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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Memórias de Dezembro

Engraçado como o mês de dezembro é estranho, não é? Parece que tudo muda durante trinta e um dias. As cores do pisca, árvores natalinas e o céu nublado me trazem muitas lembranças, maioria muito agradáveis. São lembranças de um tempo que não voltará mais. De um tempo esquecido e relembrado apenas nos palácios da memória para parafrasear Santo Agostinho.

Muitas vidas revividas quase que de uma só vez em vários momentos sinestésicos. Entre aromas do passado e sentimentos do presente uma lacuna no tempo que se explica pela sua atemporalidade que é outra forma de falar da eternidade.
Lembranças de risadas e ensaios, novenas e festas que agora são apenas lembranças fotografias amareladas impressas na memória, penduradas na parede do grande salão que torna atemporal os momentos efêmeros dissolvidos na ampulheta do destino dos mortais.

O fim das aulas é o núncio das festas, o arauto da alegria ainda que entre as férias e o fim das provas estivesse um boletim que assumia o papel de passaporte e salvo conduto da consciência dos que queriam terminar o ano com a sensação de dever cumprido. Ainda sinto o cheiro da chuva a molhar a terra do quintal da minha antiga morada, ainda vejo a jaboticabeira carregada e a mangueira florida. Quantas vezes não me sentei na goiabeira tomando do seus frutos como verdadeira ambrosia, alimento reservado aos deuses, eu um mortal criava como Prometeu de uma simples goiabeira o doce alimento divino, alimentava o corpo e o espírito alimentava a criatividade para os jogos com meus amigos.

Ah, a melhor parte do mês de dezembro era estar com os amigos, poucos, mas valiosos, o tempo efêmero se tornava eterno quando estávamos juntos. Cada jogo, cada brincadeira, cada momento parecia que não ia terminar. Não havia sensação de perda, ou de frustração, tudo era gratificante, sinto falta desse tempo, sinto saudade daquela época.
Naquele tempo a vida parecia uma vinheta da Cartoon network no melhor estilo que as vinhetas dos anos 90 desse canal poderiam oferecer a uma criança de 10 anos à época.

O mês de dezembro com suas cores e clima, com suas pelejas e sinas carrega traços marcantes de um tempo que não volta, do tempo que não para. Olho a árvore enfeitada na sala e me pergunto quantos natais ainda verei? Penso e medito um pouco sobre o passado, sobre o que fui e o que se perdeu pelo caminho entre tantas lacunas no espaço-tempo. Partes de mim foram deixadas para trás, o menino se tornou um adulto, o adulto tem ainda algum traço do menino?
Me sinto perdido diante das memórias, queria morar nelas se pudesse para sempre. Me encontro nelas mais do que gostaria. “Ah, vida real! Como é que eu troco de canal?” canta o poeta gaúcho. No mês da sinestesia, da lembrança dos cheiros, e das imagens imortalizadas na mente, eu também quero por alguns momentos trocar de canal, para o canal do pretérito perfeito ou mais que perfeito dos anos dourados em que o tempo passava, mas parecia não ter fim.

E para quem não se lembra das vinhetas deixo aí uma cortesia extraída do youtube, não tem todas as vinhetas antigas, mas tem a maioria delas. aproveitem!

Brener Alexandre 09/12/2015

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

16 anos de "O lobo solitário"



