segunda-feira, 31 de julho de 2017

Eu queria

Eu queria um abraço,
apertado e sincero.
oferecido com esmero.

Eu queria um beijo.
molhado,
casto,
de amor verdadeiro.

Eu queria um abraço,
meus braços entrelaçados.
Eu queria um beijo,
dois lábios encostados.

Eu queria não querer,
ter você,
Eu queria não te perder.
Eu queria que a saudade,
fosse um sonho,
um pesadelo.
Que a distância que machuca.
não me deixasse com medo.

E que toda falta que alguém nos faz
fosse maldade.
E que a ausência não tirasse a paz.
de verdade.

Eu queria um abraço,
um beijo,
um sonho,
um desejo.

Eu queria sorrir com franqueza.
Sem medo, pura gentileza.
Eu queria não querer,
estar com você.
Brener Alexandre 30/07/2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Minhas fraquezas

Tenho queda pelas flores,
Pela tua beleza,
Tuas pétalas e odores.

Tenho queda pelo teu sorriso,
Pelo carinho dele emanado,
Amor suavizado,
No riso caprichado.

Tenho queda pelo teu sorriso repito,
Que feito flor se abre ao risco.
De ser colhido por quem olha.
A beleza que nele aflora.

Tenho queda pelas flores.
Que feito sorriso se abre a luz do olhar.
E faz a gente se encantar.
Com a vida que brota com simplicidade
E nos ensina a olhar diferente a cidade.

Minhas fraquezas,
O teu sorriso e as flores.
A acolhida e os odores.

Minhas fraquezas,
Extirpam a frieza.
Que percorre os dias de inverno
E me livra do inferno.

Minhas fraquezas,
Flores, incertezas.
Teu sorriso,
Como a curva sinuosa de um rio.
Me deixa perdido.

Tenho queda pelas minhas fraquezas,
Por você e a tua beleza.
Flor-mulher que me encanta.
Mulher-flor que se abre,
Ao belo,
Ao divino,
Ao brilho do meu olhar atrevido.


Brener Alexandre 19/07/2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Correio elegante

Queria ver o teu sorriso para cada verso que escrevi para ti.
Cada verso de bom dia.
Cada palavra de alegria.
De falar contigo,
De ser teu amigo.

Queria ver como cada verso meu te alegrava.
Como cada palavra te tocava.
Colocava neles a minha ternura.
Como um timbre de voz suave.
Carinho gratuito, cordialidade.

Queria ver como os meus versos te acordava,
Para a vida,
Para a beleza,
Para a certeza de sentir-se amada.

Não tive o prazer de ver-te com sono.
De imaginar-te em tamanho abandono.
Entre a preguiça e a tranquilidade.
Ah, que saudade!

Em tantos versos que escrevi por estima
E tudo o que eu queria...
Era que fossemos amigos,
Enamorados,
Cumplices um do outro.
Amantes apaixonados.

E acredito que em cada verso ainda almejo,
Seu sorriso,
Seu abraço,
Seu amor em segredo.

Contado nesse correio elegante.
Nunca enviado,
Ele permanece guardado.
Como os versos que te mandei,
Os versos que escrevi sobre ti.

Brener Alexandre 18/07/2017



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Amor secular e amor cristão - A linha de passagem entre duas formas de amar

Amor secular e amor cristão – A linha de passagem entre duas formas de amar

Vi perambulando pelas redes sociais a seguinte frase: “Uma geração de jovens com menos de 18 anos com a vida emocional destruída por buscar um amor em pessoas, um amor que só encontramos em Jesus”. Deparei-me com dois problemas ao ler essa frase, uma de ordem ética e outra de ordem teológica. E gostaria de refletir sobre esses dois problemas para que possamos entender o porquê dessa frase não exprimir de modo adequado aquilo que os apóstolos, principalmente São Paulo ensinaram sobre a vida cristã e o amor tal qual é compreendido no cristianismo.

