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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Resolução de Ano Novo

Uma resolução para o ano que vem.
Vontade firme de fazer bem.
Determinação para seguir em frente.
Caminhando entre as escolhas da gente.

Uma resolução para o ano que fica.
Balanço da vida,
Lutada, sofrida.

Uma resolução do ano passado.
Determinação cumprida ou fracasso?
Vontade levada a termo ou deixada a esmo?
Caminhada concluída ou deixada de lado?

Uma resolução para o ano novo.
Amor cotidiano,
Amizade compartilhada.
Esperança renovada.

Uma resolução para o ano novo.
Renovar o ciclo.
Fazer novos amigos.

Uma resolução para o ano vindouro
Vontade de ano novo.
Desejo ardente de vida nova.
Ciclo completo,
Amores descobertos.
Sem delongas,
Sem mistérios.

Brener Alexandre 29/12/2017



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Retrocesso

Dou um passo atrás e outro e outro
Refaço meus passos devagar procuro minhas pegadas no chão.
Dou um passo atrás, perfazendo o processo ao contrário.
Convirjo, me arrependo, reflito e me abstenho.

Todo retrocesso é conversão
Toda conversão é reconstrução
Das escolhas que fazemos,
Do modo de vida que queremos,
Da caminhada percorrida,
Olhando os malogros da vida.

Dou um passo atrás do outro palmilhando no sentido contrário,
Percebo algo errado em mim, no caminho, na caminhada.
Vejo equívoco ao percorrer essa estrada.
Refaço os meus passos devagar quase parando...
Reflito, e me volto para mim mesmo, para o mundo que está girando.

Todo retrocesso é conversão,
Marcha para trás, reflexão.
Todo retrocesso é reconstrução,
Revisão dos caminhos errados,
Das escolhas apressadas,
Da sinalização confusa.

Dou um passo atrás e refaço a caminhada de trás pra frente,
Volto atrás, virada de reconstrução.
Dou meia volta correção do percurso.
Retrocesso não é atraso é marcha repensada
Retrocesso não é perda de tempo, coragem necessária,
Que revê a caminhada,
Que delibera com cautela,
Fonte de prudência,
Que extirpa nossas misérias.


Brener Alexandre 30/06/16

terça-feira, 12 de maio de 2015

Ben Hur e a experiência do encontro com o Senhor

Esse final de semana tive a oportunidade de assistir a um remake do clássico Ben Hur. Aos que gostam de filmes épicos como é o meu caso é sempre um deleite e não percebi exageros como normalmente acontece nesse gênero de filmografia.  Mas gostaria de partilhar com os meus leitores algo que me chamou muito a atenção no filme. Ben Hur é uma mistura de Conde de Monte Cristo com Crime e Castigo, explico!

Ben Hur ou Judas Ben Hur era um judeu rico de Jerusalém e cresceu com um jovem filho ilegítimo de um senador romano de quem se separa ainda na infância. O jovem retorna a Jerusalém agora como um soldado e tem a missão de escoltar o novo governador da judéia, Pôncio Pilatos. Quem conhece um pouco da história sabe que a ocupação romana não era bem vista em nenhuma das províncias, principalmente porque a pax romana era uma imposição violenta. Em Israel não era muito diferente principalmente pelo conflito de culturas presente no contraste entre o politeísmo romano e o monoteísmo judaico. Naquela época havia vários grupos entre os judeus que viviam e assimilavam a fé de formas diferentes, só depois da destruição do templo em 77d.C. é que o judaísmo de organizou com o grupo sobrevivente, os fariseus.  Dentre esses grupos havia um em especial que causava muitos problemas aos romanos trata-se dos Zelotes que se revoltavam constantemente contra os romanos provocando muitas mortes nos conflitos contra seus conquistadores.

Judas Ben Hur era um comerciante justo e honesto e, quando seu amigo volta para Jerusalém, o jovem Messala, educado a moda romana quer que tudo saia bem porque seu pai o Senador Marcellus Agripa quer por meio de uma manobra política ele assuma o governo da província da Judéia no lugar de Pilatos. E para que tudo dê certo Messala espera de Judas que este lhe conte sobre qualquer invectiva contra os romanos quando da passagem do governador. Ben Hur sabia que havia pessoas que queriam se aproveitar desse evento para promover uma revolta, mas prefere não entrega-los, pois isso seria uma forma de alta traição, mas também não quer se envolver com a revolta por ter boas relações com os romanos e principalmente por ser muito amigo de um romano. Acontece que por conta de uma telha solta Judas é acusado de “dar um sinal para os rebeldes” e é preso junto com toda a sua família e isso inclui a sua noiva e o pai dela. O destino parece selado, Pilatos quer crucifica-lo e matar sua mãe e sua irmã, mas a pena dele é mudada e ele é condenado à escravidão perpétua. Tudo o que Ben Hur deseja é vingança contra seu antigo amigo. Quando Judas está saindo da cidade santa para o seu terrível destino um homem o interpela dizendo: “perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem...” Esse homem era Jesus, o nazareno e este foi o primeiro encontro de Judas com o galileu. 