Como havia dito semana passada, hoje dia 20 de Novembro "Kozure Okami Zeus project" (Projeto O lobo solitário Z) completa 16 anos. E eu não poderia deixar a data passar em branco, porque a criação dessa história é a criação de uma vida. O contexto e as razões que me levaram a começar a escrever essa história numa tarde de novembro em 1998 nos idos dos meus 14 anos como uma jornada pessoal em busca do que eu tinha de mais valioso e enfrentando todas as adversidades além de lutar contra os meus demônios internos é sem dúvida alguma um marco na vida de qualquer um.
Uma colega de escola da época da redação desse texto, uma das poucas pessoas que leram o caderno compilado e todo feito a mão (manuscrito, com desenhos feitos, arte-finalizados e coloridos por mim mesmo). me disse "Muito obrigado por conhecer a história do Lobo solitário e assim um pouco da sua história." Apesar desse projeto não ter sido escrito para publicação e para leitores que não fossem eu mesmo. É um texto que quem leu me pede para transformá-lo em livro. O que se vier a ser feito algum dia exigirá muitas modificações e adaptações. Por hora, agradeço aqueles que conheceram esse lado da minha vida e o acolheram, são poucos, mas são pessoas a quem sou muito grato.
Como disse, O lobo solitário é um registro, um diário em que as memórias contadas relatam a luta de um jovem contra si mesmo que precisa se unir a si e enfrentar a si para dar sentido e coerência ao seu mundo interior a partir de uma resposta livre. A história por mim escrita naquela época tem poucos traços diretos herdados da filosofia, porque naquela época eu tinha pouquíssimo contato com a ciência mãe, no entanto, a mitologia e as culturas pagãs pré cristãs e o próprio cristianismo são bastante operantes e dão consistência a minha modesta ficção particular.
O texto é muito simples e ao mesmo tempo muito sofisticado, afinal foi escrito por um garoto entre os 14 e 17 anos com muitas deficiências, mas que tinha um intuito se não nobre ao menos virtuoso.
Acima a última ilustração do caderno compilado. Se fosse um quadro se chamaria: " Final da batalha"
Da esquerda para direita: Mitsurugi Ryu, Lobo Solitário (Fúria), Ódio e Trovão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Capítulo das lembranças: Autossuficência

Certa vez uma pessoa me disse: “eu sei que você preza pela sua autossuficiência”. Traduzindo em miúdos ela estava me dizendo: “eu sei que você não gosta de depender de ninguém. Eu sei que você aprendeu a fazer tudo sozinho, a se virar.”
Lembrei-me desse momento essa semana depois de algumas coisas que aconteceram. Vivo dizendo para mim mesmo e para os amigos mais íntimos que a minha vida é cercada de ironias, parece está sempre a zombar de mim.
Essa lembrança, penso, é apenas mais uma forma da vida jogar na minha cara o quanto ela é perversa e por vezes injusta.

Sempre busquei a tal autossuficiência, talvez a perfeição mais doentia que um homem consciente de que é um ser de relação possa almejar. É um paradoxo que nós seres humanos sejamos perfeitos em nossa imperfeição, completos em nossa incompletude e que justamente o que nos faz ser autossuficientes é ser dependentes uns dos outros. Não, não trato a dependência aqui de uma forma tão vulgar, não é uma dependência que suga e muito menos uma relação utilitarista e ou pragmática na qual o outro só vale enquanto me serve para algo.
Não, quando falo da dependência que nós seres humanos temos em relação uns com os outros eu me refiro a algo similar ao quebra-cabeça. De fato, o quebra-cabeça só é verdadeiramente completo quando todas as peças estão conectadas soltas elas não formam uma imagem, não formam um conjunto, não formam nada.
De tal forma é o ser humano sozinho é homem e capaz de muitas coisas, mas as condições que lhe são próprias dentre elas a finitude o faz incompleto e não forma a imagem do todo que a humanidade pode representar.

Eu enfrento esse dilema quando penso a autossuficiência como um desejo meu, esse movimento sofrível que me faz permanecer desconectado do resto das pessoas. Não quero depender delas, em nada, em nenhum aspecto da minha vida. No entanto, me vejo sempre carente de algo, porque sou incompleto como os andróginos de Aristófanes.
Por isso, é que vejo algo de fascinante e ao mesmo tempo perturbador nesse paradoxo da humanidade, fascinante porque, se por um lado,  somos perfeitos em nossa imperfeição então aquilo que deveria ser considerado um defeito na verdade é uma virtude e, de outro lado, todo aquele que busca a autossuficiência compreendendo-a como isolamento está na verdade destruindo a sua humanidade. Não tenho a intenção aqui de pintar uma humanidade bonita, justa e admirável, mas imagino que o que se pode pensar aqui não é uma finalidade para o ser humano é antes uma constatação do nosso limite (finis).

