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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Memórias de Dezembro

Engraçado como o mês de dezembro é estranho, não é? Parece que tudo muda durante trinta e um dias. As cores do pisca, árvores natalinas e o céu nublado me trazem muitas lembranças, maioria muito agradáveis. São lembranças de um tempo que não voltará mais. De um tempo esquecido e relembrado apenas nos palácios da memória para parafrasear Santo Agostinho.

Muitas vidas revividas quase que de uma só vez em vários momentos sinestésicos. Entre aromas do passado e sentimentos do presente uma lacuna no tempo que se explica pela sua atemporalidade que é outra forma de falar da eternidade.
Lembranças de risadas e ensaios, novenas e festas que agora são apenas lembranças fotografias amareladas impressas na memória, penduradas na parede do grande salão que torna atemporal os momentos efêmeros dissolvidos na ampulheta do destino dos mortais.

O fim das aulas é o núncio das festas, o arauto da alegria ainda que entre as férias e o fim das provas estivesse um boletim que assumia o papel de passaporte e salvo conduto da consciência dos que queriam terminar o ano com a sensação de dever cumprido. Ainda sinto o cheiro da chuva a molhar a terra do quintal da minha antiga morada, ainda vejo a jaboticabeira carregada e a mangueira florida. Quantas vezes não me sentei na goiabeira tomando do seus frutos como verdadeira ambrosia, alimento reservado aos deuses, eu um mortal criava como Prometeu de uma simples goiabeira o doce alimento divino, alimentava o corpo e o espírito alimentava a criatividade para os jogos com meus amigos.

Ah, a melhor parte do mês de dezembro era estar com os amigos, poucos, mas valiosos, o tempo efêmero se tornava eterno quando estávamos juntos. Cada jogo, cada brincadeira, cada momento parecia que não ia terminar. Não havia sensação de perda, ou de frustração, tudo era gratificante, sinto falta desse tempo, sinto saudade daquela época.
Naquele tempo a vida parecia uma vinheta da Cartoon network no melhor estilo que as vinhetas dos anos 90 desse canal poderiam oferecer a uma criança de 10 anos à época.

O mês de dezembro com suas cores e clima, com suas pelejas e sinas carrega traços marcantes de um tempo que não volta, do tempo que não para. Olho a árvore enfeitada na sala e me pergunto quantos natais ainda verei? Penso e medito um pouco sobre o passado, sobre o que fui e o que se perdeu pelo caminho entre tantas lacunas no espaço-tempo. Partes de mim foram deixadas para trás, o menino se tornou um adulto, o adulto tem ainda algum traço do menino?
Me sinto perdido diante das memórias, queria morar nelas se pudesse para sempre. Me encontro nelas mais do que gostaria. “Ah, vida real! Como é que eu troco de canal?” canta o poeta gaúcho. No mês da sinestesia, da lembrança dos cheiros, e das imagens imortalizadas na mente, eu também quero por alguns momentos trocar de canal, para o canal do pretérito perfeito ou mais que perfeito dos anos dourados em que o tempo passava, mas parecia não ter fim.

E para quem não se lembra das vinhetas deixo aí uma cortesia extraída do youtube, não tem todas as vinhetas antigas, mas tem a maioria delas. aproveitem!

Brener Alexandre 09/12/2015

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Equidistantes

Éramos iguais, porém separados como dois pontos da extremidade de uma reta. Éramos semelhantes, mas de gênero e número diferentes como se fôssemos de espécies diferentes.
Cada palavra tua me toca e me beija como a brisa das quatro horas da tarde, quando tu falas vejo teus olhos me contemplando e a tua mão segurando a minha com ternura. O tempo para por um instante, ele também quer te ouvir.

Éramos iguais de um ponto de vista diferente de uma visão a partir de lugar nenhum. Somos equidistantes e de algum modo a química e a física nos impele um ao outro como uma cadeia atômica em movimento.

Distantes pelo espaço, mas próximos em espírito e se encontros existem é na alma que se dão os verdadeiros encontros. Nunca te olhei no fundo dos olhos para saber que você é verdadeira em tudo até nas mentiras e até nos pequenos jogos e brincadeiras.
Nunca te olhei nos olhos porque nunca estive ao teu lado, não somos como retas paralelas, somos extremos de uma linha contínua que não tem começo e nem fim, pois somos fim-começo um para com o outro.