Depois de uma grande reviravolta Judas é adotado por um romano que lhe dá o seu sobrenome e tudo o que lhe pertence, Judas está disposto a usar todos os recursos para se vingar de Messala e parte novamente para Jerusalém. Ben Hur não sabe que sua noiva e o pai, sua mãe e irmãs estão vivas. No caminho para Jerusalém Judas escuta uma pregação e a ouve por alguns minutos antes de seguir viagem, sua noiva estava lá, mas não o viu, o pregador era Jesus, o profeta da Galileia e o conteúdo de sua pregação é o sermão da Montanha. Judas entra em Jerusalém e readquiri sua casa que estava abandonada sob custódia do governo romano e usando seu nome romano arquiteta sua vingança nesse meio tempo reencontra sua noiva que tenta dissuadi-lo da vingança e exortando-o a perdoar, mas Judas Ben Hur só conhece a lei do “olho por olho” ignorando a lei do perdão. Executa a sua vingança sem saber que suas irmãs estão vivas, e tendo terminado sua vingança vai ao encontro delas, pois estavam doentes, com lepra e só podiam permanecer fora da cidade ou quando muito teriam de gritar “impuro” para afastar as pessoas quando pedia esmola. Quando entra em Jerusalém, um homem condenado à morte de cruz está saindo da cidade ele cai e é duramente açoitado pelos soldados, sua noiva a jovem Esther reconhece o homem caído, mas tomada de tristeza e consternação não diz nada apenas chora e lamenta pelo homem condenado. Judas, por outro lado, ao ver a atitude dos soldados se interpõe contra eles para ajudar o homem, os soldados recuam, Judas estende a mão ao homem caído que lhe diz: “perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...” Nesse momento, Judas fica paralisado, mudo e se recorda de ter ouvido anos antes a mesma frase, nesse momento Judas parece se dar conta de estar diante de um verdadeiro profeta de um homem justo. As palavras de Jesus penetram fundo a alma desse homem amargurado pelo desejo de vingança e finalmente liberto do rancor perdoa o amigo que morre.

Libertado, liberta também a outros, Jesus, profeta, justo, santo, ungido é pregado na Cruz e morre, as trevas cobrem a cidade santa, mas a luz não deixa a casa de Ben Hur e sua mãe e sua irmã são curadas da lepra e purificadas pelo perdão.

Assim como Raskolnikov em Crime e Castigo é gradativamente libertado pela doçura e amor de Sônia. Ben Hur é transformado pelo amor de Esther, sua noiva, e pelas palavras de Atene uma prostituta grega que exerce o papel de espiã do senador Marcellus Agripa. Duas mulheres que se portam cada uma a seu modo como “vozes da razão” poderia ser o prelúdio do encontro de duas tradições, Esther seria a personificação da cultura hebraica e Atene a personificação da cultura grega.  E a experiência do encontro com o profeta galileu é o mediador das duas tradições em aparente conflito, mas que caminham lado a lado em busca da justiça e do bom senso. São as palavras de Jesus que acenam para Ben Hur aquilo que as duas tradições por si só não foram capazes de lhe revelar completando o sentido que as duas tradições manifestam cada uma a sua maneira.  A vingança um direito consentido nas duas tradições provoca vazio e diminui a humanidade, e o perdão supera a justiça da retaliação dando novo sentido que extrapola toda forma de marginalidade e de poder que nossa parca humanidade alimenta.


Três encontros e sempre o perdão pelos que não sabem o que fazem. A justiça supera a vingança e a verdade é galgada pelo amor, verdadeira liberdade para o homem.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Se eu ficar ou O que nos motiva a viver?

Não sei se a autora do best-seller que foi adaptado ao cinema “If I stay” (Se eu ficar) leu Aristóteles, mas será por Aristóteles que quero começar a nossa reflexão.
O filósofo grego lança a seguinte pergunta na Ética a Nicômacos: “Portanto, nenhum (oudéna) homem (anthrópon) deverá ser considerado feliz (eudaimonistéon) enquanto viver, mas será preciso ver o fim (télos), como afirma Sólon? (EN I, 1100a 10).
Para entendermos o questionamento do filósofo de Estagira é necessário contar o que pensa Sólon o grande jurista e um dos sete lendários sábios da Grécia antiga a respeito da felicidade (eudaimonia) e para isso vou transcrever um relato transmitido pelo pai da história Heródoto de Halicarnasso.