Naquela época eu achava que estava correto em ser ou almejar a tal autossuficiencia, hoje vejo que eu era tão arrogante que me censuraria se tivesse a oportunidade.
Ainda busco a autossuficiência, mas seguindo um caminho mais modesto, um caminho no qual outros possam trilhar comigo, em que eu possa ter a certeza de que sempre claudicante eu posso tropeçar, mas que a minha liberdade está associada a mão estendida daqueles que vão comigo mirando o horizonte.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lucidez

Eu sei que já impressionei mais de uma pessoa com a minha lucidez.
A Lucidez é por certo uma espada de dois gumes, digo isso pelo simples fato de que por meio da lucidez me torno extremamente forte, às vezes não o suficiente para vencer, mas para parafrasear o personagem Rocky Balboa: “aguentar apanhar muito”. Uma força que me faz resistir, mas que me faz sofrer o suficiente para implorar pela morte.

De fato, se por um lado, resisto lúcido sabendo tudo o que me acontece, de outro lado, sofro duplamente seja pelo desespero de tentar resistir o quanto posso e resolver o problema, quanto, o de saber que no mais das vezes a dor, sintoma de um mal é o reflexo de uma doença, de uma ferida incurável já há bastante tempo.

Entretanto, sucumbo a dor, caio tentando resistir consciente, grito em meu interior de desespero, sinto-me abandonado, inquieto e inseguro. Mas caio com a consciência de que tentei me manter livre e de preservar a liberdade dos outros quando necessário.

A lucidez tão louvada é como disse um grande poeta da nossa música: “um holofote que cega mais que ilumina” e que, portanto, sua luz no mais das vezes nos faz mergulhar na mais profunda escuridão.
Tenho gritado de dor e sei que ninguém ouviu, entre pesadelos e memórias do passado que pensava já ter superado, mas que as ironias da minha vida insistem em trazer à tona como instrumento de tortura. Esta é a causa da minha doença e do meu sofrimento, as sequelas, feridas que se abrem.

Minhas noites escuras, noites escuras da alma em que tal como Jesus eu gritei: “Por que me abandonastes?” Achei que não viveria de novo esta experiência nada agradável do abandono.
Noites escuras, em que a minha lucidez nem sempre pode clarear com esperança, ainda que eu o quisesse... E aí me veio uma definição de fé. Fé é crer na esperança. No fim, juntei duas virtudes teologais, não porque ignore a caridade, mas ainda sou demasiado imperfeito para me sentir caridoso. Gosto do que Madre Teresa de Calcutá nos ensina sobre esta virtude teologal: “a caridade é amar até doer”. É verdade, quem ama sabe que o amor dói. Porque quem ama se doa inteiro e no se doar por inteiro é paciente, isto é, passível de receber tudo.

Agora vocês sabem que porque eu sofri muito eu fui capaz de amar mais ainda, mesmo sendo tão imperfeito tão miserável. Já há algum tempo que me sinto inepto para a vida cristã, todas essas provações e esse modo de amar tão peculiar que é bem verdade me ajudaram a ser um ser humano melhor (não tão melhor quanto deveria, mas melhor), também é causa de muita dor, dor para qual não há remédio. Como aqueles judeus depois de ouvir Jesus, tenho eu também vontade de partir porque suas palavras “são duras demais” (Jo 6,60) mas, “para onde irei? Só tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6,68).