Começarei pelo problema teológico, pois ao resolvê-lo o problema ético se dissolverá quase que automaticamente. A questão teológica que se coloca de forma problemática na frase citada diz respeito ao conceito “amor” usado no texto.  A palavra amor é usada com dois sentidos distintos ao falar dos jovens que tem a vida emocional destruída por buscar “amor em pessoas”, o autor fala do amor cuja perfeição provém de Deus, mas que nas relações humanas se dá sempre de modo imperfeito. Desse modo o amor manifestado entre os jovens é nesse caso um amor romantizado, idealizado e carregado de “erotismo”. Por erotismo não é necessariamente o conjunto de práticas que chamaríamos de “sexuais”, mas um conjunto de práticas que envolvem a atração, física e ou intelectual que gera e desperta o interesse entre os jovens.
Enquanto o amor em sua forma acabada e que só pode ser “encontrado em Jesus” seria algo superior, e portanto, jamais se encontraria nessas relações imperfeitas. A concepção teológica que estamos esboçando nessa análise remete diretamente no plano existencial, pois os jovens estão tentando preencher um vazio de ordem existencial com um amor imperfeito. Por outro lado, esse preenchimento só é possível e encontrado em Jesus. Tal é a situação- problema que se apresenta para nós.

O grande problema teológico que se coloca no que tange o conceito de amor é que a vida cristã é orientada desde o início da Igreja para refletir nas relações interpessoais o amor de Jesus. Isso é ainda mais evidente quando compreendemos a dimensão comunitária da Santíssima Trindade na qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo se tornam o modelo comunitário por excelência baseado na relação de amor e equidade de todos para com todos. Desse modo, o amor secular é sempre imperfeito, mas não o é porque meramente não reflete essa relação trinitária perfeita, mas porque o amor secularizado principalmente na sua dimensão erótica é sempre amor interessado, ao passo que o amor na sua forma acabada é sempre desinteressado. Há outro aspecto que não nos pode escapar de vista, o sentido hebraico, vale dizer, dentro da tradição judaica da palavra “amor” é bastante diferente dos usuais grego e latino.

Vamos resgatar esse sentido? Para entendermos o sentido bíblico-teológico do amor na vida cristã. No livro do Deuteronômio encontramos “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5). E em Levítico está escrito “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Esses dois trechos da lei de Deus são retomados pelo evangelista Lucas e introduzem a parábola do bom samaritano (Cf. Lc 10, 25-37). A parábola ensina o que é ser “próximo” de alguém, e entender essa lição implica compreender o significado do amor pedido pela lei de Deus. Um amor que não é um mero gostar, um simples sentimento, mas é um agir de santidade que se expressa como “fazer bem”, oferecer o melhor que somos e possuímos para o outro. O primeiro Mandamento é uma radicalização do segundo quanto a intensidade, pois só a Deus é reservado um amor e cuidado que tome todo o nosso ser. Ao próximo cabe fazer o bem que fazemos a nós mesmos. Assim, o reconhecimento ético do outro como próximo passa pelo fazer-se próximo do outro.

Desse modo a regra de ouro (Cf. Mt 7,12) exprime o aspecto ético dos mandamentos divinos, uma ética profundamente teológica em que o amor não tem por primazia uma afetividade ingênua, mas um agir movido pela santidade. Santidade exigida pelo próprio Deus: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus sou santo” (Lv 19,2). Santidade que o evangelista Mateus traduziu como perfeição. “Sede, portanto, perfeitos como vosso pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) e Lucas traduz por misericordioso: “sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Ambos evangelistas traduzem a santidade, pois a perfeição de Deus se exprime como santidade na forma da justiça seja dentro do horizonte legalista que Mateus quer combater ou de Lucas que escreve a Teófilo um amigo seu de origem grega. No caso de Lucas a perfeição de Deus se manifesta principalmente em sua capacidade de se compadecer dos homens, coisa que no horizonte religioso da Grécia pagã era algo inconcebível. Seja em uma concepção filosófica das religiões pagãs, seja na religião tradicional a divindade jamais se importaria com os seres humanos. Para a compreensão filosófica um deus que se importa com mortais não preenche o requisito perfeição, pois sendo uma divindade só poderia se preocupar com coisas eternas e perfeitas como ele mesmo. E para a religião tradicional os deuses são em suma egoístas demais para se importarem com mortais, para eles meros acessórios que satisfazem suas vontades pelo culto ou pelos seus próprios interesses. Em outras palavras, os evangelistas ao compreenderem que a santidade é uma perfeição que se exprime como justiça e misericórdia abrem um novo caminho ético que estava presente na cultura judaica, mas que ainda não havia ganhado o significado universal que o cristianismo por si só pode alcançar.