Conta-nos Heródoto que certa vez Sólon hospedado no palácio de Croisos e questionado pelo rei de Sárdis a respeito de quem era o homem mais feliz de seu tempo (o próprio Croisos se julgava o mais feliz dos homens e por isso havia feito a pergunta) a resposta dada por Sólon ao rei de Sardis que motivou a pergunta de Aristóteles é a seguinte: “No curso de uma longa vida podemos ver muitas coisas de que não gostamos, e também sofrer muito. Calculo em setenta anos a duração máxima da vida humana; esses setenta anos correspondem a vinte e cinco mil e duzentos dias, sem contar os meses intercalares. (...) e, podemos dizer perfeitamente que nenhum desses dias é igual ao outro naquilo que nos traz. Então, Croisos, o homem é apenas incerteza. Parece-me que és muito rico e rei de muitos homens, mas não poderei responder à tua pergunta antes de ouvir dizer que tenha terminado bem a tua vida. Em verdade, o homem muito rico não é mais feliz do que aquele que tem apenas o suficiente para o dia de hoje, a não ser que a sorte (tyché) continue a lhe ser fiel até o fim de sua vida; proporcionando-lhe todas as boas coisas.” (Heródoto, História I, 32). Podemos parar por aqui na transcrição do relato herodotiano da conversa entre Sólon e Croisos, pois, tudo o que precisamos para a nossa reflexão está aqui e ademais a continuação do texto resulta em uma resposta bastante fatalista da condição humana e não contempla o horizonte reflexivo à que o filme nos faz pensar.

O drama escrito por Gayle Forman conta a história de uma jovem que sofre um acidente e fica em coma, ela precisa resolver se quer ficar ou se quer partir. O coma da protagonista do drama coloca-a em um estado em que ela não está viva (está viva clinicamente sem morte cerebral ou sem parada cardíaca e ou respiratória), mas também não está morta, coma nesse caso pode ser lido como uma metáfora da suspensão que te coloca entre esses dois caminhos possíveis, as duas extremidades da estrada. O coma nesse caso é perfeito para a pergunta de Aristóteles e incrivelmente perfeito para a resposta de Sólon. Porque o que vai guiar a decisão da jovem Mia é a percepção que ela faz do mundo através do binômio prazer-dor que perpassa os momentos experimentados por ela e as notícias que ela “recebe” enquanto está em coma.
Perguntar sobre o que nos motiva a continuar a viver é perguntar sobre o sentido da vida, os gregos quando faziam a pergunta sobre o sentido da vida de certa forma estavam perguntando sobre o que é a felicidade (eudaimonia) e o que é o bem viver (euzein).

            Hoje em dia quando falamos em felicidade sempre nos remetemos a um aspecto subjetivo da nossa percepção de mundo, felicidade é sinônimo de alegria, bem-estar é sinônimo de alegria, no entanto, para os antigos gregos e para o cristianismo a felicidade não é um mero estado de alegria- euforia, mas é um complexo de alegrias e tristezas, a felicidade para os gregos e para a filosofia antiga e, mesmo para o cristianismo está diretamente relacionada à concepção de homem e de humanidade. Aristóteles e Platão, os estóicos, cínicos e os cristãos entendem a felicidade como o resultado final da realização última da nossa humanidade e não uma coletânea de fragmentos soltos de euforia e de melancolia.

Quando Schopenhauer em seu célebre texto sobre o sofrimento do mundo escreve: (cito de memória) “Se o sentido da vida não está no sofrimento, então, a vida é um grande contra senso, pois, percebemos mais a dor do que o prazer.” Está querendo nos dizer que a sensação de dor perdura enquanto a de prazer se dissolve no instante, posso citar ainda a anedota contada por Diógenes Laertios  a respeito de Aristipo de Cirene célebre discípulo de Sócrates e fundador do hedonismo, conta-se que certa vez, Aristipo levou seus discípulos a um prostíbulo e um dos seus discípulos teria lhe perguntado se ir àquele lugar não era um problema ao que Aristipo lhe respondeu que “ o problema não era ir, mas sair de lá”. Para Aristipo, assim como para Epicuro alguns séculos depois a felicidade coincide com o prazer, essa tese será reapresentada por alguns filósofos modernos e contemporâneos como os utilitaristas, tanto Schopenhauer quanto Aristipo  nos dão de forma radical e cada um ao modo uma explicação que desde o início da filosofia é objeto de investigação e fundamentação da ação (aqui entendida no sentido geral moral) basicamente todas as teorias da ação abordam de alguma forma a influencia que o prazer e a dor possui sobre as escolhas que fazemos e que orientam a nossa vida.
Portanto, é importante ter em mente ao fazermos a pergunta sobre o que nos motiva a viver, é ter em mente o que nos impele a agir e a viver e como essa motivação nos faz viver bem e ou nos torna realmente felizes.