E assim, como posso tenho tentado não sem fracasso fazer o melhor que posso para resistir e proteger a herança que me foi confiada e ser o melhor que posso, embora saiba que tenha desapontado a muitos pelas vezes que cai e demorei para me levantar.
Esta lucidez, única arma que possuo para combater, único remédio que disponho para lidar com todas essas dores, me mostrou que a dor não deve ser simplesmente julgada, porque quem a sente sente e dói. Ouvi não poucas vezes que outras pessoas tem “problemas maiores” que o meu. Isso é verdade, mas também é verdade que para quem tem uma cólica ou gastrite, ou ulcera, ou cefaleia, a dor não é a mesma, mas é dor.
Mas quem é capaz de medir a dor que tantos maus tratos do passado pode incutir na alma de um ser humano?
Como medir a agonia de um ser humano que emudece contra a sua vontade diante das pessoas que ele quer bem? Trêmulo, quase sem respirar, suas pernas enfraquecem, tem vertigens, tomado pela agonia de resistir e se comunicar sem sucesso.
A este só restava a reclusão, pois se sofre sozinho, o sofrimento é triplicado quando não pode comunicar o que sente a quem ama.

Lúcido, eu ás vezes desejei a anestesia para que tal dor não me acossasse, para que tanta tristeza não me fizesse chorar a noite e que o meu silêncio não fosse interpretado como ressentimento e ódio.
Muitas pessoas não sabem, mas é horrível ficar incomunicável, tomado pelo pânico e angustiado fazer o movimento hercúleo para a fuga.
Pesadelos e ataques de ansiedade tem se tornado rotina nas últimas semanas. Quase não sei o que é sorrir mais...

Uma das minhas maiores frustrações é ter a consciência da minha estafa que me impede de fazer o que mais amo, filosofar, impossibilitado de estudar e de dar continuidade aos meus projetos profissionais. O meu aniversário foi outra decepção.
O últimos dias tem sido difíceis, tenho recorrido ao meu padroeiro Santo Antônio, São João da Cruz e a florzinha do Carmelo (Santa Teresinha do menino Jesus e da sagrada face) que com suas experiências de fé e vida tem sido como que um complexo vitamínico para que eu possa resistir até o dia derradeiro. Ainda espero contar com o reforço de outra Santa do Carmelo, Santa Teresa de Jesus ou D’Avila para que eu possa aguentar apanhar muito ainda e quem sabe bater.

Que fique claro, que estou ciente das minhas fraquezas, ciente das minhas misérias, ciente de que feri quem amo na inteireza do meu ser e que desculpa nenhuma me torna digno de perdão. Mas que fique claro também o quanto tenho sofrido e que só agora um pouco anestesiado, posso por ironia falar da lucidez que me acompanha desde a muito tempo e que sempre foi a arma que me conduziu à vitória nestes combates apoiado pelo escudo da fé.
Tudo quanto escrevi recentemente são os meus gritos de dor, são as minhas lágrimas sem consolo, vindos de um homem que contemplou e contempla seus medos, que é perseguido pelo pânico mesmo que educado para a auto-suficiência, uma vez que, nunca teve a quem recorrer. O que de certa forma torna o meu mal ainda mais grave.

Falei bastante da Lucidez, mas não deixei a imagem clara do que ela é depois de contar como tenho me sentido e me sinto e o que tenho tentado fazer para suportar. Quem já viu o filme “Coração valente” com Mel Gibson vai se lembrar da última cena, quando Willian Wallace é preso e condenado a morte dolorosa e agonizante, sua amada, lhe oferece um remédio para que ele não sofresse e ele se recusa. A lucidez é exatamente esta recusa, é deixar-se deitar na mesa de torturas para que antes do último suspiro se possa gritar “liberdade”. Mas digo mais Lucidez é a consciência de tudo o que se passa, dor, frustração, agonia, angustia, medo. Fiz e faço o que posso para não me entregar, às vezes não é o suficiente e quero desistir, mas não desisto.

Deus sabe o que tenho passado nas ultimas semanas, ainda que eu não tenha sentido sua presença paternal junto de mim. “Ele que sonda os rins e o coração” conhece todas as minhas misérias e minha pequenez, minhas vaidades e minha mesquinhez.

E agora, vocês também o sabem ainda que de modo superficial o que tenho passado, achei que deveria escrever, já que não me é possível falar a quem gostaria, para que soubessem que não me sinto bem, que tenho medo e que não sei o que vai ser de mim.