Nosso ponto de partida é o nada! O nada pensar, o nada fazer é um ócio que culmina na vontade de ser destino de ser enviado para algum lugar entre o vazio e o infinito. Somos equidistantes antípodas secretas que só quem vê de fora percebe porque quem está vendo não vê a simetria dos corações, mas crê que tudo é assimétrico, que tudo é desmedido.

Uma distância interposta sim, por nós mesmos e pelo destino uma equidistância alcançável apenas pela força da vontade pelo querer-desejo de um encontro possível na alma e para alma.

Somos equidistantes, iguais, porém antípodas. Somos antípodas, iguais, porém diferentes, mas uma diferença que se identifica e se reconhece um no outro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Maratona

Foi em 490 a.C. que um certo “Fidípides, cidadão ateniense e além disso corredor de longas distâncias e aficionado dessa espécie de atletismo” (Heródoto, História VI, 105) correu a mando de seu general 42 km depois de um dia inteiro de batalha até a sua cidade natal para anunciar “Alegrai-vos atenienses, vencemos” e depois tombou diante de seus concidadãos tomado pelo cansaço.
Imaginem comigo esse jovem soldado exausto cônscio de sua missão de contar e avisar aos seus concidadãos correndo sem parar e sem titubear para cumprir seu objetivo. Imaginem esse jovem já tão próximo de Atenas dizendo para si mesmo – “ só mais um pouco” e “aguente firme estou quase chegando” como que exortando a si mesmo para cumprir a missão incumbida.
E imagine como o grito “nenikekamen!”(vencemos) soou como um brado e ao mesmo tempo um último suspiro, posto que cumprida a missão o jovem corredor, Fidípides de Atenas tombou, morto vítima do esforço sobre humano à que fora submetido.
Muitos anos depois a história parece se repetir nos gramados de Minas gerais E como Fidípides correu depois de uma vitória importante conquistando aquela vitória memorável para os gregos hoje nossos jogadores também depois de uma vitória que lhes rendeu o tetra campeonato precisaram correr mais uma vez à pedido de seu comandante. Não, não é comunicar a vitória de Maratona, mas vencer mais uma batalha ainda que exaustos, correr mais uma vez ainda que o coração possa não aguentar e vencer.
Essa noite cada jogador é Fidípides correndo contra o desgaste físico de uma maratona de jogos fruto de um calendário que desafia a humanidade de nossos atletas. Cada jogador é convocado a correr contra o tempo e contra a exaustão, provavelmente dirão a si mesmos – “Falta pouco” e “ vamos resistir” ou “não vamos nos entregar agora”.
Depois do jogo dessa noite sabemos que um dos dois será o campeão da copa do Brasil digno de uma Guerra contra os Persas, ou quiçá, uma guerra do Peloponeso.
Sabemos que os dois lados podem cair exaustos, mas espero que seja o Cruzeiro esporte clube que ao tombar exausto, tombe coroado por mais uma tríplice coroa e leve para a sua sala de troféus mais uma Copa do Brasil.
Boa sorte a todos que fazem do Cruzeiro ser o melhor time do Brasil, jogadores, comissão técnica etc.
Falta pouco, não vamos esmorecer! Cantaremos e estaremos com vocês até o final na vitória ou na derrota.
#FechadoComOCruzeiro
#EuMaisOnze
#CantaqueSaiGol


Brener Alexandre 26/11/2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tarde de Novembro

Foi numa tarde de novembro que me assentei naquele banco no pátio da escola, já não me lembro em que dia da semana apenas me lembro que foi numa aula de educação física. Era uma tarde como essa quente e ensolarada como se espera do zênite da primavera. Devia ser por volta das quatro da tarde. A tarde caia para dar lugar pouco a pouco à noite. Uma tarde melancólica e um aluno melancólico juntos a iniciar uma história nova.

