quinta-feira, 27 de março de 2014

Mea Culpa

Confesso a ti o meu pecado, confesso-te a minha culpa...
Esse sentimento que me inunda me fez imundo aos teus olhos.
E que me trouxe sofrimento sem fim e medo.
A culpa é minha e só minha, porque nasci torto e minha acidentalidade é a causa de assimetria entre nós.  Mea culpa, mea maxima culpa!
Não espero seu perdão... eu não o mereço, sou miserável demais para receber seu amor.
Não espero que me dirijas a palavra, porque não sou digno de ouvir tua voz, muito menos de olhar nos teus olhos outra vez.

A culpa é minha, porque te amo, a culpa é minha porque te desejei sem que houvesse seu consentimento.
Minha transgressão foi respeitar a tua liberdade e o meu castigo é carregar o fardo dessa emoção involuntária que me cega, que me tortura.
Minha transgressão foi descobrir suas virtudes, ver o bem em ti. Meu pecado foi querer que as tuas virtudes fossem o remédio para as minhas feridas, que o teu sorriso aliviasse as minhas dores e o teu olhar iluminasse o meu caminho e que eu já não caminhasse sozinho.
A culpa é minha porque o meu afeto não fazia parte dos teus projetos.
O meu amor não estava nos teus planos, mas não estavam também nos meus, e mesmo assim a culpa é minha...
Ah, se soubesse como é o meu grito de dor silencioso!
Ah, se você visse o estado da minha alma!
Lançado nas profundezas escuras da solidão e da saudade, do medo, esse vale de lágrimas eclipsadas pela sua ausência.

O meu pecado é o meu existir, por isso a maioria das vezes acordo desejando morrer. O meu erro é ser quebrado, sem conserto, é assim... do jeito que sou... chagado pelo destino..
O meu pecado é ter a consciência de que estou a morrer de amor num sofrimento sem fim, causado pelo remorso de amar e não pelo amar em si.


Mea culpa, mea máxima culpa! Já só o brilho caloroso dos teus olhos podem me salvar...

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