Não busco redenção, isto é apenas um desabafo, de alguém cansado da tensão a que tem sido exposto por muitos dias, sendo obrigado a beber doses mortais do passado que rasgam e dilaceram o espirito. Quero acreditar que isto tudo vai acabar logo, esta é a minha esperança e tenho fé, pouca, mas tenho!
Portanto, estas eram as palavras que por vezes queria dizer e não consegui e que agora tomado de ânimo e força escrevo para que quem as ler saiba como tenho me sentido lutando em silêncio para suportar o meu existir.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias de Janeiro


 
Engraçado como as lembranças afluem pela minha mente a fora nesta época do ano.
Não por ser Janeiro, mês que os antigos romanos consagraram ao deus Janus responsável pela renovação dos ciclos.
Não!  As minhas lembranças não afluem porque desejo renovar os ciclos da minha vida como se suplicasse ao deus que me ajudasse a ser melhor.
Na verdade, em alguns períodos específicos fico tomado pela nostalgia. Em dezembro e janeiro o cheiro e o barulho da chuva, o céu nublado, as frutas da época, tudo me lembra minha chegada ao bairro planalto em mil novecentos e noventa em dois.
Me mudei é verdade em janeiro, chegando ao altiplano  bairro na manhã do dia onze do ano citado, não chovia aquele dia e tudo era novidade, eu tinha apenas oito anos quando me mudei do bairro eldorado em Contagem para o Planalto em Belo Horizonte.
Naquela época minha rua tinha poucas casas e poucos vizinhos, mas os poucos sempre foram preciosos e quando se tornaram muitos foi como se os poucos amigos rendessem, não tenho caderneta de poupança de amigos, mas se tivesse diria que o aumento é fruto do investimento e do saber cultivar o pouco que me foi confiado.
Como eu dizia o cheiro da chuva, o céu nublado me enche de lembranças especiais da infância. Memórias que me acompanham desde mil novecentos e noventa e dois, não que os anos anteriores não tenham me deixado lembranças boas, mas é que estas lembranças me foram marcantes, porque eu tinha um enorme quintal com goiabeira, mangueira, abacateiro e um mundo de árvores frondosas e uma escada enorme. Para uma criança que passou a primeira infância em um apartamento no Serra Verde e três anos morando em uma casa espaçosa, mas que não tinha árvore alguma e um quintal não tão grande e sem contar que não morava em casa própria tudo aquilo era novo e enchia-me os olhos. Até as lagartas que caiam das árvores aos montes, eram meio que minhas primeiras mascotes na casa nova me causavam admiração, e naquela época não conhecia o tauma aristotélico se quer sabia o que era filosofia, a única filosofia que praticava era brincar e contemplar a chuva que caia.
Ah, a chuva! Chuva de Janeiro digna do velho Janus, chuva que vem pra renovar a vida e refrescar o calor, um brinde ao sol! E um brinde à chuva! Que me proporcionou tantas vezes brincar na enxurrada e fazer barragens com os meus amigos!
Não é só Janeiro, Dezembro e também junho-julho e setembro-outubro trazem boas lembranças, afinal é difícil não pensar no natal da época de quando meu avô Chico era vivo, ou das primaveras na piscina seja na casa do Daniel, alcunhado ruivo ou do Diogo, Outubro e as semanas da criança. Os aniversários, ah! Os aniversários como esquecê-los!
O cheiro da chuva repito, o céu nublado, o aroma da goiaba e da manga, jabuticabas, papagaios, kinder ovos a cinqüenta centavos e depois a hum real... fandangos, super Mário, Sonic, Street fighter ah! Como posso ter tantas lembranças despertadas por cheiros e sensações que só estão vivas na minha mente!
Parece que foi ontem que me mudei para o planalto, parece que ainda tenho meus oito, talvez dez ou quem sabe doze anos. Parece que eu não cresci, que o tempo não passou, que eu ainda vou a escola e quando as férias chegam sinto o cheiro da água da chuva tocando o solo quente só para me trazer a nostalgia dos longínquos vinte e um anos de morada eclipsada por um pequeno interstício de quatro anos, mas que pareceram dez e que me fizeram ainda mais perceber que o cheiro da chuva e o cinza que tinge o céu do planalto são partes integrantes da minha história, ainda que não seja a mesma chuva e o mesmo cinza, os mesmos ventos e talvez os mesmos amigos, o que importa é  que é o mesmo  bairro, mesmo que não seja a mesma casa. Importa que sejam as mesmas lembranças ainda que eu não possa revivê-las, não mais que no meu íntimo.


