sexta-feira, 8 de março de 2013

Rosas do meu Jardim II


Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação.
Para as rosas do meu jardim devoto a minha atenção.
Porque é graças ao teu perfume,
Aroma doce e suave que minhas manhãs e noites são mais agradáveis.
Porque é graças a suavidade transparente do seu carinho
que as minhas manhãs e noites tem sabor de pêssego fresco e maçã verde colhida no pé.

Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação.
As vezes elas não sabem o que sinto, outras vezes até sabem e fingem não saber.
Ah! Rosas perfumadas e delicadas que dão vida a minha vida não sabem o que sinto ao vê-las
Nem a alegria que sinto de desfrutar de vossa amizade!

Para as rosas do meu jardim todo o meu afeto e inclinação
Porque sem elas não haveria inspiração ao poeta cheio de amor.
Nem haveria palavras que nos ensinassem o que é delicadeza e ternura.

Para as rosas de minha vida, mulheres amigas, mães devotadas, namoradas amorosas.
Para as rosas de minha vida, mulheres especiais que dão beleza ao meu mundo.
E partilham no seu existir a harmonia do universo inteiro em gestos simples de carinho.
Rosas multicoloridas que alegram o jardim da minha vida se abrindo em beleza.
Para estas e todas as rosas de todos os jardins todo o meu afeto e inclinação e admiração,
Feliz és tu mulher e não apenas no dia 8 de Março, mas todos os dias.

Brener Alexandre Gonçalves 08/03/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Amor amizade II



Ah, como eu queria que as mãos dadas prevalecessem sobre a nudez de nossos corpos!
Que o desejo fosse a simples força motriz e não o fim último da afetividade que nos une.
Que a palavra amor fosse sinônimo de cumplicidade, respeito e união e que as mãos dadas traduzissem o que sinto por você.
Não é que a nudez dos nossos corpos seja um mal, apenas gostaria que não fosse só isso.
A nudez é por vezes o símbolo da entrega pura entre duas almas que se desejam unidas, mas também é o sinal sórdido da expressão fisiológica do desejo.
Entre aromas e sensações que a nossa mente procura incansavelmente para se satisfazer fantasiando entre imagens impressas em nosso DNA.
Ah, a fantasia! A materialização da vontade, autônoma, corajosa e por vezes pragmática!
As mãos dadas não são só carinho, só união fraterna, as mãos dadas é o encontro de dois mundos contraditórios que buscam coexistência e coerência, extrapola a lógica da razão e pintada com a beleza mítica da narrativa extraordinária suplanta a mais superficial das emoções em troca do mais profundo laço de respeito e cuidado para com o outro.
Não, não é que eu não saiba que o limite entre o sagrado e o profano é tênue, uma linha imaginária que só enxergamos quando nos convém.
A verdade é que o sagrado e o profano no amor são dois lados da mesma moeda, o profano está contido no sagrado. Por isso não acredito que um seja melhor que outro, os dois são um só e mesma coisa!
De mãos dadas eu não te vejo como objeto que vai me realizar, mas te vejo como alguém que quer ser realizada junto comigo, somos partes do macrocosmo sendo um microcosmo sempre a beira da primeira explosão que vai dar o pontapé inicial para uma série interminável de aspirações e fantasias, interminável entre aspas, porque somos finitos e isso nos diferencia e muito do desconhecido do cosmos, ou talvez sejamos infinitos na finitude, porque o “eu” também é desconhecido, o eu é a grande matéria escura dos nossos desejos!
Que as mãos dadas sejam como dois elos fortes do nosso amor, que o meu toque suave das minhas mãos seja a transparência dos meus sentimentos por você para que a minha nudez seja como o rio de água cristalina e te permita ver o máximo que o meu “eu” possa te revelar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias de Janeiro