Mia se defronta com inúmeras experiências boas e ruins, e algo irá motivar a sua escolha.
Vejam que não são experiências fragmentadas, memórias soltas e, embora as lembranças aparentam se dar assim, a jovem protagonista, mas cada memória e cada experiência é fruto de uma experiência presente da jovem em estado de coma. As visitas que ela recebe e as notícias que chegam até ela até a experiência final que vai culminar com a sua escolha, será esse conjunto complexo que oferecerá como uma janela a visão do valor da vida e se é melhor ficar vivo ou não.

Ainda cabe cita uma das falas da ficção que mais gosto a conversa entre Kenshin e seu mestre Hiko Seijuuro antes de aprender a técnica suprema do estilo Hiten Mitsurugi ryu, nessa fala Hiko Seijuuro sintetiza o que tentei apresentar sobre a felicidade como relacionada a nossa realização enquanto ser humano. Kenshin também é posto entre a vida e a morte em seu treinamento e é instado a pensar se viver vale ou não a pena.
Hiko Seijuuro diz ao seu pupilo: “Antes de começarmos, tem uma coisa que eu preciso dizer. Essa Era não é tão simples a ponto de você poder colocar tudo em seus ombros, e ser o único sacrificado. E, ao mesmo tempo, a felicidade de uma pessoa não é tão simples também. Se você for se tornar um sacrifício, uma garota que veio de Tokyo apenas para te ver vai encarar um infortúnio, Lembre-se disso. Não importa o quão forte você fique, você é só um ser humano não há necessidade de se tornar Buda (santo) ou um assassino.” Em outras palavras, dizer que a felicidade não é simples significa dizer a felicidade não acontece só quando tudo dá certo para você, você vai brigar com o seu melhor amigo, vai perder um ente querido, vai terminar com a sua ou seu namorado (a), vai conhecer outra pessoa e iniciar um novo relacionamento, vai experimentar coisas novas, como ir a um lugar que você nunca tenha ido, ouvir músicas diferentes, ir a uma Peça de teatro, enfim serão tantas experiências que só o discernimento, e é aí que entra  filosofia (não a filosofia acadêmica de artigos e livros com citações rigorosas), mas a filosofia como uma educação para o julgar/ discernir (esse é o sentido verdadeiro do verbo grego krino que deu origem a palavra crise) e essa filosofia é extremamente necessária para que possamos de algum modo compreender a questão de sentido e descobrir o que nos impele a continuar vivos.

Mia a personagem dotada de sensibilidade encontrou a sua resposta será que você será capaz de encontrar a sua?
A resposta da filosofia ensina que o homem é dotado de duas instâncias, de intelectualidade e afetividade e essas duas instâncias devem se desenvolver juntas, Sólon nos dá uma resposta fatalista, pois, o mundo em que ele vivia não oferecia segurança o suficiente para garantir que um homem rico ou pobre pode ser de fato feliz pela sua condição mais fundamental, creio que ainda hoje o mundo não é tão seguro para nos dá uma resposta tão fácil como queria Croisos rei de Sárdis.

O caminho para encontrar  resposta pode vir não de um estado de suspensão como o coma, mas do reconhecimento da vida como um dom em sua complexidade na qual cada experiência única revela a preciosidade que a nossa finitude nos reserva.
Fica aqui o convite à reflexão, e aí: o que te motiva a viver?



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Perí tou kenou (sobre o vazio)


Creio que uma das descobertas mais interessantes da filosofia foi o vazio.
Os gregos até Demócrito desconsideravam como razoável a idéia de vazio e o infinito.
Aristóteles considerava ambos um absurdo, porque tanto o vazio como o infinito abalam a possibilidade, pensa o Estagirita, de fazer ciência. No primeiro caso, o vazio é uma forma de dizer o não-ser, isso significa que o vazio é nada, embora sendo nada é algo.
Os gregos desconheciam o número zero e por isso não concebiam o vazio.

O segundo caso, a saber, o infinito nos remete a impossibilidade de parar em algum ponto, em termos lógicos, isso impossibilita que se possa conhecer algo, porque não há um princípio do qual se começa e nem um fim que manifeste a natureza do que se procura conhecer.

Por que então, o vazio é tão interessante? Não é só porque nos deu o número zero, porque de brinde ganhamos o átomo (na verdade é o átomo que nos deu o vazio de brinde), ou simplesmente porque o vazio permitiu rever vários conceitos da filosofia da natureza fundamentais para a física moderna.  Penso que o vazio é fascinante justamente porque sendo nada é algo, como disse antes, mas que isso significa?