Um jovem, uma criança que era muito bela, mas não se via como tal, pois crescera ouvindo o contrário de todos. Estava mais para patinho feio que para sapo que vira príncipe. Mas certamente não era cônscio do que era de fato. Naquela época tinha poucos amigos e crê que ainda hoje têm poucos, talvez porque a amizade sendo como um diamante seja difícil de encontrar e tal como o ouro se encontrado com facilidade perde o seu valor. No entanto, era só principalmente durante todo o horário em que passava na escola, tinha lá seus colegas-amigos, mas se sentia muito sozinho, não se identificava com a aquela gente e ao que parece àquelas pessoas também não se identificavam com ele e, portanto, não havia reconhecimento e não havia amizade real.

Foi naquela tarde silenciosa perto do ocaso do sol que aquela criança imatura, sozinha e triste se assentou num banco tomou um caderno de sua mochila e uma caneta e se pôs a escrever. Abriu-se ali uma porta para a sua interioridade, a criança, é claro, não sabia a dimensão do que fazia naquele momento, não possuía sabedoria para tal e muito menos tinha uma aproximação íntima com a filosofia; é bem verdade que já havia lido contos fantásticos da Grécia e lia as histórias da bíblia com bastante devoção e tudo o que encontrava sobre a cultura oriental: budismo e confucionismo era motivo para sorrir.

O papel aceitou a tinta da caneta e com ela as idéias que o jovem transmitia ao papel contava para si mesmo como no diálogo consigo como se sentia diante do mundo, descobria pouco a pouco que era livre e que apesar das arraias da necessidade e do destino ele podia dizer não se fosse corajoso, e lutar se tivesse força de vontade para fazer prevalecer em si as escolhas que havia feito acreditando que o caminho a ser percorrido, embora difícil fosse era o melhor a ser feito, um caminho feito de pequenas pegadas palmilhadas devagar como o sol daquele dia ordinário de novembro.

Hoje aquela criança ainda esta por aí, trilhou a sua interioridade naquele tempo e agora cede espaço ao homem adulto que na medida do possível tenta evitar o colapso do seu mundo e não o evitando ao menos possa reconstruí-lo se possível for.
Foi numa tarde de novembro como essa que estou escrevendo esse relato que uma criança e um adulto se encontraram, eram a mesma pessoas em épocas diferentes e a criança descobriu que não estava mais sozinha e o adulto descobriu que no fundo bem lá no fundo o que importa nisso tudo é ver que o caminho palmilhado se desfaz e que as vezes olhar para trás só serve para nos atrasar ou como punição pelo receio do que há no horizonte que nos espera transformarmos em estátuas de sal, imóveis ante o futuro misterioso que nos aguarda.


Brener Alexandre 21/11/2014

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Despedida

Foi um dia longo que parecia não ter fim acompanhado do silêncio e da dúvida e do medo.
Aquele dia foi longo foi um dia sem igual incomparável em tudo principalmente no medo que tinha do seu silêncio.
Veio à noite, a escuridão iluminada pela palavra. Escuridão iluminada que me cegava.
Aquele dia eu me despedi de você. É verdade que você não estava morta que apenas seguíamos caminhos diferentes paralelos talvez.
Mas chorei como se você tivesse morrido em meus braços, chorei como um luto amargo.
Aquela despedida me atravessou como uma lança, senti como se fosse eu quem morria para ti.
Enterrado como um indigente como um anônimo largado por aí.

Aquela noite foi difícil passei-a sozinho acordado afogado em lágrimas acorrentado pela solidão.
Uma noite escura uma noite diferente... Uma noite de eclipse de luz de escuridão iluminada pela tristeza da minha alma.