 
Engraçado como as lembranças afluem pela minha mente a fora nesta época do ano.
Não por ser Janeiro, mês que os antigos romanos consagraram ao deus Janus responsável pela renovação dos ciclos.
Não!  As minhas lembranças não afluem porque desejo renovar os ciclos da minha vida como se suplicasse ao deus que me ajudasse a ser melhor.
Na verdade, em alguns períodos específicos fico tomado pela nostalgia. Em dezembro e janeiro o cheiro e o barulho da chuva, o céu nublado, as frutas da época, tudo me lembra minha chegada ao bairro planalto em mil novecentos e noventa em dois.
Me mudei é verdade em janeiro, chegando ao altiplano  bairro na manhã do dia onze do ano citado, não chovia aquele dia e tudo era novidade, eu tinha apenas oito anos quando me mudei do bairro eldorado em Contagem para o Planalto em Belo Horizonte.
Naquela época minha rua tinha poucas casas e poucos vizinhos, mas os poucos sempre foram preciosos e quando se tornaram muitos foi como se os poucos amigos rendessem, não tenho caderneta de poupança de amigos, mas se tivesse diria que o aumento é fruto do investimento e do saber cultivar o pouco que me foi confiado.
Como eu dizia o cheiro da chuva, o céu nublado me enche de lembranças especiais da infância. Memórias que me acompanham desde mil novecentos e noventa e dois, não que os anos anteriores não tenham me deixado lembranças boas, mas é que estas lembranças me foram marcantes, porque eu tinha um enorme quintal com goiabeira, mangueira, abacateiro e um mundo de árvores frondosas e uma escada enorme. Para uma criança que passou a primeira infância em um apartamento no Serra Verde e três anos morando em uma casa espaçosa, mas que não tinha árvore alguma e um quintal não tão grande e sem contar que não morava em casa própria tudo aquilo era novo e enchia-me os olhos. Até as lagartas que caiam das árvores aos montes, eram meio que minhas primeiras mascotes na casa nova me causavam admiração, e naquela época não conhecia o tauma aristotélico se quer sabia o que era filosofia, a única filosofia que praticava era brincar e contemplar a chuva que caia.
Ah, a chuva! Chuva de Janeiro digna do velho Janus, chuva que vem pra renovar a vida e refrescar o calor, um brinde ao sol! E um brinde à chuva! Que me proporcionou tantas vezes brincar na enxurrada e fazer barragens com os meus amigos!
Não é só Janeiro, Dezembro e também junho-julho e setembro-outubro trazem boas lembranças, afinal é difícil não pensar no natal da época de quando meu avô Chico era vivo, ou das primaveras na piscina seja na casa do Daniel, alcunhado ruivo ou do Diogo, Outubro e as semanas da criança. Os aniversários, ah! Os aniversários como esquecê-los!
O cheiro da chuva repito, o céu nublado, o aroma da goiaba e da manga, jabuticabas, papagaios, kinder ovos a cinqüenta centavos e depois a hum real... fandangos, super Mário, Sonic, Street fighter ah! Como posso ter tantas lembranças despertadas por cheiros e sensações que só estão vivas na minha mente!
Parece que foi ontem que me mudei para o planalto, parece que ainda tenho meus oito, talvez dez ou quem sabe doze anos. Parece que eu não cresci, que o tempo não passou, que eu ainda vou a escola e quando as férias chegam sinto o cheiro da água da chuva tocando o solo quente só para me trazer a nostalgia dos longínquos vinte e um anos de morada eclipsada por um pequeno interstício de quatro anos, mas que pareceram dez e que me fizeram ainda mais perceber que o cheiro da chuva e o cinza que tinge o céu do planalto são partes integrantes da minha história, ainda que não seja a mesma chuva e o mesmo cinza, os mesmos ventos e talvez os mesmos amigos, o que importa é  que é o mesmo  bairro, mesmo que não seja a mesma casa. Importa que sejam as mesmas lembranças ainda que eu não possa revivê-las, não mais que no meu íntimo.


Brener Alexandre Gonçalves, 15/01/2013

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Pain V



Por que a felicidade tem de estar associada a um bem- estar?
Está é a pergunta que tentarei responder no quinto caminho da dor.
Já disse em outros lugares que a palavra felicidade tem sua origem no latim felicitas derivada de Felix que significa alegria, contentamento.
A filosofia quando indaga a finalidade da existência do homem e busca justificar suas ações indaga sobre a felicidade. É verdade, que o que chamamos de felicidade é para os gregos eudaimonia que em nada tem a ver com esse sentido de felicidade, mas antes tem a ver com um êxito alcançado de modo que a vida ganhe o seu sentido.
Pode-se objetar, é claro, que a pessoa que alcança êxito na vida realizando-a sente prazer. De fato, há um prazer, mas este não é um estado ou condição constante na existência. Pois o êxito é fruto de uma ação que para ser adequada ao fim desejado exige de quem o realizará o esforço, o sacrifício para que o êxito seja finalmente alcançado.
No fundo a felicidade não pode ser uma sensação de gozo eterno em vida, pode o ser depois desta vida, mas não nesta vida e por que?
Porque o mundo é cheio de contingências que precisam ser superadas para que o êxito venha. Pessoas que pensam que a felicidade consiste num tipo de gozo permanente são pessoas que fogem destas contingências. São pessoas incapazes de resolver problemas sozinhas, não podem sentir dor, não podem receber um não, não sabem escutar uma crítica, não se engajam em nada, não se envolvem profundamente com ninguém.
A felicidade se relaciona com o trabalho, com o esforço pessoal e coletivo. Pessoal porque cada um na medida em que quer agir o melhor possível se pautara por buscar escolhas melhores.
Coletivo porque a própria sociedade tem que nos dar as ferramentas necessárias (educação) para sermos capazes de escolher o melhor e incentivar o melhor em nós.
Os pais devem conduzir seus filhos para o respeito e os hábitos sociais tanto quanto o professor os pode reforçar através do conhecimento das ciências humanas e exatas.
É preciso que os pais compreendam que o não, e as derrotas que a vida podem eventualmente impor aos seus filhos não farão deles fracassados, mas eles serão fracassados senão souberem lidar com a derrota, nem com as perdas.
Embora Nietzsche pensasse que a humildade só sustenta uma moral de fracos eu a exalto como moral dos fortes, porque tem que ser muito forte para ser capaz de reconhecer uma crítica que te fará crescer, é mostra de grandeza demonstrar complacência por aqueles que se rebaixam para te ofender e mostra verdadeiro humanismo quem é capaz de resgatar o ser humano da vergonha e da escravidão ( imposta sobretudo ideologicamente).
“Sem sacrifício não há vitória” meus amigos! Se quiseres ser feliz, não tenha medo de enfrentar a vida, a corça de Esopo querendo fugir acabou no covil do seu algoz.
A felicidade não está no prazer, ao menos não nesta vida, a felicidade é a equação bem resolvida da vida que não pesa a dor como mal e o prazer como simples bem, mas entende que há diferentes dores e prazeres que apesar do nome cada um é um ser diferente realizando na complexidade do cosmos sua finalidade, a de avisar que algo não vai bem ou que fizemos algo errado ou de nos enganar para que passando dos limites conheçamos a dor.