Acho que os orientais podem nos ajudar a conceber o nada como algo, uma das coisas mais fascinantes na filosofia oriental budista é a ideia de esvaziar a mente. Isto é, parar o pensamento, ou melhor, pensar em nada, já pensou em nada? Pensar em nada é o repouso absoluto do pensamento e quando isso acontece o pensamento desaparece.
Mas ao pensar em nada você estará pensando em algo um paradoxo! Mas esse algo não é em muitos sentidos: locativo, predicativo e existencial. Quero dizer que o nada é algo que não se atribui a nada, não está em lugar nenhum e não exsistere, não se manifesta para o exterior.

Mas o nada tem extensão? Seria o nada o avesso da finitude e do concreto?
Vejo no vazio algo de misterioso no sentido de que a sua natureza é uma forma de “esconder” para revelar, do vazio é que encontramos o espaço o local para o infinito.
No vazio é que há espaço para a criação, toda dimensão poiética emerge do vazio: o mármore intocado, o papel em branco e toda técnica carece do vazio como espaço infinito e criador para que o saber possa desenvolver coisas e dar respostas as nossa indagações.

Na mística cristã a partir da famosa citação paulina de filipenses em que o apóstolo magistralmente escreve que “Cristo esvaziou-se a si mesmo” a kenosis de Jesus também é ato criador. Este desloca com o seu esvaziamento a si mesmo e faz surgir a salvação da humanidade como fruto do ato criador que renova toda criatura por ele salva.
De certo modo, a mística enquanto enfatiza o mistério de Deus é esvaziamento, porque impede e impele o homem a desconstruir o conceito que faz de Deus para mergulhar no vazio da não conceituação, a mística está então relacionada com a teologia negativa que ao invés de afirmar o que Ele é afirma o que Ele não é retirando toda a predicação até que sobra apenas o mistério, o vazio que a nossa inteligência se esforça para encontrar e que capta de forma muitas vezes confusa e opaca.

Por isso,  o vazio é fascinante porque esconde em seu nada o avesso que o pensamento tenta captar, mas só o consegue depois de muita ginástica, precisa se contorcer e se esforçar para ver no invisível a extensão do infinito que o vazio torna visível.


Brener Alexandre 30/09/2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Kenós

Me contaram uma estória deveras curiosa
De um menino que se interessava por coisas misteriosas
Um mistério é um poço cujo fundo não se vê
O menino descobriu no vazio um mistério pra valer.

O vazio atraia a atenção do menino
Que descobriu no vazio mundos infinitos
Possibilidades sem fim, no nada a criação
Força do vir-a-ser um mistério sem solução.

O menino passava horas a fio imaginando como seria o misterioso vazio
Inculcado com o nada descobriu mil caminhos
O vazio não é nada, é apenas vazio.
Mistério grandioso que revela o infinito.

No vazio o menino encontrou satisfação
Pois o infinito é possibilidade para encontrar a solução
O cheio está completo pronto e acabado
O vazio é horizonte é caminho a ser traçado
Se até no mistério pascal o vazio haveremos de elogiar
Pois, o Cristo se esvazia para poder nos salvar.

Esse menino inteligente viu o que só alguns conseguiram ver
A mística do vazio que nos faz crescer
Mergulhado no vazio até a onde a vista alcançar

Os segredos da vida espero encontrar.

sábado, 10 de maio de 2014

Amor sui ( amor de si)


"Assim, a solidão não é rejeição do outro, ao contrário: aceitar o outro é aceita-lo como outro (e não como apêndice, um instrumento ou um objeto de si! ) , e é nisso que o amor, em sua verdade, é solidão. Rilke encontrou as palavras necessárias para dizer esse amor de que necessitamos, e de que somos tão raramente capazes: 'duas solidões que se protegem, que se completam, que se limitam e que se inclinam uma diante da outra...' Essa beleza soa verdadeira. O amor não é o contrário da solidão: é a solidão compartilhada, habitada, iluminada -e, às vezes, ensombrecida - pela solidão do outro. O amor é solidão, sempre; não que toda solidão seja amante, longe disso, mas porque todo amor é solitário. Ninguém pode amar em nosso lugar, nem em nós, nem como nós. Esse deserto, em torno de si ou do objeto amado, é o próprio amor." (Comte-Sponville, André. Amor a solidão. p. 30-31).

