segunda-feira, 26 de junho de 2017

Florescer

Deixa crescer naturalmente a flor dos teus talentos.
Deixa-se voar e ganha alento.
Sublime natureza para o pensamento.
Oferecer os dons,
Os sons.
Tudo isso é ser sendo.

Deixa crescer naturalmente a flor dos teus sentimentos.
Deixa-se guiar pelo sol no firmamento.
Sublime natureza para o coração.
Oferecer o que sente,
Como semente.
Tudo isso é bonito, é emoção.

Deixa crescer em ti,
Deixa-se crescer,
Florescer!

Deixa acontecer a natureza é assim.
Brota e exorta!
Surge e urge!

Deixa crescer naturalmente no coração e na mente
Oferece teus dons como se planta uma semente.
Deixa-se se guiar pela tua intuição.
Entregue seu coração com emoção.
A natureza é caminho a ser seguido.
Como o girassol olha o sol de mansinho.

Deixa florescer em ti e em mim.
O calor do encontro,
Sem riso pronto.
A esperança plantada.
Em cada flor que brota,
No jardins da memória.

Se queres florescer.
Deixa-te crescer.
Permita-se amadurecer.
A semente morre para viver
Morre para o que não é vida verdadeira.

Deixa acontecer naturalmente.
A emoção que brota no coração e na mente.
Deixa brotar a semente.
Dos laços brotados,
Do afeto plantado,
Dos talentos cultivados.

Deixa-se florescer,
Para a sua beleza se mostrar
A flor do teu ser vai desabrochar
E atrair para si
O beija-flor que vai te nutrir
Multiplicando os dons,
Os sons
A ternura
A tua brandura.


Brener Alexandre 26/06/2016

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cicatriz em forma de cruz III

Na alma um rasgo.
Feito no passado.
Marca para a vida.
Das lembranças sofridas.

Um corte entrecruzado
Uma cruz, uma dor.
Um sofrer, sem rancor.

Ferida cicatrizada.
Sangra em lágrimas.
Dois cortes uma história.
Entrecruzada:
No amor,
Na dor,
Morte de um espírito.
Um fantasma entre os vivos.


No encontro dos cortes
Uma dor de morte
O passado marcado
Se encontra com o presente deixado.
Na carne da alma,
Na pele do ser,
Entre gemidos silenciosos.
E na tristeza de te perder.


Brener Alexandre 23/06/2017

Rosa Amarela

Vi a rosa amarela e a sua beleza nela.
formosa e singela.
A rosa é delicada como um sorriso.
suave como um suspiro.
Na sua fragilidade vi força.
lembrou me o abraço de uma moça.
Abraço apertado,
delicado,
entrelaçado.
O teu aroma guarda um segredo.
É a beleza convertida em cheiro.
atrai para si olhares e admiração.
Notada desperta a paixão.
A rosa e ti são iguais.
Não despertam em nós desejos banais.
Tão belas que são despertam em nós,
alegrias que fazem pulsar o coração.
Seu perfume em nós desperta,
A emoção do encontro entre os olhos e a beleza.
Brener Alexandre 20/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sorriso Esboçado

Um rascunho de alegria malogrado.
Num sorriso esboçado.
Felicidade contida entre os lábios.
Inseguro e agarrado.
Preso, contido.
Um simples sorriso.
Fere mais que espada
Queima mais que o fogo.

Um rascunho de interesse proibido
Num sorriso inocente.
Sinal que comunica para as gentes:
A alegria em ver um rosto amigo.
O olhar terno que descobre a beleza do outro.
A felicidade do ser pessoa.
Alegria aprisionada no medo.
Tímida, enclausurada.
Ferida a espada,
Ou à bala.
A queima roupa,
Fulminante.
Como um infarto, um derrame.

Um sorriso esboçado,
Alegria imperfeita
Felicidade desfeita
Do amor aprisionado
Pela distância dos olhares
Pela covardia insistente
Instigada pela solidão latente.


Brener Alexandre 12/06/2017

domingo, 11 de junho de 2017

Persuasão II

Quantos versos são necessários para te convencer?
Quantas lágrimas mudas preciso te oferecer?
De silêncio em silêncio sou engolido.
De lembrança em lembrança sou consumido.
Pela impotência de não poder ficar com você.
Pelas razões que conseguem te convencer.

