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domingo, 11 de junho de 2017

Persuasão II

Quantos versos são necessários para te convencer?
Quantas lágrimas mudas preciso te oferecer?
De silêncio em silêncio sou engolido.
De lembrança em lembrança sou consumido.
Pela impotência de não poder ficar com você.
Pelas razões que conseguem te convencer.

Quisera eu convencer teu coração.
Com palavras, atos e virtudes, sem ilusão.
Quisera eu te oferecer um caminho.
Com amizade, cumplicidade e carinho.

Nenhum verso te encantou
Nenhuma lágrima te tocou.
Meu silêncio nos emudeceu,
E nas minhas memórias me exilou.

Quão fraco sou em te perder.
Que adianta ter razão e não te convencer?
Sem palavras e sem virtudes.
Sem teu sorriso, sem teu abraço,
Perdido e cansado.


Brener Alexandre - Poema manuscrito em 29/03/2017 e publicado em 11/06/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Silêncio XII

O teu silêncio me cala
A tua alma me encanta
O teu sorriso me desarma
E o teu olhar me inflama

O meu silêncio me dói
O meu amor me corrói
A minha alma sofrida
Ante teu olhar se arrepia.

O teu silêncio me devora
A tua alma me consola.
O teu sorriso é chama
E o teu olhar me conclama.

O meu silêncio é medo
O meu amor não é apenas desejo.
A minha alma dolorida
Te chama e delira.

O teu silêncio é respeito
De um coração verdadeiro
De uma alma pura
De um olhar de candura.

O meu silêncio é receio
De uma alma com medo.
Que sente o sofrer no amar

O sofrer do poeta
O pensar do filósofo
O rezar do religioso
Tudo é silêncio entre você e eu.
Tudo é vazio entre nós
Tudo é dor para quem ama calado
E não se sente querido e amparado
É mística entre o sagrado e o profano
Entre Deus e o humano
Entre a acolhida e a rejeição
No silêncio e na solidão.


Brener Alexandre 16/03/2017

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Entre vãos

São esses intervalos que consomem a minha alma, petrificam o meu espírito e drenam o meu prazer de viver. Nesses intervalos que a ausência se torna presente como a consciência manifesta de que a luz sempre projeta alguma sombra.
Nesses intervalos parece que a minha consciência se torna nítida, áspera, toca com profundidade a sombra projetada pela luz fixa-se nela e volta-se toda para a escuridão diante da claridade. Parece mesmo que vejo na luz a escuridão como se os meus olhos filtrassem no positivo o negativo, naquilo que é o que não é, como se não visse os pontos, mas apenas o intervalo.

Essa é a consciência da ausência, a experiência da privação e o princípio, a causa motriz da angustia, esse desejo frustrado de ver luz onde não há, de ver presença onde não há nada, onde há apenas vazio.
Parece que sou essencialmente intervalo, parece que sou pausa, silêncio, aquele mesmo tagarela que me assombra durante as noites de insônia.
Parece que sou a negatividade que emerge na positividade como o óleo que não se mistura com a água.

Esses intervalos, essas singularidades que parecem ser cheias de necessidades não passam de uma ilusão tão real que engana o mais lúcido.
Mas o que é ser lúcido? Senão está cheio de luz, iluminado, brilhante, reluzente!?
Ora, se a ilusão reside no intervalo e se é só ele que vejo em meio a luz, minha lucidez é trevas, escuridão e cegueira.

São esses intervalos que consomem a minha alma, são eles que me petrificam, tiram o sabor da vida. Nesses intervalos eu me apercebo e percebo que a ausência se torna presente, simulacro do desejo frustrado que chamamos de angustia, ansiedade derradeira que queima como um fogaréu.
Aqui e acolá o intervalo se manifesta como consciência de liberdade, essa consciência que cartesiana paira só ipso factum e vê nas causas incausadas um motriz para o sofrer.

Perdido na singularidade constato que somos mundos intangíveis sabotados pela concupiscência e pelo medo malogrando a nossa felicidade.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Alegoria do brinquedo quebrado ou com defeito

Que criança podendo escolher brincaria com um brinquedo quebrado?
Qual a utilidade do brinquedo quebrado?

Uma criança só brinca com um brinquedo quebrado quando não dispõe de um brinquedo em perfeitas condições.
 Afinal, é muito mais legal brincar com um carrinho com rodinhas do que sem rodinhas, uma boneca com braços e pernas e cabeça do que sem estas partes do corpo.
Portanto, leia atentamente esta pequena parábola:
Havia duas crianças, uma que nunca teve um brinquedo na vida e outra que tinha muitos brinquedos todos inteiros bem conservados; acontece que a criança que nunca tivera um brinquedo encontrou um carrinho sem rodinhas e brincou muito com ele.
Até que um dia ganhou uma caixa com uma frota de carrinhos novos, todos com rodinhas carrinhos de todo o tipo. Qual então foi o destino daquele carrinho sem rodinhas? Provavelmente foi esquecido em algum lugar da casa, ou mesmo jogado ao Lixo.