"Quantos fogem da solidão, ao contrário, e são incapazes de um verdadeiro encontro? Quem não sabe viver consigo, como saberia viver com outrem? Quem não sabe morar com sua própria solidão, como saberia atravessar a dos outros? Narciso tem horror da solidão, e isso é fácil de compreender: a solidão o deixa face a face com o seu nada, em que ele se afoga. O sábio, ao contrário, fez desse nada seu reino, onde ele se perde e se salva: não há ego, não há egoísmo! O que resta? O mundo, o amor: tudo. " ( Comte-Sponville, André. Amor a solidão. p. 33)

Na leitura de Amor a solidão, me deparei com essa definição certamente para muitos estranha do amor como solidão. Ela de certo me fez pensar bastante nas duas extremidades da relação, para fazer uma paráfrase a obra de Martin Buber, “Eu e Tu”. E agora motivado por um desafio de falar de uma cura que seja mais autônoma e que não esteja mirada na figura do outro me sinto inclinado a comentar estas passagens de Amor a solidão partindo primeiro da conclusão de que: “ a solidão não é rejeição do outro” mas é a confirmação de que o outro não integra a minha subjetividade, não faz parte do meu eu.

E depois refletirei sobre o cultivo da solidão como um amor sui, isto é, como um amor de si, pensando principalmente na concepção própria das filosofias helenísticas do final da antiguidade de terapia, ou cura sui, do cuidado de si. E assim creio, apresentarei em prosa o que ainda não consigo apresentar em verso, isto é, o lado positivo da solidão enquanto cuidado de si e amor de si e cura para o enfrentamento dos combates diuturnos da existência.

Já havia tratado a solidão como alteridade absoluta e desconexão com o mundo aqui Pain VI neste texto apresentei a solidão como a experiência radical de alteridade em relação ao outro, que traz consigo um sofrimento terrível. Agora, pretendo fazer o caminho inverso e falar do cultivo da solidão como cura sui, como cuidado de si aquilo que Sêneca entendia como vida retirada como forma de combater as aflições do espírito e que impede o homem de odiar a sua própria espécie (misantropia).  Os estóicos são filantropos por excelência e condenam a misantropia.

Por um lado, a solidão é essa estranheza, imposta pela ausência do outro e desconexão com o mundo, como eu havia exposto no texto Pain VI.  De outro modo, a solidão é também convívio consigo mesmo, esse retirar-se da vida corrida e muitas vezes superficial do dia-a-dia para cultivar a relação consigo mesmo.  A vida cotidiana na maioria das vezes é barulhenta em sua agitação e, tal agitação impede ou mesmo atrapalha a relação que deveríamos desenvolver conosco mesmo.
A vida retirada é justamente o cultivo da solidão para cultivar a relação consigo mesmo, a coisa mais fascinante na solidão cultivada é aprender a ouvir o silêncio que habita em nós.

Claro que nem sempre o silêncio nos elogia, nem sempre nos mostra um mundo de cores, mas se na relação com os outros somos passíveis de passar por estas experiências, porque não passá-las conosco mesmo?
Quem não é capaz de olhar dentro de si sem repulsa não é capaz de suportar o outro. Suportar não é o mesmo que tolerar, suportar é ser capaz de aguentar o outro, é ajudá-lo com suas misérias, porque todos nós possuímos misérias, mas também podemos possuir grandes virtudes e se só atentamos para nossas virtudes sem olhar nossas misérias, estamos fugindo do que somos, se olhamos apenas para as virtudes dos outros e não se permitirmos perceber as suas misérias estamos criando uma realidade fragmentada do outro.
Por isso, Sponville está certo quando diz que o amor é solidão, porque a solidão é o exercício da amizade consigo mesmo, ou melhor, a solidão é o convívio amoroso que podemos ter conosco mesmo, todo o amor, o verdadeiro amor, se funda no convívio despojado das ilusões que eventualmente criamos de nós mesmos e porque não dos outros.

O silêncio é o lugar do encontro consigo mesmo, onde somos desnudados de nossas fantasias e somos postos diante dos nossos medos, das nossas angustias e dos nossos defeitos. É por isso, que muitas pessoas fogem da solidão, se dispersam de si mesmo em uma busca desenfreada por atenção, por prazer e toda e qualquer forma de diversão, a diversão é esse afastamento de nós mesmos que não permite que vejamos quem somos.

Os místicos conhecem bem o cultivo da solidão através da experiência da oração no silêncio da meditação nos recônditos da cela do convento. E graças a essa oportunidade encontram nas suas misérias a força para exercitar o amor pelo outro e cultivar o amor pela vida.

Esse nada que é nudez da alma é o reino do sábio como bem falou Sponville, onde ele se encontra consigo mesmo, já que na correria da vida agitada da cidade os homens se perdem nas vaidades e nas ilusões que nos afastam da verdade e nos inclina a superficialidade das relações forma pior do isolamento, pois não mergulhamos no mistério do outro e nem no mistério de nós mesmos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As razões que eu gostaria de conhecer e transmitir

Ah, Pascal! queria eu conhecer as razões do coração, queria eu conhecê-las para as transmitir, mas não as conheço.
Sequer conheço as razões da razão! desconheço o que julgo conhecer e conheço apenas os murmúrios da alma.