Portanto, há uma intima relação entre o amor a ser encontrado em Jesus que o texto sugere e a prática desse mesmo amor entre pessoas que aderem ao cristianismo. A própria sacramentalidade do matrimônio depende da prática desse amor, pois o matrimônio é o sacramento que imita a relação unitiva entre Cristo e a Igreja (sem contar a relação de complementaridade expressada em Gn 2,24). A natureza teológica do amor é fundamental para todas as relações cristãs no âmbito pessoal e social e precisa ser cultivada como parte de um exercício que tem Deus como fonte da qual brota a referência do justo e do direito expressos no modo de ser de Deus em sua essência e constituição ontológica e não como meros acidentes ou atributos que complementam o que Deus é.

Traduzindo em miúdos se levássemos essa frase as últimas consequências somente religiosos que se dedicam inteiramente a vida religiosa (consagrados, padres etc) encontrariam esse amor de que a frase fala com tanta leviandade. Afinal, nas relações entre pessoas dificilmente encontraremos esse amor abstrato. No entanto, quando aprendemos a ser “imitadores de Deus como filhos queridos” como pede o apóstolo Paulo aos efésios que insiste “vivei no amor, como Cristo também nos amou e se entregou por nós como oferenda e sacrifício de suave odor” (Ef 5,1-2), então, nos tornamos capazes de experimentar esse amor que é “benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho” (1Cor 13,4).

O grande problema dos jovens com mais ou menos de 18 anos no que se refere ao amor, sejam cristãos ou não cristãos, é que transformam o ato de amar em algo imanente e totalmente voltado para a satisfação de si. Até mesmo as amizades tem se válido desse modus operandi e faz com que os laços se tornem muito finos e efêmeros começam e somem sozinhos. Nas relações interpessoais o cristão é convidado a amar como Cristo ama a Igreja ou o próximo (Cf. Ef 5,25 e Jo 15,12). O amor secular busca obter benefício em todos os sentidos possíveis. Normalmente tem caráter imanentista e recusa ou diminui o papel de um ser transcendente como modelo que orienta a ação e garante sentido.

A frase, entretanto, exprime em um sentido mais fraco (que creio ter sido a intenção de seu autor) uma verdade inegável. Em Jesus encontramos o modelo do amor de Deus que devemos imitar. Nele os jovens, adultos e idosos e crianças encontram a forma basilar e mais perfeita do amor que é justamente o bem querer e o bem fazer que nos faz próximos uns dos outros. É preciso, portanto, fazer a passagem do amor secular para o amor cristão. Os cristãos são chamados desde o batismo a viver essa experiência que nos santifica. A santidade não é um alto grau que nos separa do resto da humanidade e que nos permite julgar e condenar os que não alcançaram esse estado de vida, ao contrário, a santidade é um convite à virtude na qual nunca estamos totalmente conscientes da nossa santidade e a vemos sempre como processo de uma caminhada que precisa ser feita em íntima relação com Deus (na oração e na vida mística) e que deve refletir nas nossas relações interpessoais fazendo valer os mandamentos de Deus como o pedido de um pai que quer ver seus filhos se dando bem uns com os outros. Se possível gostaria de retornar a esse tema, mas por hora ficaremos por aqui.