A outra criança, que tinha muitos brinquedos bons, certa vez notou que as asas de um aviãozinho havia se quebrado e como havia outros aviõezinhos e tantos outros brinquedos simplesmente o deixou de lado pegando pó, pois porque haveria de consertá-lo? Se havia tantos outros brinquedos que poderiam substituí-lo?
Tantos outros brinquedos que lhe proporcionariam momentos de alegria e descanso, em que ele não teria que se preocupar em tentar consertar o brinquedo, sem saber se daria certo. Por que me preocupar? – se perguntaria a criança, pois se está quebrado, é porque está velho e obsoleto, porque eu perderia o meu tempo tentando arrumá-lo? Ou pediria a alguém que o fizesse? Se tenho tantos brinquedos este não me fará falta. Seria assim, mesmo que chorasse no primeiro instante, mesmo que cogitasse de arrumá-lo, se conformaria e o abandonaria em função de ter outros brinquedos em melhor estado de conservação.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lucidez

Eu sei que já impressionei mais de uma pessoa com a minha lucidez.
A Lucidez é por certo uma espada de dois gumes, digo isso pelo simples fato de que por meio da lucidez me torno extremamente forte, às vezes não o suficiente para vencer, mas para parafrasear o personagem Rocky Balboa: “aguentar apanhar muito”. Uma força que me faz resistir, mas que me faz sofrer o suficiente para implorar pela morte.

De fato, se por um lado, resisto lúcido sabendo tudo o que me acontece, de outro lado, sofro duplamente seja pelo desespero de tentar resistir o quanto posso e resolver o problema, quanto, o de saber que no mais das vezes a dor, sintoma de um mal é o reflexo de uma doença, de uma ferida incurável já há bastante tempo.

Entretanto, sucumbo a dor, caio tentando resistir consciente, grito em meu interior de desespero, sinto-me abandonado, inquieto e inseguro. Mas caio com a consciência de que tentei me manter livre e de preservar a liberdade dos outros quando necessário.

A lucidez tão louvada é como disse um grande poeta da nossa música: “um holofote que cega mais que ilumina” e que, portanto, sua luz no mais das vezes nos faz mergulhar na mais profunda escuridão.
Tenho gritado de dor e sei que ninguém ouviu, entre pesadelos e memórias do passado que pensava já ter superado, mas que as ironias da minha vida insistem em trazer à tona como instrumento de tortura. Esta é a causa da minha doença e do meu sofrimento, as sequelas, feridas que se abrem.

Minhas noites escuras, noites escuras da alma em que tal como Jesus eu gritei: “Por que me abandonastes?” Achei que não viveria de novo esta experiência nada agradável do abandono.
Noites escuras, em que a minha lucidez nem sempre pode clarear com esperança, ainda que eu o quisesse... E aí me veio uma definição de fé. Fé é crer na esperança. No fim, juntei duas virtudes teologais, não porque ignore a caridade, mas ainda sou demasiado imperfeito para me sentir caridoso. Gosto do que Madre Teresa de Calcutá nos ensina sobre esta virtude teologal: “a caridade é amar até doer”. É verdade, quem ama sabe que o amor dói. Porque quem ama se doa inteiro e no se doar por inteiro é paciente, isto é, passível de receber tudo.

Agora vocês sabem que porque eu sofri muito eu fui capaz de amar mais ainda, mesmo sendo tão imperfeito tão miserável. Já há algum tempo que me sinto inepto para a vida cristã, todas essas provações e esse modo de amar tão peculiar que é bem verdade me ajudaram a ser um ser humano melhor (não tão melhor quanto deveria, mas melhor), também é causa de muita dor, dor para qual não há remédio. Como aqueles judeus depois de ouvir Jesus, tenho eu também vontade de partir porque suas palavras “são duras demais” (Jo 6,60) mas, “para onde irei? Só tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6,68).

E assim, como posso tenho tentado não sem fracasso fazer o melhor que posso para resistir e proteger a herança que me foi confiada e ser o melhor que posso, embora saiba que tenha desapontado a muitos pelas vezes que cai e demorei para me levantar.
Esta lucidez, única arma que possuo para combater, único remédio que disponho para lidar com todas essas dores, me mostrou que a dor não deve ser simplesmente julgada, porque quem a sente sente e dói. Ouvi não poucas vezes que outras pessoas tem “problemas maiores” que o meu. Isso é verdade, mas também é verdade que para quem tem uma cólica ou gastrite, ou ulcera, ou cefaleia, a dor não é a mesma, mas é dor.
Mas quem é capaz de medir a dor que tantos maus tratos do passado pode incutir na alma de um ser humano?
Como medir a agonia de um ser humano que emudece contra a sua vontade diante das pessoas que ele quer bem? Trêmulo, quase sem respirar, suas pernas enfraquecem, tem vertigens, tomado pela agonia de resistir e se comunicar sem sucesso.
A este só restava a reclusão, pois se sofre sozinho, o sofrimento é triplicado quando não pode comunicar o que sente a quem ama.