Quisera eu convencer teu coração.
Com palavras, atos e virtudes, sem ilusão.
Quisera eu te oferecer um caminho.
Com amizade, cumplicidade e carinho.

Nenhum verso te encantou
Nenhuma lágrima te tocou.
Meu silêncio nos emudeceu,
E nas minhas memórias me exilou.

Quão fraco sou em te perder.
Que adianta ter razão e não te convencer?
Sem palavras e sem virtudes.
Sem teu sorriso, sem teu abraço,
Perdido e cansado.


Brener Alexandre - Poema manuscrito em 29/03/2017 e publicado em 11/06/2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Coração dividido

Uma parte de mim se alegra em te ver,
a outra se entristece no sofrer.
Um coração divido,
repartido, feito em pedaços.
Um coração Destruído,
desumanizado.
Uma parte do meu ser te deseja,
outra te rejeita.
Um coração comprido,
entre gritos e gemidos.
vida destituída
de sentido, não vê saída.
Uma parte de mim tem muito a dizer
a outra não suporta te ver.
Um coração consumido,
pelo desejo e pelo medo.
inconformado, atordoado
pelo seu destino.
Uma parte de mim ama você,
a outra não quer sofrer.
um coração quebrado,
não tem conserto
está fadado,
a viver sozinho,
ao chorar solitário
a viver fragmentado.
Brener Alexandre 18/05/2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Entrar ou sair do coração de alguém dói: pequena reflexão sobre as relações humanas

O coração é desde a antiguidade o órgão que representa o ser humano por inteiro, suas dimensões racionais e afetivas, suas virtudes e vícios, ou seja, tudo o que ele é como ser humano em sua humanidade sem fragmentar-se é coração. Por isso, falamos ainda hoje do coração como lugar do nosso ser e não a nossa cabeça embora admitamos ser a cabeça o lugar da razão. A antropologia bíblica e a antropologia filosófica do pensamento arcaico (poesia grega principalmente) atestam o coração como centro da humanidade.

Compreendendo o significado do coração como imagem do nosso íntimo, pergunto: por que entrar ou sair do coração de alguém dói? Como é esse doer? A imagem à qual irei recorrer para responder essas duas perguntas é fruto de um sonho que tive. A imagem é uma dinâmica, exercício no qual realizamos uma experiência concreta do que desejamos ensinar. A imagem foi construída do seguinte modo: um grupo de pessoas formando um aglomerado dentro de uma tenda sem iluminação interna. A pessoas entravam e não saiam inicialmente, quem estava do lado de fora não ouvia barulho vindo da tenda, era como se ela tivesse isolamento acústico.

As pessoas eram convidadas a entrar na tenda que já contava com um grande número de pessoas. A primeira sensação: medo, porque não sabemos o que acontece dentro da tenda. A segunda sensação: curiosidade, queremos saber o que há no interior da tenda descobrir o que se passa lá dentro. A terceira sensação: coragem, você se dispõe a enfrentar o medo inicial e resolve entrar na tenda. A quarta sensação: o desejo, o desejo te move e você adentra a misteriosa tenda escura.

Essas quatro sensações iniciais não se manifestam nessa ordem e muito menos podem se manifestar todas de uma vez. Pode ser que você sinta apenas medo, ou coragem, desejo ou curiosidade ou nenhuma delas. Dentro da tenda está escuro, você esbarra nas pessoas pode tropeçar no meio delas enquanto entra na tenda, pode até se machucar com uma cotovelada, tapa, soco, chute e com muitas agressões voluntárias e involuntárias. Isso acontece porque não sabemos com o que ou quem estamos lidando dentro da tenda e nesse percurso é parar dentro da tenda no oculto da escuridão ou caminhar para achar a saída, só há duas possibilidades ficar ou sair. Se sairmos ou ficarmos haverá consequências, ninguém escapa ileso da tenda. Quando se sai, a saída é sempre angustiante, dolorida, saímos marcados no corpo, na alma pela experiência de andar entre tantos na escuridão. Essa é a imagem que a dinâmica propõe, e o que ela ensina?
Entrar na vida de alguém, isto é, entrar no coração de alguém é entrar nessa tenda, a gente não sabe o que vai encontrar, e nem sabemos se vamos ser capazes de permanecer.

