quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Impronunciável

O impronunciável é o outro lado do silêncio, lado oculto da lua do indizível, o mistério que o fundo do abismo aponta.
Digo do silêncio que vela a troca de olhares sem palavras, mas o corpo fala de uma forma ou de outra.
Impronunciável é o que o silêncio diz; intervalo entre o que é permitido falar.
Me faltam palavras, me falta coragem, pois tenho medo em abundância de te perder.
Impronunciável é o que só o silêncio pode dizer, porque impronunciável é o que eu não consigo dizer, seja porque não sou capaz de compreender e explicar, seja porque é difícil de falar.
Ah, se eu não fosse tão ferido, se não houvesse traumas e se a alma fosse inteira!
Se o coração não estivesse em pedaços e destituído de sua totalidade e inteireza pudesse expor argumentos que o impulsionam para frente quase sem olhar para trás! Digo quase porque ainda olho para trás receoso de me lançar no desconhecido que se me apresenta... Frustrado todos os dias por sentir que a minha existência não é nada mais que misérias e incertezas subo no palco dessa tragédia na expectativa de logo ver o seu fim, isto é, o meu fim.
Impronunciável é silêncio que me trai e atrai para a angustia vociferante que a existência me impõe, lúcida e ácida que me desintegra cada vez que escuto o som surdo do silêncio que ecoa dos teus lábios.

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