem bem o cultivo da solidão através da experiência da oração no silêncio da meditação nos recônditos da cela do convento. E graças a essa oportunidade encontram nas suas misérias a força para exercitar o amor pelo outro e cultivar o amor pela vida.

Esse nada que é nudez da alma é o reino do sábio como bem falou Sponville, onde ele se encontra consigo mesmo, já que na correria da vida agitada da cidade os homens se perdem nas vaidades e nas ilusões que nos afastam da verdade e nos inclina a superficialidade das relações forma pior do isolamento, pois não mergulhamos no mistério do outro e nem no mistério de nós mesmos.

domingo, 30 de março de 2014

Esperança

Você sempre diz que é tarde demais, sempre acha que já não dá mais...
Tenha esperança, acredite que sempre haverá uma nova chance, uma nova oportunidade. Lute pelo que você acha que é certo, não deixe quem você ama na escuridão.
Lute contra as trevas que habita o coração solitário, leve a esperança ao que caiu no mar do desespero.
Não é tarde demais, pode ser agora, pode ser às três da manhã, não importa, se o seu coração está aberto para acolher qualquer hora é hora!
Tenha esperança, leve-a consigo, seja você mesma a esperança para quem a perdeu!

Se é tarde, que a esperança seja como a beleza do pôr do sol que sempre nos lembra que ele nascerá de novo mais uma vez!
Se o tempo parece ter findado, vire a ampulheta do destino e recomece de onde parece ter terminado.
Só é tarde para os covardes, o tempo só não basta para quem já morreu.
Com a esperança levamos vida a quem se sente sem esperança  entre os mortos.
Com a benevolência resgatamos os homens de suas misérias.
Enfrentando o destino redescobrimos a esperança.


domingo, 16 de março de 2014

O Olhar e o sorriso


Vi o teu olhar e me encantei
Na profundeza de seus olhos eu me perdi
Olhos tão belos quanto o céu estrelado
Olhar misterioso que desamarra o desejo.

Vi o teu sorriso e me alegrei
Tua boca desenhada por mãos divinas
Teus lábios com textura de pêssego.
Sorriso amoroso que suscita felicidade.

Entre o teu olhar e o teu sorriso confuso fiquei
Mergulhado nos mistérios que a tua alma oculta nos teus olhos
Atordoado pelo brilho luminoso do teu sorriso.

Seus olhos tem a beleza da poesia lírica
Seu sorriso o doce sabor da ambrósia
Esses olhos que param o tempo para mim quando os contemplo
Esse sorriso que me faz esquecer tudo o que me cerca.

Sempre que vejo seu olhar me deixo ser seu prisioneiro
Escravo por escolha dos teus mistérios
Sempre que vejo seu sorriso sou agraciado
Pois na beleza dos teus lábios me foi dado a alegria de presente.

Nos teus olhos vejo o brilho do que é invisível a todos
E no teu sorriso vejo o beijo da luz do sol amando a terra todas as manhãs.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias de Janeiro


 
Engraçado como as lembranças afluem pela minha mente a fora nesta época do ano.
Não por ser Janeiro, mês que os antigos romanos consagraram ao deus Janus responsável pela renovação dos ciclos.
Não!  As minhas lembranças não afluem porque desejo renovar os ciclos da minha vida como se suplicasse ao deus que me ajudasse a ser melhor.
Na verdade, em alguns períodos específicos fico tomado pela nostalgia. Em dezembro e janeiro o cheiro e o barulho da chuva, o céu nublado, as frutas da época, tudo me lembra minha chegada ao bairro planalto em mil novecentos e noventa em dois.
Me mudei é verdade em janeiro, chegando ao altiplano  bairro na manhã do dia onze do ano citado, não chovia aquele dia e tudo era novidade, eu tinha apenas oito anos quando me mudei do bairro eldorado em Contagem para o Planalto em Belo Horizonte.
Naquela época minha rua tinha poucas casas e poucos vizinhos, mas os poucos sempre foram preciosos e quando se tornaram muitos foi como se os poucos amigos rendessem, não tenho caderneta de poupança de amigos, mas se tivesse diria que o aumento é fruto do investimento e do saber cultivar o pouco que me foi confiado.
Como eu dizia o cheiro da chuva, o céu nublado me enche de lembranças especiais da infância. Memórias que me acompanham desde mil novecentos e noventa e dois, não que os anos anteriores não tenham me deixado lembranças boas, mas é que estas lembranças me foram marcantes, porque eu tinha um enorme quintal com goiabeira, mangueira, abacateiro e um mundo de árvores frondosas e uma escada enorme. Para uma criança que passou a primeira infância em um apartamento no Serra Verde e três anos morando em uma casa espaçosa, mas que não tinha árvore alguma e um quintal não tão grande e sem contar que não morava em casa própria tudo aquilo era novo e enchia-me os olhos. Até as lagartas que caiam das árvores aos montes, eram meio que minhas primeiras mascotes na casa nova me causavam admiração, e naquela época não conhecia o tauma aristotélico se quer sabia o que era filosofia, a única filosofia que praticava era brincar e contemplar a chuva que caia.
Ah, a chuva! Chuva de Janeiro digna do velho Janus, chuva que vem pra renovar a vida e refrescar o calor, um brinde ao sol! E um brinde à chuva! Que me proporcionou tantas vezes brincar na enxurrada e fazer barragens com os meus amigos!
Não é só Janeiro, Dezembro e também junho-julho e setembro-outubro trazem boas lembranças, afinal é difícil não pensar no natal da época de quando meu avô Chico era vivo, ou das primaveras na piscina seja na casa do Daniel, alcunhado ruivo ou do Diogo, Outubro e as semanas da criança. Os aniversários, ah! Os aniversários como esquecê-los!
O cheiro da chuva repito, o céu nublado, o aroma da goiaba e da manga, jabuticabas, papagaios, kinder ovos a cinqüenta centavos e depois a hum real... fandangos, super Mário, Sonic, Street fighter ah! Como posso ter tantas lembranças despertadas por cheiros e sensações que só estão vivas na minha mente!
Parece que foi ontem que me mudei para o planalto, parece que ainda tenho meus oito, talvez dez ou quem sabe doze anos. Parece que eu não cresci, que o tempo não passou, que eu ainda vou a escola e quando as férias chegam sinto o cheiro da água da chuva tocando o solo quente só para me trazer a nostalgia dos longínquos vinte e um anos de morada eclipsada por um pequeno interstício de quatro anos, mas que pareceram dez e que me fizeram ainda mais perceber que o cheiro da chuva e o cinza que tinge o céu do planalto são partes integrantes da minha história, ainda que não seja a mesma chuva e o mesmo cinza, os mesmos ventos e talvez os mesmos amigos, o que importa é  que é o mesmo  bairro, mesmo que não seja a mesma casa. Importa que sejam as mesmas lembranças ainda que eu não possa revivê-las, não mais que no meu íntimo.