Brener Alexandre 07/07/2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aeternum


A roda do tempo parou para mim.
Vivo o tempo sem começo nem fim.
Estagnado,
tudo está parado.
Naquele dia da semana.
Naquela noite derradeira.
Como um sonho que dura a noite inteira.
A roda do tempo não quer mais girar.
Enquanto você não falar.
Enquanto você não me amar.
Enquanto você não me odiar.
A roda do tempo parou pra mim.
Naquele dia infeliz.
De lágrimas nos olhos e coração partido.
De espera silenciosa sem dar sorriso.
A roda do tempo estagnou.
E estragou,
A vida e fez a minha sina.
De viver o passado no presente,
Sem futuro a minha frente.
De viver morto a vida.
E incapaz de achar a saída.
Do labirinto da eternidade.
De dar um passo a frente sem saudade.
Preso no tempo para sempre.
Condenado a morte entre os viventes.
Brener Alexandre 05/07/2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Janela aberta

Deixei a janela aberta.
Quero que saiba que eu estou em casa.
Porque a saudade que tenho de ti aperta.
E tuas pegadas somem como fumaça.

Deixei a janela aberta e a luz acesa.
Porque tenho medo da solidão.
Porque às vezes o silêncio queima.
E tua ausência é parte da minha escuridão.

Deixo a janela aberta e não apenas uma fresta.
Está escancarada, e não entreaberta.
Porque a janela anuncia a minha espera.
Te convida e não segreda.

A Janela está aberta.
É canal de comunicação.
Mesmo em silêncio.
É a linguagem do coração.

A janela te conta em segredo.
Sussurra no ouvido dos teus olhos,
Os meus medos meus anseios,
Minhas alegrias minhas tristezas.
Te fala no silêncio tagarela.
Do que acredito e a minha alma professa.


Brener Alexandre 03/07/2017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Florescer

Deixa crescer naturalmente a flor dos teus talentos.
Deixa-se voar e ganha alento.
Sublime natureza para o pensamento.
Oferecer os dons,
Os sons.
Tudo isso é ser sendo.

Deixa crescer naturalmente a flor dos teus sentimentos.
Deixa-se guiar pelo sol no firmamento.
Sublime natureza para o coração.
Oferecer o que sente,
Como semente.
Tudo isso é bonito, é emoção.

Deixa crescer em ti,
Deixa-se crescer,
Florescer!

Deixa acontecer a natureza é assim.
Brota e exorta!
Surge e urge!

Deixa crescer naturalmente no coração e na mente
Oferece teus dons como se planta uma semente.
Deixa-se se guiar pela tua intuição.
Entregue seu coração com emoção.
A natureza é caminho a ser seguido.
Como o girassol olha o sol de mansinho.

Deixa florescer em ti e em mim.
O calor do encontro,
Sem riso pronto.
A esperança plantada.
Em cada flor que brota,
No jardins da memória.

Se queres florescer.
Deixa-te crescer.
Permita-se amadurecer.
A semente morre para viver
Morre para o que não é vida verdadeira.

Deixa acontecer naturalmente.
A emoção que brota no coração e na mente.
Deixa brotar a semente.
Dos laços brotados,
Do afeto plantado,
Dos talentos cultivados.

Deixa-se florescer,
Para a sua beleza se mostrar
A flor do teu ser vai desabrochar
E atrair para si
O beija-flor que vai te nutrir
Multiplicando os dons,
Os sons
A ternura
A tua brandura.


Brener Alexandre 26/06/2016

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cicatriz em forma de cruz III

Na alma um rasgo.
Feito no passado.
Marca para a vida.
Das lembranças sofridas.

Um corte entrecruzado
Uma cruz, uma dor.
Um sofrer, sem rancor.

