segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Astrólogo (Astrônomo)

Um astrólogo sai todas as tardes como era seu costume para observar as estrelas.
E quando passava pelo subúrbio e estando com toda a sua atenção voltada para o céu caiu no poço.
Lamentando-se e gritando, alguém que passava ouviu seus gemidos, aproximou e compreendendo o que aconteceu disse para ele:
_ ó, amigo!Tu que se esforça em ver as coisas do céu, mas coisas sobre a terra não vês?

(Discurso de Esopo)

Nota explicativa: Astrólogo e astrônomo são sinônimo na antiguidade, embora o termo astronomia existisse usava-se Astrólogo como um genérico para o observador do céu.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pain

Resolvi escrever este texto depois de pensar muito sobre a questão, embora pensando muito, não pensei o suficiente, por isso peço desde já desculpa por qualquer falha na argumentação e ficaria imensamente feliz se houvesse interlocutores sobre este assunto que me preocupa com efeito já a algum tempo (talvez a minha vida inteira tenha me preocupado sob diversas formas).
Curiosamente vou começar o texto dizendo que não escolhi o titulo "pain" por acaso, pain em inglês pode ser traduzido por "dor" e ou "sofrimento". É o nome de um personagem do animê Naruto, um vilão para ser mais exato, membro de uma organização chamada akatsuki. Pain acredita que o mal e a dor só vai acabar se todos experimentarem a dor verdadeira, assim ninguém mais vai querer provocar o sofrimento alheio. É sobre isso que prentendo escrever, sem aprofundar demais, apenas exercitando a livre reflexão sobre o assunto.
Tenho notado e não é de hoje, que as pessoas tem se importado cada vez menos com o sofrimento alheio, estão cada vez mais indiferente a dor, evitando-a a todo custo.
Hoje em dia ninguém suporta a dor, remédios que prometem alívio imediato estão sempre a mostra em comerciais na TV.
Pessoas que só olham para o que pode lhes render lucro, também transformam as pessoas em objetos ou meios para obtenção de lucro e subentenda por lucro, o prazer.
nossa sociedade se tornou por demais hedonista, e hipócrita, o consumismo e a globalização reduziu o viver a um monte de mentiras. E o pior uma sociedade que teme ainda que inconscientemente negar sua herança teológica(estou falando do cristianismo) mas no entanto vive o paganismo dissoluto (eis a marca maior da hipocrisia) e tudo em nome do tenha isso, tenha aquilo, seja isso, seja aquilo, mas afinal quem é você? um carro do ano? uma mansão no bairro mais nobre da cidade? quem é você? aquilo que a mídia diz que você tem que ser? o problema da liberdade é que ela é tão éterea que não pode ser plenamente teorizada, e isso os gregos os sabiam muito bem, pois que a liberdade era algo primordial para eles. E deveria ser para nós também, e liberdade não é apenas ir e vir, ou escolher a opção sexual ou viver em um país democrático, ser livre é bem mais que isso, envolve uma vivência plena das nossas escolhas, assumir o compromisso verdadeiro, legítimo que cada ação nossa produz, isto implica o sofrimento alheio.
Uma sociedade pragmática que reduz a vida a mediocridade que só o consumismo e a intemperança pode oferecer ao homem. ser escravo de seus desejos e das ilusões que o sistema impõe através da mídia e afins, fundamento modinhas, estilos que pregam a liberdade,mas que na verdade fomentam o egoismo, a hipocrisia e quanto mais livre você se sentir, mas cheio de correntes você estará.
Ignoramos o sofrimento alheio, para não nos lembrarmos do nosso próprio sofrimento, nos escondemos por detrás dos direitos do "estado de direito" porque os deveres nos obrigam a encarar o sofrimento como parte inexorável do nosso viver, preferimos a injustiça à justiça porque ser justo implica em sofrer ou ser simpático ao sofrimento do outro.
fingimos amar para receber em troca outro amor fingido, somos assim indiferentes a nós mesmos para ser indiferente ao outro, pois "o fim justifica os meios", ser ignorante nos torna menos culpados do vício que cometemos? ou será que somos todos culpados? Ou chamamos as coisas pelo seu nome verdadeiro e dar a cara a tapa sabendo que a felicidade só possível aqueles que enfrentam os riscos de viver ou então devemos nos silenciar para sempre diante da nossa mediocridade vivendo uma vida artificial e estéril.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

fidelitatis

digo não as correntes, digo não ao senhores, as senhoras.
digo sim a lealdade, a liberdade e a reciprocidade.
um poeta mais sábio do que eu disse em seu poema e eu repito:
"irei rir o meu riso ou derramar o meu pranto, ao seu pesar ou ao seu contentamento."
eu estarei para você ainda que você não me chame, estarei para você porque sou teu amigo. e quando você pensar que te abandonei, na verdade eu estava o tempo todo in fidelis a ti, honrando o seu caráter, prestando culto ao teu amor.