Brener Alexandre Gonçalves, 15/01/2013

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Goiabeira

O entardecer sobre a goiabeira nas férias de verão sempre marcarão a minha vida.
goiaba branca, vermelha e a conversa descontraída em cima da árvore depois de jogar bola ou de brincar na piscina.
Tudo isso já faz muito tempo, numa época em que eu ainda escondia o homem que eu me tornei hoje, quando ainda era menino, um homem-menino.
o sabor da goiaba é o sabor das férias, das tardes despreocupadas, a goiabeira que recebia as chuvas de verão aonde o meu balanço fez morada.
sinto mais saudades das conversas, porque despreocupadas refletiam um pouco da simplicidade da infância, da alegria da companhia do outro e a amizade sincera e desinteressada.
A goibeira deixou saudades tanto quanto deixou o gosto doce do fruto que ela me oferecia.
A goiabeira companheira querida levará consigo parte da minha história e eu levarei parte da história dela comigo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

mito e o rito

Mesmo ainda sentindo essa solidão aguda, essa estranheza diante da vida, estou feliz, por que como sempre consigo, na medida do possível transformar os dias 15 e 16 de junho em um dia só, um dia em que para mim o mundo para, um dia em que os problemas não existem, é verdade que fico preguiçoso, manhoso etc, mas a verdade é que tenho muito orgulho de mim mesmo, de quem eu sou e acima de tudo do que eu quero ser no futuro.
eu sustento o rito do meu aniversário, 48 horas em que extravaso minha alegria, meus sonhos como ser humano normal, sustentando o mito de que preciso para viver. para ser melhor.
acho que aniversário é um dia nosso, um dia meu, ou seu em que fazemos o que gostamos, estamos com quem queremos estar e ainda estando sozinho, sorrimos para nós mesmos e regozijamos de alegria apenas por sentir uma brisa suave ou de receber aquele telefonema tão aguardado.
meu mito é a minha própria existência, que quase não foi, mas que me enche de orgulho ao me dar conta de que sou um vencedor e sobrevivente eterno, neste mundo cruel!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Lembranças de um 11 de Janeiro

Me lembro do céu amanhecendo como se fosse ontem.. era um céu de 16 anos atrás... eu tinha apenas 7 anos de idade... e estava me mudando...Mudança para mim sempre foi algo difícil, nunca fui bom com mudanças, principalmente as mudanças radicais... mas esta mudança que eu achei que não gostaria, foi das melhores...
nunca imaginei que me mudaria de novo.. ou que se mudasse seria para seguir sozinho a minha vida, longe da minha família.
mas por ironia do destino me mudei.. num fatídico dia 1° de maio...
E agora aguardo a minha volta pra casa...
dia 11 de janeiro tem sabor de dia amanhecendo calmo e tranquilo.. tem cheiro de chuva de verão e de terra molhada... de lagartinhas passeando atrás de comida e de amizades novas surgindo...