Ferida cicatrizada.
Sangra em lágrimas.
Dois cortes uma história.
Entrecruzada:
No amor,
Na dor,
Morte de um espírito.
Um fantasma entre os vivos.


No encontro dos cortes
Uma dor de morte
O passado marcado
Se encontra com o presente deixado.
Na carne da alma,
Na pele do ser,
Entre gemidos silenciosos.
E na tristeza de te perder.


Brener Alexandre 23/06/2017

Rosa Amarela

Vi a rosa amarela e a sua beleza nela.
formosa e singela.
A rosa é delicada como um sorriso.
suave como um suspiro.
Na sua fragilidade vi força.
lembrou me o abraço de uma moça.
Abraço apertado,
delicado,
entrelaçado.
O teu aroma guarda um segredo.
É a beleza convertida em cheiro.
atrai para si olhares e admiração.
Notada desperta a paixão.
A rosa e ti são iguais.
Não despertam em nós desejos banais.
Tão belas que são despertam em nós,
alegrias que fazem pulsar o coração.
Seu perfume em nós desperta,
A emoção do encontro entre os olhos e a beleza.
Brener Alexandre 20/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sorriso Esboçado

Um rascunho de alegria malogrado.
Num sorriso esboçado.
Felicidade contida entre os lábios.
Inseguro e agarrado.
Preso, contido.
Um simples sorriso.
Fere mais que espada
Queima mais que o fogo.

Um rascunho de interesse proibido
Num sorriso inocente.
Sinal que comunica para as gentes:
A alegria em ver um rosto amigo.
O olhar terno que descobre a beleza do outro.
A felicidade do ser pessoa.
Alegria aprisionada no medo.
Tímida, enclausurada.
Ferida a espada,
Ou à bala.
A queima roupa,
Fulminante.
Como um infarto, um derrame.

Um sorriso esboçado,
Alegria imperfeita
Felicidade desfeita
Do amor aprisionado
Pela distância dos olhares
Pela covardia insistente
Instigada pela solidão latente.


Brener Alexandre 12/06/2017

domingo, 11 de junho de 2017

Persuasão II

Quantos versos são necessários para te convencer?
Quantas lágrimas mudas preciso te oferecer?
De silêncio em silêncio sou engolido.
De lembrança em lembrança sou consumido.
Pela impotência de não poder ficar com você.
Pelas razões que conseguem te convencer.

Quisera eu convencer teu coração.
Com palavras, atos e virtudes, sem ilusão.
Quisera eu te oferecer um caminho.
Com amizade, cumplicidade e carinho.

Nenhum verso te encantou
Nenhuma lágrima te tocou.
Meu silêncio nos emudeceu,
E nas minhas memórias me exilou.

Quão fraco sou em te perder.
Que adianta ter razão e não te convencer?
Sem palavras e sem virtudes.
Sem teu sorriso, sem teu abraço,
Perdido e cansado.


Brener Alexandre - Poema manuscrito em 29/03/2017 e publicado em 11/06/2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Coração dividido

Uma parte de mim se alegra em te ver,
a outra se entristece no sofrer.
Um coração divido,
repartido, feito em pedaços.
Um coração Destruído,
desumanizado.
Uma parte do meu ser te deseja,
outra te rejeita.
Um coração comprido,
entre gritos e gemidos.
vida destituída
de sentido, não vê saída.
Uma parte de mim tem muito a dizer
a outra não suporta te ver.
Um coração consumido,
pelo desejo e pelo medo.
inconformado, atordoado
pelo seu destino.
Uma parte de mim ama você,
a outra não quer sofrer.
um coração quebrado,
não tem conserto
está fadado,
a viver sozinho,
ao chorar solitário
a viver fragmentado.
Brener Alexandre 18/05/2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Entrar ou sair do coração de alguém dói: pequena reflexão sobre as relações humanas

O coração é desde a antiguidade o órgão que representa o ser humano por inteiro, suas dimensões racionais e afetivas, suas virtudes e vícios, ou seja, tudo o que ele é como ser humano em sua humanidade sem fragmentar-se é coração. Por isso, falamos ainda hoje do coração como lugar do nosso ser e não a nossa cabeça embora admitamos ser a cabeça o lugar da razão. A antropologia bíblica e a antropologia filosófica do pensamento arcaico (poesia grega principalmente) atestam o coração como centro da humanidade.