Ah, Pascal! quisera eu que as razões do coração tivessem a persuasão necessária, ou ao menos que fossem fortes o suficiente para convencer a fria e tíbia razão, o que há de mais belo do que o coração e suas razões? que há de mais persuasivo e no entanto, dissuade-nos os nosso medos e nossas frustrações.

Ah, Pascal! Se um dia conheci as razões do coração queria as recordar, queria as comunicar, mas tudo o que sei é que o coração fraqueja onde a razão comanda, o coração se acovarda onde o medo impera.
Quero conhecer as razões e que elas me sejam suficientes para ver além das misérias, das minhas e dos outros e com elas descubra a força onde todo julgam que só há fraqueza.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Meu segundo amor

Ao meu segundo amor o meu sorriso
Ao meu segundo amor um quinhão da minha vida
As minhas lágrimas de tristeza e de alegria.

Ao meu segundo amor um brinde
Ao meu segundo amor saudade
De um coração sofrido que ama de verdade.

Ao meu segundo amor sinceridade
Ao meu segundo amor lealdade
Como um cão fiel sem morosidade.

Ao meu segundo amor amizade
Ao meu segundo amor liberdade
Por que o amor pelo primeiro amor é ágape
E ao segundo amor será sempre amor-amizade.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

O remédio de Maimônides



O filósofo e médico judeu Maimônides (Moisés ben Maimôn  1137/1138- 1204) nos deixou um pequeno tratado apresentado como uma introdução à ética dos pais escrito em oito capítulos no qual o rabino Moisés ao se apropriar dos conceitos fundamentais da filosofia aristotélica: o conceito de mediania, de alma e as suas partes reflete sobre os meios de viver afastado do pecado, ponto culminante de toda tradição judaico-cristã.

Além de ser uma contribuição à experiência mística religiosa, penso que contribui também para a mística filosófica como uma forma de cura sui, ou seja, como um remédio ao modo das filosofias helenísticas (estoicismo, epicurismo, cinismo e ceticismo) para a alma.
Não pretendo abordar neste texto em particular a contribuição que este opúsculo faz à mística e experiência religiosa e ou filosófica, tentarei de modo livre falar dos aspectos que tornam o trabalho empreendido pelo filósofo judeu uma contribuição à filosofia como modo de vida e como tratamento para os males da alma.
Posso falar desta contribuição a partir da minha própria experiência, já que apliquei em mim recentemente o exercício proposto por Maimônides no opúsculo aliado ao remédio estóico da vida retirada para o cultivo do ócio filosófico. Porém antes vou explicar o Método utilizado por Maimônides e então ficará claro como o tratamento ou remédio funciona na prática que podemos chamar de exercícios espirituais da filosofia para fazermos jus ao estudo importante empreendido por Pierre Hadot e Michel Foucault.

Seguindo o caminho de Aristóteles, Maimônides entende que as doenças da alma são: “sua condição e de suas partes fazerem sempre coisas ruins e feias e executarem ações desprezíveis” (MAIMÔNIDES, 1992 p.19) em outras palavras a alma doente se afasta da virtude, afastada da virtude a alma doente torna o homem indigno, quero dizer tem a sua dignidade diminuída pelo vício/ pecado.
Dignidade aqui deve ser entendida como tudo aquilo que torna o homem apto a se relacionar com outras pessoas, uma vez que Maimônides seguindo Aristóteles não pode recusar a sociabilidade inerente à condição humana.

O tratamento proposto por Maimônides é a busca do equilíbrio moral através da mediania. A mediania, com efeito, é o meio-termo entre o excesso e a deficiência que na ética aristotélica é caracterizada como vício moral.
Deste modo, Rabino Moisés esclarece: “boas ações são aquelas que se equilibram no meio, entre dois extremos que são ruins; um deles é o excesso e outro, a deficiência. As virtudes são estados (características) da alma e disposições adquiridas no meio, entre duas condições ruins [da alma], uma das quais é excessiva e outra deficiente.” (MAIMÔNIDES, 1992, p.23) Sendo assim, Maimônides entende que uma vez que se conhece as disposições da alma é possível tratar seus males com um exercício que nada mais é que uma reeducação através do hábito: “quando o corpo se desvia do equilíbrio, olhamos para qual lado se inclina ao se desequilibrar e opomos o seu contrário até retornar o equilíbrio. Quando estiver equilibrado, removemos este contrabalanço e voltamos ao que mantém o corpo em equilíbrio. (MAIMÔNIDES, 1992, P.26)
Este é o método terapêutico de Maimônides para curar a alma, primeiro o individuo é levado a agir no outro extremo e depois pouco a pouco diminuir o excesso para que o equilíbrio seja alcançado.
Maimônides nos dá alguns exemplos práticos do qual vou me ater apenas ao da avareza que é um exemplo mais simples de entender, penso.
Segundo o filósofo: “podemos ver um homem cuja alma chegou a um estado em que ele é avarento consigo mesmo. (...) Assim, se quisermos curar esta pessoa doente, não a mandaríamos ser generosa. Isto seria como usar um método equilibrado para tratar alguém com febre excessiva, não o curaríamos de sua doença. De fato, este homem [com a alma avarenta] tem de ser levado a ser extravagante repetidamente até que a condição que o torna avarento seja removida de sua alma e ele quase adquirir uma disposição extravagante. Então faríamos com que ele parasse com as ações extravagantes e o mandaríamos executar ações generosas constantemente. (...) Mas não o faríamos repetir ações de avareza tanto quanto fizemo-lo repetir ações extravagantes. Esta sutileza é a regra da terapia, e é o seu segredo. (Op.cit. p.26)
Em outras palavras, Primeiro você executa ações contrárias à aquela que é a causa da doença da alma, para então pouco a pouco possa atingir o equilíbrio e por fim a virtude.
Maimônides chega a dizer que: “treinamos o homem ruim para ser muito bom, mais do que treinamos o muito bom para ser ruim. Esta é a regra para a cura dos hábitos morais, portanto, há que lembrá-la bem.” (op.cit. p.27)