Brener Alexandre Gonçalves, 15/01/2013

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pequeno tratado sobre a amizade

A amizade é um dos grandes temas abordados pela filosofia clássica. E por que a amizade tem tamanha relevância para a filosofia? Porque ainda que a sociedade tenha se tornado por demais complexa é a amizade que expressa a concórdia entre as pessoas reunidas por um ideal. Eu sou inclinado a aceitar análise que Aristóteles faz da amizade na Ética a Nicômaco, que me parece ser muito acertada. De fato, o Estagirita entende que a amizade pode ser classificada em três tipos do qual apenas um é de fato amizade configurando assim um clássico problema de homonímia com a palavra amizade no uso cotidiano do termo. Com efeito, falar da amizade com um olhar filosófico implica repensar a ética das virtudes ou melhor significa falar das virtudes e entender a amizade como uma afeição sadia que se relaciona com as virtudes. Entendo por amizade como já manifestei de modo impreciso uma disposição afetiva entre dois seres humanos. Esta disposição afetiva envolve uma inclinação ao cuidado e o desejo de convivência entre as partes envolvidas. Por cuidado quero dizer o desejo e a satisfação de ver o outro bem, alcançando o sucesso em suas realizações pessoais e morais. E o desejo de convivência é uma conseqüência inerente à inclinação ao cuidado, uma vez que cuidar implica se envolver e se relacionar. Então para falar de amizade penso que o melhor a fazer é começar pelo cuidado como demonstração de interesse e afeto genuíno pelo outro. O cuidado é uma marca que exprime a amizade e esta é uma expressão do amor que sentimos por um semelhante e isto se torna mais claro quando percebemos que amicitia (amizade em latim) tem a raiz de amor indicando a natureza afetiva da relação. Em grego a palavra philía também expressa a disposição afetiva necessária para a consumação dos laços amizade, pois o verbo philéo também expressa a natureza do amor. É neste sentido que entendemos o cuidado como uma atenção e um interesse pelo outro em si. O que é muito diferente de uma relação interesseira, na qual se deseja extrair algo de útil que o outro tem a oferecer. Existem dois tipos de amizade interessada sendo que uma delas se subdivide em outras duas formas. A primeira é aquela que considero mais legítima e mais condizente com o que expressa a palavra amizade, pois o interesse não visa um finalidade externa à própria amizade, mas extrai da amizade os benefícios da convivência e parte de uma relação afetuosa sincera. Nas outras duas formas o interesse é externo à própria amizade tornando-a imperfeita. A duas formas imperfeitas a que me refiro são a amizade pelo interesse, na qual esperamos receber algo em troca pela associação amistosa e a amizade cujo único fim seja adquirir o prazer. Indivíduos que se relacionam esperando receber ou trocar favores rompem seus laços de amizade tão logo conseguem o que desejam, exceto nos casos em que o afeto e o interesse extrapole os favores trocados. Já o individuo que se relaciona em busca de prazer, este é incapaz de se envolver verdadeiramente com o outro, pois o que realmente lhe interessa não é o bem estar do outro, mas apenas o prazer que dele pode extrair, portanto dificilmente se preocupará com os problemas e adversidades que este amigo pode vir a ter na vida e muito provavelmente não será capaz de lhe prestar socorro quando precisar. Por outro lado, a amizade verdadeira e legitima consegue realizar na economia global da relação partindo do cuidado e do carinho o interesse pelo que o outro é como seu semelhante valorizando sua humanidade. É capaz de trocar favores sem resumir sua relação aos desejos que lhe convém e obtém o prazer sem negligenciar o bem estar do seu companheiro. Fica claro portanto que a amizade perfeita implica a excelência moral que aperfeiçoa nossa humanidade e que através da amizade nos torna auto-suficientes.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De Amicitia ( sobre a amizade)

Se você não suporta as minhas lágrimas,
não precisa estar ao meu lado quando eu gentilmente oferecer um sorriso.
Dipenso a companhia dos excessivamente felizes, hipócritas!
as lágrimas e a dor também fazem parte da convivência.

Não te afaste do daquele que sofre, se não o suportas na tristeza, fique só, pois não é justo que compartilhe com ele de suas alegrias.
amizade é uma forma de equidade entre os homens.
equidade é uma forma de harmonia, se a balança pende para um lado apenas não existe amizade, nem harmonia, nem equidade.

Amizade é como um pêndulo e como um pêndulo não pode se mover para um lado apenas.