As quatro sensações experimentadas antes de entrar são as sensações que podemos sentir dentre tantas possíveis quando conhecemos alguém. É natural que tenhamos medo, curiosidade, coragem e desejo em relação às pessoas que conhecemos. O medo por não saber o que esperar, ou como as pessoas irão reagir. A curiosidade de saber como é conviver com aquela pessoa ou de entrar no universo da vida dela. A coragem e o desejo de se arriscar e investir na relação. Em suma, são os primeiros passos em qualquer relação humana.
A tenda é escura porque assim como o coração de qualquer pessoa nós somos incapazes de saber quantas pessoas ali habitam, quantas tem um lugar especial na vida do outro quantas pessoas estão disputando o mesmo espaço no coração de alguém. Por isso ao entrar e caminhar no coração de alguém ficamos sujeitos a todo tipo de “agressão” algumas voluntarias fruto da disputa pelo lugar, outras involuntárias fruto do nosso querer que nos põe em conflito com o que não compreendemos ou aceitamos na vida do outro, o ciúme, a inveja, a insegurança são alguns dos elementos que podem nos machucar nesse processo.

Desse modo, só há duas possibilidades. Sair ou ficar, em ambos os casos haverá conflito, haverá disputa por espaço, mas quando sair haverá a frustração e as marcas da experiência gerada pela tensão no interior do coração do outro.

O coração é lugar da intimidade, e sempre haverá disputas quando queremos fazer parte da vida de alguém. Entrar ou sair do coração de alguém dói, portanto, porque implica saber caminhar em território desconhecido no escuro confiando no convite para permanecer com. Se não somos capazes de fazer essa experiência de confiança somos expulsos do coração por nós mesmos, que provocamos a nossa expulsão. Essa dor é a frustração, mas também é a dor do medo e da insegurança que são constantes em nossas vidas principalmente quando não confiamos em nós mesmos e refletimos essa desconfiança nos outros.


Brener Alexandre 13/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Amigo Secreto

Quero ser seu amigo secreto
Conversar contigo no silêncio da alma
Quero ser seu teu companheiro em segredo
Contemplando sua beleza a minha volta.

Não escolhi ser teu amigo oculto
Foi tu que me chamastes primeiro
Me falas no silêncio que grita
Me contemplas na história fugidia.

Quero ser seu amigo secreto
Te falar no segredo da intimidade
Te acompanhar aonde fores
Contemplar todos os teus passos,
De alegria e dores.

Deixa-me ser teu amigo,
Em segredo, escondido.
Deixa-me te amar no silêncio
Com os olhos, com o sorriso
Em segredo, escondido.

Deixa-me ficar contigo
No escuro
No oculto
No coração.

Deixa-me ficar contigo
De verdade,
Com emoção,
Com verdadeira paixão.

Quero ser teu amigo secreto
Te amar em segredo
Escondido
Na intimidade
Com sinceridade.

Quero ser teu amigo secreto
E dar-te
O meu amor,
Minha amizade.

Quero ser teu amigo oculto
E presentear-te
Com a partilha
Com a minha solidariedade.

Ser teu amigo em segredo
E oferecer-te
Com generosidade
O meu afeto
A minha companhia
Sem saudade
Com alegria
E fidelidade.


Brener Alexandre 04/04/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pulsão de morte

Às vezes tenho desejo de partir
Às vezes tenho vontade de sumir
Tenho sede de paz
Fome de silêncio.

Às vezes tenho vontade de falar
Às vezes tenho vontade de berrar
Desatar o nó da garganta
Estou engolindo a falta de esperança.

Às vezes penso que não deveria ter nascido
Que não deveria ter entrado no mundo ter sido concebido.
A alma dói
O coração sangra.

Entre a vida e a morte
Entre o desejo e a sorte
Impulsionado pelo destino
Fugindo dos meus desatinos.

Às vezes quero inexistir
Às vezes quero sorrir
E não consigo
E finjo
E choro.

Às vezes quero me esconder
Porque tenho medo
De viver
De sofrer.

Às vezes a vida me empurra
Entre vontades absurdas
A emoção violenta
A pulsão sangrenta
Desejo de morte
Desejo de fim da existência.


Brener Alexandre 03/04/2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Sonho agridoce

Sonhei com a beleza da nossa amizade
Sonhei com a fragilidade do meu amor
Você apareceu na cidade
E sua presença provocou-me uma dor.

Uma carona, e tua companhia.
Um sorriso que me tranquiliza.
Paz era o que eu sentia.