Nunca imaginei que sofreria tanto ao me despedir! Nunca imaginei que choraria tanto por ter que partir.
Porque nunca estive tão convicto do que sentia e nunca estive tão convicto do que queria construir.
Minha partida foi também a sua, e como o brilho da Lua vai embora ocultado pela sombra da Terra você se foi naquela noite de outono.
Para você creio que tenha sido contrário a sua partida foi também a minha partida e para você deve ter sido como o nascer de belíssimo dia de verão, céu azul sem nuvens e um sol forte e quente.
Naquele dia realmente choveu e a tempestade caiu em minha alma também, meu mundo que já estava em colapso foi arruinado completamente destruído.
Jurei depois daquele dia que não ia cair, que não ia me deixar vencer, mas é uma luta difícil e desigual e sempre saio vencido.
Jurei que reconstruiria o meu mundo, mas não sei se consigo sozinho sem você.
Aquela despedida me matou e agora sou um morto vivo me arrastando por aí tentando me iludir no meio de uma escuridão que me cega com a sua luz.
A verdade é que aquela despedida me quebrou de um modo que não pode ser consertado, assim como um mundo depois do colapso.
Me despedi, chorei e parti e só me resta agora escuridão e um céu sem estrelas para contemplar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Entre vãos

São esses intervalos que consomem a minha alma, petrificam o meu espírito e drenam o meu prazer de viver. Nesses intervalos que a ausência se torna presente como a consciência manifesta de que a luz sempre projeta alguma sombra.
Nesses intervalos parece que a minha consciência se torna nítida, áspera, toca com profundidade a sombra projetada pela luz fixa-se nela e volta-se toda para a escuridão diante da claridade. Parece mesmo que vejo na luz a escuridão como se os meus olhos filtrassem no positivo o negativo, naquilo que é o que não é, como se não visse os pontos, mas apenas o intervalo.

Essa é a consciência da ausência, a experiência da privação e o princípio, a causa motriz da angustia, esse desejo frustrado de ver luz onde não há, de ver presença onde não há nada, onde há apenas vazio.
Parece que sou essencialmente intervalo, parece que sou pausa, silêncio, aquele mesmo tagarela que me assombra durante as noites de insônia.
Parece que sou a negatividade que emerge na positividade como o óleo que não se mistura com a água.

Esses intervalos, essas singularidades que parecem ser cheias de necessidades não passam de uma ilusão tão real que engana o mais lúcido.
Mas o que é ser lúcido? Senão está cheio de luz, iluminado, brilhante, reluzente!?
Ora, se a ilusão reside no intervalo e se é só ele que vejo em meio a luz, minha lucidez é trevas, escuridão e cegueira.

São esses intervalos que consomem a minha alma, são eles que me petrificam, tiram o sabor da vida. Nesses intervalos eu me apercebo e percebo que a ausência se torna presente, simulacro do desejo frustrado que chamamos de angustia, ansiedade derradeira que queima como um fogaréu.
Aqui e acolá o intervalo se manifesta como consciência de liberdade, essa consciência que cartesiana paira só ipso factum e vê nas causas incausadas um motriz para o sofrer.

Perdido na singularidade constato que somos mundos intangíveis sabotados pela concupiscência e pelo medo malogrando a nossa felicidade.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias de Janeiro