Maimônides vai notar, tal como Aristóteles (Aristóteles enfatiza que atingir a mediania é algo extremamente difícil e que, portanto sempre tenderíamos ora para o excesso ora para a falta) que por causa da terapia tendemos um pouco para o excesso ou para a deficiência e lembra-nos de algumas práticas próprias dos místicos judeus que para conseguir manter uma constância no exercício da piedade inclinava-se para um extremo por meio de jejuns e abstinências variadas e o afastamento da vida social.
E como bom médico lembra que essas praticas são um tratamento para as disposições de caráter, um modo de exercitar a piedade através da austeridade de modo que a dignidade possa ser preservada.
“Se ele vissem que – devido à corrupção das pessoas da cidade -, seriam corrompidos através do contato e vendo suas ações e que o contato social com eles traria corrupção aos seus próprios hábitos morais, eles se retiravam a lugares ermos onde não havia homens ruins.” (op.cit.p. 27)
Deste modo podemos aproximar o tratamento de Maimônides à vida retirada, cara aos estóicos para o cultivo da filosofia tornando- os aptos à filantropia que é o amor pelo bem comum para a ética da Stóa é não muito diferente da experiência eremítica dos monges e profetas da cultura judaico-cristã.
Mas deixando de lado estas divagações que nos faria se perder na exposição da cura sui de Maimônides.
O filósofo como dizia, adverte que este exercício não precisa ser feito por quem não está doente e cita o exemplo dos ignorantes que vêem os que praticam estes exercícios com o fim de curar a alma, mas não sabem que se trata de um remédio e querem imitá-los mortificando seus corpos como se Deus contenta se com tal coisa. A metáfora empregada pelo rabino Moisés é a imagem do homem que vê o médico tratando uma pessoa mortalmente doente com um remédio e exigisse deste doente jejum para restabelecer a saúde e pensa que tal tratamento o fará ter ainda mais saúde, o que não acontece, pois, com efeito, quem está são e toma um remédio acaba adoecendo.
Percebe-se, portanto, que a busca pelo ponto de equilíbrio é uma atividade de instrução da alma para o bem, no âmbito moral para a prática da virtude, no âmbito antropológico para a realização da nossa humanidade, de modo que este exercício nos torna senão plenamente apto a vida social, ao menos o mais próximo de uma atitude humana.
O fim último de toda prática moral, da ação ética como parte integrante dos exercícios espirituais da filosofia não é muito diferente da experiência mística na vida religiosa.
É por isso que ele nos lembra: “De fato, o objetivo da Torá (lei de Moisés corresponde ao Pentateuco cristão) é que o homem seja natural, seguindo o caminho do meio. Ele deverá aderir ao meio quando come o que for seu para comer, quando bebe o que for seu para beber e quando tiver relações sexuais com que lhe for permitido manter relações sexuais.” (MAIMÔNIDES.Op.cit. p.28)
Veja que a ideia é que o homem seja natural, ou seja, exercite sua humanidade junto aos demais homens, respeitando se e respeitando os outros.
O que eu fiz comigo mesmo foi exatamente por em prática esse tratamento aliado ao remédio estóico, claro que ainda estou no inicio do tratamento, mas posso dizer que funciona, consegui neutralizar boa parte dos sintomas e tratá-los, com tempo quem sabe não irei eliminá-los por completo.

BIBLIOGRAFIA:

MAIMÔNIDES. Introdução à ética dos Pais trad: Alice Frank. São Paulo: Maayanot,1992