Compreendendo o significado do coração como imagem do nosso íntimo, pergunto: por que entrar ou sair do coração de alguém dói? Como é esse doer? A imagem à qual irei recorrer para responder essas duas perguntas é fruto de um sonho que tive. A imagem é uma dinâmica, exercício no qual realizamos uma experiência concreta do que desejamos ensinar. A imagem foi construída do seguinte modo: um grupo de pessoas formando um aglomerado dentro de uma tenda sem iluminação interna. A pessoas entravam e não saiam inicialmente, quem estava do lado de fora não ouvia barulho vindo da tenda, era como se ela tivesse isolamento acústico.

As pessoas eram convidadas a entrar na tenda que já contava com um grande número de pessoas. A primeira sensação: medo, porque não sabemos o que acontece dentro da tenda. A segunda sensação: curiosidade, queremos saber o que há no interior da tenda descobrir o que se passa lá dentro. A terceira sensação: coragem, você se dispõe a enfrentar o medo inicial e resolve entrar na tenda. A quarta sensação: o desejo, o desejo te move e você adentra a misteriosa tenda escura.

Essas quatro sensações iniciais não se manifestam nessa ordem e muito menos podem se manifestar todas de uma vez. Pode ser que você sinta apenas medo, ou coragem, desejo ou curiosidade ou nenhuma delas. Dentro da tenda está escuro, você esbarra nas pessoas pode tropeçar no meio delas enquanto entra na tenda, pode até se machucar com uma cotovelada, tapa, soco, chute e com muitas agressões voluntárias e involuntárias. Isso acontece porque não sabemos com o que ou quem estamos lidando dentro da tenda e nesse percurso é parar dentro da tenda no oculto da escuridão ou caminhar para achar a saída, só há duas possibilidades ficar ou sair. Se sairmos ou ficarmos haverá consequências, ninguém escapa ileso da tenda. Quando se sai, a saída é sempre angustiante, dolorida, saímos marcados no corpo, na alma pela experiência de andar entre tantos na escuridão. Essa é a imagem que a dinâmica propõe, e o que ela ensina?
Entrar na vida de alguém, isto é, entrar no coração de alguém é entrar nessa tenda, a gente não sabe o que vai encontrar, e nem sabemos se vamos ser capazes de permanecer.

As quatro sensações experimentadas antes de entrar são as sensações que podemos sentir dentre tantas possíveis quando conhecemos alguém. É natural que tenhamos medo, curiosidade, coragem e desejo em relação às pessoas que conhecemos. O medo por não saber o que esperar, ou como as pessoas irão reagir. A curiosidade de saber como é conviver com aquela pessoa ou de entrar no universo da vida dela. A coragem e o desejo de se arriscar e investir na relação. Em suma, são os primeiros passos em qualquer relação humana.
A tenda é escura porque assim como o coração de qualquer pessoa nós somos incapazes de saber quantas pessoas ali habitam, quantas tem um lugar especial na vida do outro quantas pessoas estão disputando o mesmo espaço no coração de alguém. Por isso ao entrar e caminhar no coração de alguém ficamos sujeitos a todo tipo de “agressão” algumas voluntarias fruto da disputa pelo lugar, outras involuntárias fruto do nosso querer que nos põe em conflito com o que não compreendemos ou aceitamos na vida do outro, o ciúme, a inveja, a insegurança são alguns dos elementos que podem nos machucar nesse processo.