 
Engraçado como as lembranças afluem pela minha mente a fora nesta época do ano.
Não por ser Janeiro, mês que os antigos romanos consagraram ao deus Janus responsável pela renovação dos ciclos.
Não!  As minhas lembranças não afluem porque desejo renovar os ciclos da minha vida como se suplicasse ao deus que me ajudasse a ser melhor.
Na verdade, em alguns períodos específicos fico tomado pela nostalgia. Em dezembro e janeiro o cheiro e o barulho da chuva, o céu nublado, as frutas da época, tudo me lembra minha chegada ao bairro planalto em mil novecentos e noventa em dois.
Me mudei é verdade em janeiro, chegando ao altiplano  bairro na manhã do dia onze do ano citado, não chovia aquele dia e tudo era novidade, eu tinha apenas oito anos quando me mudei do bairro eldorado em Contagem para o Planalto em Belo Horizonte.
Naquela época minha rua tinha poucas casas e poucos vizinhos, mas os poucos sempre foram preciosos e quando se tornaram muitos foi como se os poucos amigos rendessem, não tenho caderneta de poupança de amigos, mas se tivesse diria que o aumento é fruto do investimento e do saber cultivar o pouco que me foi confiado.
Como eu dizia o cheiro da chuva, o céu nublado me enche de lembranças especiais da infância. Memórias que me acompanham desde mil novecentos e noventa e dois, não que os anos anteriores não tenham me deixado lembranças boas, mas é que estas lembranças me foram marcantes, porque eu tinha um enorme quintal com goiabeira, mangueira, abacateiro e um mundo de árvores frondosas e uma escada enorme. Para uma criança que passou a primeira infância em um apartamento no Serra Verde e três anos morando em uma casa espaçosa, mas que não tinha árvore alguma e um quintal não tão grande e sem contar que não morava em casa própria tudo aquilo era novo e enchia-me os olhos. Até as lagartas que caiam das árvores aos montes, eram meio que minhas primeiras mascotes na casa nova me causavam admiração, e naquela época não conhecia o tauma aristotélico se quer sabia o que era filosofia, a única filosofia que praticava era brincar e contemplar a chuva que caia.
Ah, a chuva! Chuva de Janeiro digna do velho Janus, chuva que vem pra renovar a vida e refrescar o calor, um brinde ao sol! E um brinde à chuva! Que me proporcionou tantas vezes brincar na enxurrada e fazer barragens com os meus amigos!
Não é só Janeiro, Dezembro e também junho-julho e setembro-outubro trazem boas lembranças, afinal é difícil não pensar no natal da época de quando meu avô Chico era vivo, ou das primaveras na piscina seja na casa do Daniel, alcunhado ruivo ou do Diogo, Outubro e as semanas da criança. Os aniversários, ah! Os aniversários como esquecê-los!
O cheiro da chuva repito, o céu nublado, o aroma da goiaba e da manga, jabuticabas, papagaios, kinder ovos a cinqüenta centavos e depois a hum real... fandangos, super Mário, Sonic, Street fighter ah! Como posso ter tantas lembranças despertadas por cheiros e sensações que só estão vivas na minha mente!
Parece que foi ontem que me mudei para o planalto, parece que ainda tenho meus oito, talvez dez ou quem sabe doze anos. Parece que eu não cresci, que o tempo não passou, que eu ainda vou a escola e quando as férias chegam sinto o cheiro da água da chuva tocando o solo quente só para me trazer a nostalgia dos longínquos vinte e um anos de morada eclipsada por um pequeno interstício de quatro anos, mas que pareceram dez e que me fizeram ainda mais perceber que o cheiro da chuva e o cinza que tinge o céu do planalto são partes integrantes da minha história, ainda que não seja a mesma chuva e o mesmo cinza, os mesmos ventos e talvez os mesmos amigos, o que importa é  que é o mesmo  bairro, mesmo que não seja a mesma casa. Importa que sejam as mesmas lembranças ainda que eu não possa revivê-las, não mais que no meu íntimo.


Brener Alexandre Gonçalves, 15/01/2013

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Goiabeira

O entardecer sobre a goiabeira nas férias de verão sempre marcarão a minha vida.
goiaba branca, vermelha e a conversa descontraída em cima da árvore depois de jogar bola ou de brincar na piscina.
Tudo isso já faz muito tempo, numa época em que eu ainda escondia o homem que eu me tornei hoje, quando ainda era menino, um homem-menino.
o sabor da goiaba é o sabor das férias, das tardes despreocupadas, a goiabeira que recebia as chuvas de verão aonde o meu balanço fez morada.
sinto mais saudades das conversas, porque despreocupadas refletiam um pouco da simplicidade da infância, da alegria da companhia do outro e a amizade sincera e desinteressada.
A goibeira deixou saudades tanto quanto deixou o gosto doce do fruto que ela me oferecia.
A goiabeira companheira querida levará consigo parte da minha história e eu levarei parte da história dela comigo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Yume

O novo ciclo já começou e com ele projetos e desejos que muitos tentaram realizar ao longo dos 365 dias que se seguem após do último dia do mês de Dezembro.
Por isso resolvi escrever algo sobre o sonho (yume é sonho em japonês).
O sonho geralmente é a metáfora do irreal, da ilusão, da ficção. E quando empregado com estes sentidos sempre tristes e negativos refletem em parte a insatisfação do homem com a realidade. No entanto o sonho também tem traços de esperança, porque o sonho reflete os anseios que todo ser humano possui em seu íntimo. o sonho é inerente a existência humana o desejo otimista de um mundo melhor, o anseio de felicidade. nada disso é artificial mesmo quando percebemos a imparcialidade cruel do mundo, ao contrário é esta imparcialidade que nos faz desejar, lutar e acreditar sobretudo que sonho pode ser real.
o sonho existe para ser sonhado, mas não substitui a realidade, ele o complementa.o sonho é o salto que todos necessitamos dar para ver o horizonte. o sonho é impulso necessário para que possamos percorrer a realidade árida a qual nos deparamos
sonhar é é buscar algo para além do que os olhos vêem porque o sonho não pode ser visto com os olhos, mas é visto com a alma.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Solidão