Lúcido, eu ás vezes desejei a anestesia para que tal dor não me acossasse, para que tanta tristeza não me fizesse chorar a noite e que o meu silêncio não fosse interpretado como ressentimento e ódio.
Muitas pessoas não sabem, mas é horrível ficar incomunicável, tomado pelo pânico e angustiado fazer o movimento hercúleo para a fuga.
Pesadelos e ataques de ansiedade tem se tornado rotina nas últimas semanas. Quase não sei o que é sorrir mais...

Uma das minhas maiores frustrações é ter a consciência da minha estafa que me impede de fazer o que mais amo, filosofar, impossibilitado de estudar e de dar continuidade aos meus projetos profissionais. O meu aniversário foi outra decepção.
O últimos dias tem sido difíceis, tenho recorrido ao meu padroeiro Santo Antônio, São João da Cruz e a florzinha do Carmelo (Santa Teresinha do menino Jesus e da sagrada face) que com suas experiências de fé e vida tem sido como que um complexo vitamínico para que eu possa resistir até o dia derradeiro. Ainda espero contar com o reforço de outra Santa do Carmelo, Santa Teresa de Jesus ou D’Avila para que eu possa aguentar apanhar muito ainda e quem sabe bater.

Que fique claro, que estou ciente das minhas fraquezas, ciente das minhas misérias, ciente de que feri quem amo na inteireza do meu ser e que desculpa nenhuma me torna digno de perdão. Mas que fique claro também o quanto tenho sofrido e que só agora um pouco anestesiado, posso por ironia falar da lucidez que me acompanha desde a muito tempo e que sempre foi a arma que me conduziu à vitória nestes combates apoiado pelo escudo da fé.
Tudo quanto escrevi recentemente são os meus gritos de dor, são as minhas lágrimas sem consolo, vindos de um homem que contemplou e contempla seus medos, que é perseguido pelo pânico mesmo que educado para a auto-suficiência, uma vez que, nunca teve a quem recorrer. O que de certa forma torna o meu mal ainda mais grave.

Falei bastante da Lucidez, mas não deixei a imagem clara do que ela é depois de contar como tenho me sentido e me sinto e o que tenho tentado fazer para suportar. Quem já viu o filme “Coração valente” com Mel Gibson vai se lembrar da última cena, quando Willian Wallace é preso e condenado a morte dolorosa e agonizante, sua amada, lhe oferece um remédio para que ele não sofresse e ele se recusa. A lucidez é exatamente esta recusa, é deixar-se deitar na mesa de torturas para que antes do último suspiro se possa gritar “liberdade”. Mas digo mais Lucidez é a consciência de tudo o que se passa, dor, frustração, agonia, angustia, medo. Fiz e faço o que posso para não me entregar, às vezes não é o suficiente e quero desistir, mas não desisto.

Deus sabe o que tenho passado nas ultimas semanas, ainda que eu não tenha sentido sua presença paternal junto de mim. “Ele que sonda os rins e o coração” conhece todas as minhas misérias e minha pequenez, minhas vaidades e minha mesquinhez.

E agora, vocês também o sabem ainda que de modo superficial o que tenho passado, achei que deveria escrever, já que não me é possível falar a quem gostaria, para que soubessem que não me sinto bem, que tenho medo e que não sei o que vai ser de mim.

Não busco redenção, isto é apenas um desabafo, de alguém cansado da tensão a que tem sido exposto por muitos dias, sendo obrigado a beber doses mortais do passado que rasgam e dilaceram o espirito. Quero acreditar que isto tudo vai acabar logo, esta é a minha esperança e tenho fé, pouca, mas tenho!
Portanto, estas eram as palavras que por vezes queria dizer e não consegui e que agora tomado de ânimo e força escrevo para que quem as ler saiba como tenho me sentido lutando em silêncio para suportar o meu existir.


domingo, 3 de agosto de 2008

Solidão

Solidão é o eu que não tem ninguém é o você entre espaços e um tempo que demora a passar.

Solidão é o vazio da alma, é doença deste século é o mal que me arrasa!

Solidão é o preço da minha liberdade que na verdade é uma prisão a céu aberto. Não carece de vigias porque não há o que vigiar. O que há apenas é ausência de presença.

Solidão é o que eu sinto agora. Necessidade de suprir a vontade de ter você por perto e não poder te tocar. É querer te sentir e ter apenas a lembrança do que você é.

Solidão é fome da sua presença não saciada pelo meu desejo.

Solidão é ser como uma estrela tão longe que nem mesmo quando agrupada em constelações pode se considerar um grupo...