Sonhei com um futuro inexistente
Daqueles que brota no coração da gente.
Sonhei com a vida que a gente merecia
Juntos, amigos, amantes e nenhum de nós sofria.

Uma festa, e tua presença aguardada
Uma novidade, surpresa, alegria inesperada.
Paz é o nome dessa sensação bem-aventurada.

Sonhei, como a muito não sonhava
O sonho de um presente que você me dava.
Sonhei como a muito não sonhava
Um sono tranquilo em que você me visitava.

Um sonho agridoce
Choque de realidade
Salgado, amargo, suave
A lembrança, a ferida, e a saudade.


Brener Alexandre 23/03/2017

domingo, 19 de março de 2017

Manhã de Nostalgia

Entre chegadas e despedidas
Minha alma permanece plena de nostalgia
Tem saudade do verão de alegrias
E do outono que se anuncia.
Nessa manhã fria.

Tem saudade do teu bom dia
Do sorriso que te ilumina
Da plenitude de nossas vidas.

Entre idas e vindas
O meu coração saudosista
Percebe na ausência
O valor de uma presença
Constante permanência
Que dá vida a minha existência.

Entre tantos caminhos
Tenho saudade de adjetivos
Advérbios e verbos
Proferidos em segredo
Entre duas ou mais almas cheias de medos.

Entre dois caminhos
Duas estradas separadas
Cercadas de espinhos
Pelo destino dispersadas
Porém misturadas como água e vinho.

Nessa manhã fria de nostalgia
Pensava na alegria
Do que foi em algum dia
Do que será em uma vida
Do que nunca existira.

São lembranças entrecortadas
De alegria e tristeza
De encanto e beleza
De saudade amarrotada
Embalada em ilusões
Como a de muitos corações.


Brener Alexandre 19/03/2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Fala do Coração II

Deixa o meu coração te falar
Deixa o meu coração te dizer
Deixa o meu coração se expressar
Ele quer permanecer com você.

Nos versos das minhas elegias
O meu coração chora em rimas
Tua ausência percebida
Teu silêncio tagarela.

Deixa o meu coração te falar
Escute o que ele tem a dizer
No olhar silencioso e apreensivo
Que ele quer ficar com você.

Nos versos e nas rimas
Meu coração chora e grita
Tua partida repentina
Tua solidão presente na minha.

O meu coração quer te falar
Permita-se a ouvir o que ele vai te dizer
Da saudade que sente
E da vontade permanente
De estar com você.


Brener Alexandre 17/03/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Silêncio XII

O teu silêncio me cala
A tua alma me encanta
O teu sorriso me desarma
E o teu olhar me inflama

O meu silêncio me dói
O meu amor me corrói
A minha alma sofrida
Ante teu olhar se arrepia.

O teu silêncio me devora
A tua alma me consola.
O teu sorriso é chama
E o teu olhar me conclama.

O meu silêncio é medo
O meu amor não é apenas desejo.
A minha alma dolorida
Te chama e delira.

O teu silêncio é respeito
De um coração verdadeiro
De uma alma pura
De um olhar de candura.

O meu silêncio é receio
De uma alma com medo.
Que sente o sofrer no amar

O sofrer do poeta
O pensar do filósofo
O rezar do religioso
Tudo é silêncio entre você e eu.
Tudo é vazio entre nós
Tudo é dor para quem ama calado
E não se sente querido e amparado
É mística entre o sagrado e o profano
Entre Deus e o humano
Entre a acolhida e a rejeição
No silêncio e na solidão.


Brener Alexandre 16/03/2017

sábado, 21 de janeiro de 2017

Amor ofertado em flor

Nesta flor te ofereço o amor que sinto,
Nesta flor feita de versos escritos neste recinto.
Nas palavras recitadas em segredo, escondido.
No íntimo do meu quarto, longe dos teus olhos.

Nesta flor o amor é ofertado.
Em silêncio em cada palavra recitado.
Com o coração fora gravado em papel.
Em meio às confusões de babel.

Tantos desentendimentos, silêncios e receios
Tantas palavras entrecortadas entre a realidade e o devaneio.
Uma flor: uma rosa, um lírio
Uma paixão: um desatino.

Nesta flor que te ofereço, ofereço amor e carinho.
Nesta flor feita de versos escritos do meu coração ao seu.
As palavras recitadas em silêncio como uma oração.
No íntimo do meu quarto, longe dos teus olhos
No segredo do meu coração.


Brener Alexandre 21/01/2017