Desse modo, só há duas possibilidades. Sair ou ficar, em ambos os casos haverá conflito, haverá disputa por espaço, mas quando sair haverá a frustração e as marcas da experiência gerada pela tensão no interior do coração do outro.

O coração é lugar da intimidade, e sempre haverá disputas quando queremos fazer parte da vida de alguém. Entrar ou sair do coração de alguém dói, portanto, porque implica saber caminhar em território desconhecido no escuro confiando no convite para permanecer com. Se não somos capazes de fazer essa experiência de confiança somos expulsos do coração por nós mesmos, que provocamos a nossa expulsão. Essa dor é a frustração, mas também é a dor do medo e da insegurança que são constantes em nossas vidas principalmente quando não confiamos em nós mesmos e refletimos essa desconfiança nos outros.


Brener Alexandre 13/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Amigo Secreto

Quero ser seu amigo secreto
Conversar contigo no silêncio da alma
Quero ser seu teu companheiro em segredo
Contemplando sua beleza a minha volta.

Não escolhi ser teu amigo oculto
Foi tu que me chamastes primeiro
Me falas no silêncio que grita
Me contemplas na história fugidia.

Quero ser seu amigo secreto
Te falar no segredo da intimidade
Te acompanhar aonde fores
Contemplar todos os teus passos,
De alegria e dores.

Deixa-me ser teu amigo,
Em segredo, escondido.
Deixa-me te amar no silêncio
Com os olhos, com o sorriso
Em segredo, escondido.

Deixa-me ficar contigo
No escuro
No oculto
No coração.

Deixa-me ficar contigo
De verdade,
Com emoção,
Com verdadeira paixão.

Quero ser teu amigo secreto
Te amar em segredo
Escondido
Na intimidade
Com sinceridade.

Quero ser teu amigo secreto
E dar-te
O meu amor,
Minha amizade.

Quero ser teu amigo oculto
E presentear-te
Com a partilha
Com a minha solidariedade.

Ser teu amigo em segredo
E oferecer-te
Com generosidade
O meu afeto
A minha companhia
Sem saudade
Com alegria
E fidelidade.


Brener Alexandre 04/04/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pulsão de morte

Às vezes tenho desejo de partir
Às vezes tenho vontade de sumir
Tenho sede de paz
Fome de silêncio.

Às vezes tenho vontade de falar
Às vezes tenho vontade de berrar
Desatar o nó da garganta
Estou engolindo a falta de esperança.

Às vezes penso que não deveria ter nascido
Que não deveria ter entrado no mundo ter sido concebido.
A alma dói
O coração sangra.

Entre a vida e a morte
Entre o desejo e a sorte
Impulsionado pelo destino
Fugindo dos meus desatinos.

Às vezes quero inexistir
Às vezes quero sorrir
E não consigo
E finjo
E choro.

Às vezes quero me esconder
Porque tenho medo
De viver
De sofrer.

Às vezes a vida me empurra
Entre vontades absurdas
A emoção violenta
A pulsão sangrenta
Desejo de morte
Desejo de fim da existência.


Brener Alexandre 03/04/2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Sonho agridoce

Sonhei com a beleza da nossa amizade
Sonhei com a fragilidade do meu amor
Você apareceu na cidade
E sua presença provocou-me uma dor.

Uma carona, e tua companhia.
Um sorriso que me tranquiliza.
Paz era o que eu sentia.

Sonhei com um futuro inexistente
Daqueles que brota no coração da gente.
Sonhei com a vida que a gente merecia
Juntos, amigos, amantes e nenhum de nós sofria.

Uma festa, e tua presença aguardada
Uma novidade, surpresa, alegria inesperada.
Paz é o nome dessa sensação bem-aventurada.

Sonhei, como a muito não sonhava
O sonho de um presente que você me dava.
Sonhei como a muito não sonhava
Um sono tranquilo em que você me visitava.

Um sonho agridoce
Choque de realidade
Salgado, amargo, suave
A lembrança, a ferida, e a saudade.