Clarice Linspector disse não sei onde: "Não tenho medo de chuvas tempestivas e nem de ventanias soltas, pois eu também sou o lado escuro da noite". Eu sou lado tenebroso da noite, onde luz alguma penetra, onde ninguém é capaz de enxergar.
Sou solidão, sou solitário e ninguém pode me acompanhar, por que sou incessante, e vou aonde quero.
sou liberdade, sou anseio, sou vontade, sou desejo, e vc não pode me possuir, mas eu te possuo por inteiro.
Sou errante, planeta gélido afastado do sol que alguns dizem que nem planeta é, mesmo sabendo que erro sem sentido.
Sou escuridão quase clara, sou clareza escura e embaçada não sou tua salvação, mas tua perdição eterna.
te quero e não posso te ter, te desejo e este me consome e me faz verter lágrimas de saudade por algo que nunca aconteceu.
eu sou vento te sinto e não me sentes, te beijo e vc não sabes que sou eu.

eu sou sem ser e ainda que viesse a ser seria contigente e desnecessário para vc por que haveria milhões de outros que poderiam estar no meu lugar.
não sou rosa no teu jardim, não sou pedra no seu caminho. eu sou apenas um acidente isolado na sua vida. e o meu ser é uma unidade é ímpar e por isso só, solus ipsum factus...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tragédia

É inútil ter certeza diante de certas coisas. A falta de certeza é um problema maior que o mau infinito do desejo.
A vida é uma peça trágica, um conto triste, uma elegia singela, onde a moral, a morada dos homens, não tem janelas, e os costumes não garantem o bom senso.

Tragédia é a corrida de Dionísios fugindo dos titãs, o bode de sacrifício, preço de uma humanidade decadente, da falta de humanidade, da falta de bom senso, deste grande bacanal, sujo, a imundícia de nossas vergonhas expostas pelo nosso descaramento diante do real! Quiçá Apolo e Atena e o grande Zeus não se irritem diante do animais que nos tornamos.

Sacrificando nossos filhos e servindo-os nos banquetes!
E amamos a embriaguez, por que temos de tê-la sempre. Saciando nossos desejos a nossa animalidade, violentando as ninfas nos rios e ignorando a voz dos arcontes.

Oh! Grande Dionísio cinzas do caos! Oh! grande Dionísios bode expiatório da nossa falsa humanidade, tem piedade dos mortais e daí-nos o vinho nosso de cada dia, daí-nos o vinho dos pequenos prazeres e que a luxuria não se faça só em nossa cama, mas em tudo que consumimos. Que a minha taça esteja cheia do sangue dos inocentes e que a falta de bom senso me entorpeça e me faça gozar da loucura e do prazer animalesco das noites escuras de minha alma.

Oh! senhor das festas que a imundícia minha de cada dia seja como o canto das bacantes tuas servas, que eu me perca em teus corpos nus cheios do prazer e do gozo! que a vida seja apenas mais uma representação, isto mesmo! uma representação! que seja falsa!! que seja mentira!! porque a verdade em sua sinceridade, engana mais que a mentira descarada.

E que o Olimpo não se enfureça com os mortais por isso, pois saber falar não é ter bom senso, saber escrever não é produzir ciência. e ser poeta não é saber amar.

Que o bode morra por nós mais uma vez e renasça nas coxas do grande Zeus! e que não nos esqueçamos de fazer um brinde a podridão de nossas almas vazias de ser e cheias de esvaziamento do pensar. É o que somos vazios e sem forma.
O que somos? Com efeito, somos atores prontos para morrer por um destino que ignoramos...