Minha chama resiste aos ventos mais fortes, e o meu beijo suave como a brisa toca teus lábios de longe.
minhas mãos sempre estendidas vão te segurar e não te prender.
fidelitatis, in fidelitatis corda meum tradetur.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De Amicitia ( sobre a amizade)

Se você não suporta as minhas lágrimas,
não precisa estar ao meu lado quando eu gentilmente oferecer um sorriso.
Dipenso a companhia dos excessivamente felizes, hipócritas!
as lágrimas e a dor também fazem parte da convivência.

Não te afaste do daquele que sofre, se não o suportas na tristeza, fique só, pois não é justo que compartilhe com ele de suas alegrias.
amizade é uma forma de equidade entre os homens.
equidade é uma forma de harmonia, se a balança pende para um lado apenas não existe amizade, nem harmonia, nem equidade.

Amizade é como um pêndulo e como um pêndulo não pode se mover para um lado apenas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Daphne

A musa canta comigo um novo mito,
Da ninfa bela como a orquídea e suave como a rosa.
De alma límpida como as águas dos rios.
Misteriosa como o canto do rouxinol
E pura como os lírios.

Eu canto o que a musa me diz
Recito o que a deusa me fala
Pois o poeta é porta-voz das musas
E só entoa o belo que brota da alma dos homens.

Minha poesia é sem rima
Porque só há harmonia quando desfruto de sua companhia, ó! Ninfa dos bosques sagrados de Apollo.
De nome helênico mistura o sagrado e o profano com inteligência e altivez.
Recebeu de Athena a sabedoria e a essência das mulheres.
De Ártemis o dom de amar a natureza.
De Aphrodite mais que beleza, recebeu o dom mais caro o amor cândido.

O nobre Zeus e as musas são testemunhas do que canto.
A respeito da ninfa que deposita flores no meu jardim.
A ela que canto em segredo o brilho da lua e ofereço o luzeiro das estrelas.
Tudo o que conheço dela vem de sua alma generosa e nada mais me importa quero apenas desfrutar de sua doce companhia.



08/02/2011

Zeus e a serpente

Zeus realizou bodas de casamento e todos os animais levaram presentes, cada um segundo a sua capacidade.
Uma serpente rastejando recolheu uma rosa em sua boca e subiu.
Eis que Zeus disse:
_ De todos os animais eu recebo os presentes, mas da sua boca nada aceito.

O mito mostra que: Dos maus até as graças são terríveis.

(Fábulas de Esopo)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O sapo e a raposa

Era uma vez um sapo no lago gritando a todos os animais:
_Eu sou médico e tenho conhecimento dos remédios!

A raposa ouvindo diz:
_Como tu os outros salvará se a ti mesmo sendo coxo não pode curar?

O mito mostra que:
O que não tendo sido iniciado na educação os outros educar não pode.

(Fábula de Esopo.)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Para o Amor (Eis Erota)

Pois o delicado Amor
que surgindo com coroas repletas de flores,
quero cantar.

Assim como é senhor dos deuses
Assim também os mortais domina.

(Dos odes de Anacreontes)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sobre a velhice

Amo a velhice alegre,
amo o jovem dançarino.

Pois, quando dança,
o velho é velho por causa de seus cabelos
pois o coração rejuvenece.

Dos Odes de Anacreontes.

Peço desculpas por eventuais erros na minha tradução, mas traduzir poemas é mais dificil que traduzir textos em prosa.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A corça e o leão

A corça fugindo de alguns caçadores entra em uma caverna onde havia um leão.
O leão a captura e a corsa diz:Infeliz que sou, a qual fugindo dos homens me entrego a fera.
O mito nos mostra que, alguns homens por causa de um pequeno temor lançam para si grande perigo.

(Fábula de Esopos. extraído do livro Hellenika: introdução ao grego antigo p.241)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

amor-amizade

É o teu riso que me alegra
tua companhia sagrada ilumina o meu dia.
quero a tua companhia e não te possuir
porque a posse coloca hierarquia entre nós.

te amo e preciso de ti como a sombra precisa da luz para existir.
sua existência me faz sentir que sou renovado que posso esperar um tempo novo.
sua inocência é a minha inocência diante de um mundo culpado e manchado pela culpa e pela vergonha.

te amo porque és igual a mim, te desejo para ser um contigo e o meu querer se resume apenas a passar o tempo ou a pará-lo junto de ti.
se possível sem gaiolas, sem algemas, sem acordos escritos.
o laço que nos une deve ser feito com o que vem do coração.
a forja do afeto e do bem querer é quem deve enformar a aliança do nosso amor.

E o nosso companheirismo, risonho de coisas simples, com soluções simples seja a taça transbordante da nossa felicidade.