Brener Alexandre 23/03/2017

domingo, 19 de março de 2017

Manhã de Nostalgia

Entre chegadas e despedidas
Minha alma permanece plena de nostalgia
Tem saudade do verão de alegrias
E do outono que se anuncia.
Nessa manhã fria.

Tem saudade do teu bom dia
Do sorriso que te ilumina
Da plenitude de nossas vidas.

Entre idas e vindas
O meu coração saudosista
Percebe na ausência
O valor de uma presença
Constante permanência
Que dá vida a minha existência.

Entre tantos caminhos
Tenho saudade de adjetivos
Advérbios e verbos
Proferidos em segredo
Entre duas ou mais almas cheias de medos.

Entre dois caminhos
Duas estradas separadas
Cercadas de espinhos
Pelo destino dispersadas
Porém misturadas como água e vinho.

Nessa manhã fria de nostalgia
Pensava na alegria
Do que foi em algum dia
Do que será em uma vida
Do que nunca existira.

São lembranças entrecortadas
De alegria e tristeza
De encanto e beleza
De saudade amarrotada
Embalada em ilusões
Como a de muitos corações.


Brener Alexandre 19/03/2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Fala do Coração II

Deixa o meu coração te falar
Deixa o meu coração te dizer
Deixa o meu coração se expressar
Ele quer permanecer com você.

Nos versos das minhas elegias
O meu coração chora em rimas
Tua ausência percebida
Teu silêncio tagarela.

Deixa o meu coração te falar
Escute o que ele tem a dizer
No olhar silencioso e apreensivo
Que ele quer ficar com você.

Nos versos e nas rimas
Meu coração chora e grita
Tua partida repentina
Tua solidão presente na minha.

O meu coração quer te falar
Permita-se a ouvir o que ele vai te dizer
Da saudade que sente
E da vontade permanente
De estar com você.


Brener Alexandre 17/03/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Silêncio XII

O teu silêncio me cala
A tua alma me encanta
O teu sorriso me desarma
E o teu olhar me inflama

O meu silêncio me dói
O meu amor me corrói
A minha alma sofrida
Ante teu olhar se arrepia.

O teu silêncio me devora
A tua alma me consola.
O teu sorriso é chama
E o teu olhar me conclama.

O meu silêncio é medo
O meu amor não é apenas desejo.
A minha alma dolorida
Te chama e delira.

O teu silêncio é respeito
De um coração verdadeiro
De uma alma pura
De um olhar de candura.

O meu silêncio é receio
De uma alma com medo.
Que sente o sofrer no amar

O sofrer do poeta
O pensar do filósofo
O rezar do religioso
Tudo é silêncio entre você e eu.
Tudo é vazio entre nós
Tudo é dor para quem ama calado
E não se sente querido e amparado
É mística entre o sagrado e o profano
Entre Deus e o humano
Entre a acolhida e a rejeição
No silêncio e na solidão.


Brener Alexandre 16/03/2017

sábado, 21 de janeiro de 2017

Amor ofertado em flor

Nesta flor te ofereço o amor que sinto,
Nesta flor feita de versos escritos neste recinto.
Nas palavras recitadas em segredo, escondido.
No íntimo do meu quarto, longe dos teus olhos.

Nesta flor o amor é ofertado.
Em silêncio em cada palavra recitado.
Com o coração fora gravado em papel.
Em meio às confusões de babel.

Tantos desentendimentos, silêncios e receios
Tantas palavras entrecortadas entre a realidade e o devaneio.
Uma flor: uma rosa, um lírio
Uma paixão: um desatino.

Nesta flor que te ofereço, ofereço amor e carinho.
Nesta flor feita de versos escritos do meu coração ao seu.
As palavras recitadas em silêncio como uma oração.
No íntimo do meu quarto, longe dos teus olhos
No segredo do meu coração.


Brener Alexandre 21/01/2017