sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Fome de memórias

Tenho fome de memórias.
E todas as histórias,
Tal como todas as estórias.
Que alimentam tantas almas.

Tenho sede do passado.
Que escorre do marasmo.
Quase sempre deixado de lado,
Por séculos a fio.

Tenho fome de lembranças.
Com todas as suas esperanças.
Um caminho de nostalgia sem fim.

Faminto de sorrisos.
Sedento do teu riso.
Memórias saborosas.
De dias que estão por vir.

E quando a fome acaba,
O vazio me destroça,
Quando a sede vai embora,
A solidão me acompanha.


Brener Alexandre 25/12/2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Alma Estreita


Ah, essas pessoas de alma estreita que não aceitam a opinião alheia.
Esses pobres de espírito no pior sentido sempre com o orgulho ferido.
Alma pequena, fraca e tomada pela covardia.

Ah, essas pessoas de alma estreita que não ouvem a opinião alheia.
Esses miseráveis, carentes de realidade.
Alma pequena embriagada e agressiva sempre ressentida.

Ah, essas pessoas de alma estreita incapazes de conviver com as escolhas alheia.
Essa gente maniqueísta que só conhece dois pólos e duas medidas.
Essas almas covardes projetam nos outros sua própria covardia.

Ah, essas pessoas de alma estreita...
Ó, pobreza de espírito...
Ó covardia travestida de coragem...
Em tua estreiteza não és mais que simples embalagem.
Vazia, estéril, uma ilha.

Ah, essas pessoas de alma estreita que tristeza.
Essa gente que não reconhece a fonte de sua fraqueza.
Essas almas massacradas pela realidade.
Almas destituídas de suas verdades.
Almas que não podem ser percorridas.
Almas que não podem ser preenchidas.
Ainda que estejam vazias.

Ah, essas almas estreitas sempre tão cheias de vazio,

Que é impossível para elas alargar o espírito.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ausência

Sinto a sua falta todos os dias.
Mas, você insiste em não me escutar.
Quando chamo o teu nome na noite escura.
Quando te grito na amargura.

Sua ausência é presença constante.
Um ciclo, memória redundante.
Eufemismo jactante,
Que me leva a chorar.

Sinto sua falta em cada rua que passo.
Seguindo o compasso,
que me levava a te amar.

Tua ausência em forma de silêncio.
Tua presença travestida de desprezo.
Tua falta manifestação do meu desejo.

Sinto a sua falta de tempos em tempos.
Porém, você insiste em ficar em silêncio.
Quando te chamo noite adentro.
Quando entoo o meu lamento.


Tua ausência é lacuna na alma.
É vazio que dá frio na espinha.
É silêncio que incrimina.
É escuridão que cega.

Tua falta é incerteza.
É anarquia destrutiva.
É frieza corrosiva.
Solidão gelada.

Tua ausência sentida,
Tua falta indesejada.
Solidão é minha sina.
Minha alma foi condenada.

Lava minh’alma elegia,
Liberta o meu coração.
Remove do meu espírito a tristeza
E recolhe o que sobrou do meu coração.


Brener Alexandre 15/12/2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Memórias de Dezembro

Engraçado como o mês de dezembro é estranho, não é? Parece que tudo muda durante trinta e um dias. As cores do pisca, árvores natalinas e o céu nublado me trazem muitas lembranças, maioria muito agradáveis. São lembranças de um tempo que não voltará mais. De um tempo esquecido e relembrado apenas nos palácios da memória para parafrasear Santo Agostinho.

Muitas vidas revividas quase que de uma só vez em vários momentos sinestésicos. Entre aromas do passado e sentimentos do presente uma lacuna no tempo que se explica pela sua atemporalidade que é outra forma de falar da eternidade.
Lembranças de risadas e ensaios, novenas e festas que agora são apenas lembranças fotografias amareladas impressas na memória, penduradas na parede do grande salão que torna atemporal os momentos efêmeros dissolvidos na ampulheta do destino dos mortais.

O fim das aulas é o núncio das festas, o arauto da alegria ainda que entre as férias e o fim das provas estivesse um boletim que assumia o papel de passaporte e salvo conduto da consciência dos que queriam terminar o ano com a sensação de dever cumprido. Ainda sinto o cheiro da chuva a molhar a terra do quintal da minha antiga morada, ainda vejo a jaboticabeira carregada e a mangueira florida. Quantas vezes não me sentei na goiabeira tomando do seus frutos como verdadeira ambrosia, alimento reservado aos deuses, eu um mortal criava como Prometeu de uma simples goiabeira o doce alimento divino, alimentava o corpo e o espírito alimentava a criatividade para os jogos com meus amigos.

Ah, a melhor parte do mês de dezembro era estar com os amigos, poucos, mas valiosos, o tempo efêmero se tornava eterno quando estávamos juntos. Cada jogo, cada brincadeira, cada momento parecia que não ia terminar. Não havia sensação de perda, ou de frustração, tudo era gratificante, sinto falta desse tempo, sinto saudade daquela época.
Naquele tempo a vida parecia uma vinheta da Cartoon network no melhor estilo que as vinhetas dos anos 90 desse canal poderiam oferecer a uma criança de 10 anos à época.

O mês de dezembro com suas cores e clima, com suas pelejas e sinas carrega traços marcantes de um tempo que não volta, do tempo que não para. Olho a árvore enfeitada na sala e me pergunto quantos natais ainda verei? Penso e medito um pouco sobre o passado, sobre o que fui e o que se perdeu pelo caminho entre tantas lacunas no espaço-tempo. Partes de mim foram deixadas para trás, o menino se tornou um adulto, o adulto tem ainda algum traço do menino?
Me sinto perdido diante das memórias, queria morar nelas se pudesse para sempre. Me encontro nelas mais do que gostaria. “Ah, vida real! Como é que eu troco de canal?” canta o poeta gaúcho. No mês da sinestesia, da lembrança dos cheiros, e das imagens imortalizadas na mente, eu também quero por alguns momentos trocar de canal, para o canal do pretérito perfeito ou mais que perfeito dos anos dourados em que o tempo passava, mas parecia não ter fim.

E para quem não se lembra das vinhetas deixo aí uma cortesia extraída do youtube, não tem todas as vinhetas antigas, mas tem a maioria delas. aproveitem!

Brener Alexandre 09/12/2015