lembranças que espero nunca perder... e sabores que construiriam oque eu sou.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

dias quentes de Verão

Incrivel como a brisa sendo leve nao aplaca o calor do sol.
Mas a luz do sol é algo que me acalma, mesmo quando desejo a escuridão.
dias quentes de verão me trazem boas recordações da infância.. lembranças de tempos que não voltarão jamais... piscina. brincadeiras disto tudo apenas uma brisa suave me resta. como um sonho. um desejo.
desejo é o motor da minha existência, me faz seguir adiante.
Naquela época, não havia amores, havia apenas o prazer que uma brincadeira de criança trazia..
Aqueles dias quentes de verão... a água gelada... o vento suave... correria e suor... lanche.. risadas... eu nao deixei nada disto para trás... fica tudo guardado no meu coração...

domingo, 18 de outubro de 2009

Aberlado e Heloisa no Século XXI

Como o casal mais famoso da filosofia, sim eles viveram um amor no sentido mais romântico possível. Aberlado e Heloísa viveram um romance em Plena europa medieval, século XII. Aberlardo era um renomado professor de filosofia e Heloísa era sobrinha de um arcebispo de Paris. Quando Abelardo chegou a Páris o arcebispo pediu que ele fosse o preceptor de sua sobrinha, uma jovem muito inteligente e promissora, por quem se apaixonou, os dois viveram um amor digno dos grande clássicos da literatura.
Mas assim como Romeu e Julieta, o final foi trágico para o grande Abelardo que acabou castrado a mando do Bispo que não queria que sua sobrinha ficasse com ele.
Mas os dois acabaram juntos mesmo assim e até hoje estão juntos enterrados no mesmo túmulo que pode ser visitado em Paris.
este final de semana tive uma experiência muito parecida desta do grande Abelardo de caso com uma Heloísa, mas não se preocupem, eu não fui castrado não ahauhahuahua
o que eu sei é que amar se diz de muitos modos, tantos quanto se diz do ser....

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Matsuri

E o fim do inverno vem chegando e os deuses nos presenteiam com flores e sol...
Festival de cores, tapetes naturais e um sorriso estapado no rosto.
celebrando a vida que ressurgi do frio e o meu coração aquecido pelo sol se sente lépido e feliz em saber que os filósofos também brincam e que os poetas também podem amar!
dor no meu peito não existe, oque há de verdade é risos e brisa da manhã
Festival divino e eu sigo a procissão que me guia até o coração do universo!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

nostalgia

Agora bateu um momento nostalgico, não sei porque de repente dei falta de mim mesmo... e me peguei olhando para o passado, com um desejo intenso e sincero de que o tempo voltasse.

Desejo de ficar parado naquele instante, vivenciando, gozando-o... ah! aureo periodo!! oh! momento sublime!

sinto falta de cheiros, gostos, pessoas, risos.... de lágrimas...
sinto falta das estrelas que giravam elipticamente em torno dos meus olhos, que zumbiam nos meus ouvidos.
sinto falta dos espelhos que me revelaram a superficie lunar. os anéis de saturno e as luas de jupiter.

Sinto falta... e isso é tudo que posso dizer...

sábado, 6 de setembro de 2008

Capitulo das lembranças: coragem

Vou me dedicar a algumas reflexões de memória onde vou falar mais de experiências passadas intercalando com reflexões comuns.
Começo por falar então da coragem. Me lembro de um momento muito difícil onde tive de ter coragem, foi quando vi um amigo meu ter uma crise bem na minha frente, tinha apenas 14 anos e nunca havia visto aquilo na vida. Foi um choque! mas, não tinha tempo para isso. Tinha de impedir que ele se machucasse e pedir ajuda. Enfim tinha de ser multi-tarefa. E descobri uma coisa,
descobri que coragem não é simplesmente ser bravo diante dos problemas, a coragem tem mais a ver com o medo do que com a bravura, na verdade a bravura enquanto superação do medo é apenas uma parte da coragem.
e ter medo é o primeiro passo para um ato de coragem verdadeiro.

"nunca olhar para trás"

"Apenas seguir em frente não importa oque aconteça"

"reconhecer os próprios erros é um ato de coragem"

não preciso dizer mais nada.. acho que todos nós temos ações corajosas todos os dias e nem as percebemos..
então deixemos que elas falem por Nós!