sábado, 28 de janeiro de 2012

Não queremos um santo, mas gostaríamos de um governante de verdade: O Brado retumbante e o sonho brasileiro.

O seriado "O brado retumbante" exibido na rede globo recentemente abordou uma temática atualíssima e presente no dia-a-dia do brasileiro. Trata-se da corrupção no cenário político com riqueza de detalhes que só a ficção poderia apresentar, e ou representar.

 Um homem que está longe de ser o “salvador da pátria” cai de pára-quedas na presidência da república, um homem que não é um santo na sua vida privada, mas que se esforça ao máximo para ser honesto na vida pública. "O brado retumbante" retrata o sonho que talvez nem Platão sonhara quando escrevia as páginas da sua República propondo um governo de filósofos. O sonho de acabar com a corrupção sempre vai ter o aroma e o sabor de utopia, mas será que um dia conseguiremos transformar a utopia em um desejo realizável?

Em tempos de voto distrital, movimentos populares contra a corrupção e o uso das mídias sociais como veículo para estes movimentos, acredito que ainda que não sejamos conscientes de fato, podemos estar escrevendo um capitulo importante da nossa história. "O brado retumbante" nos mostra que não queremos santos na política, ideais de perfeição, mas queremos homens e mulheres interessados, com efeito, em governar o país, em dirigi-lo punindo os que buscam dar um “jeitinho” para se dar bem.

O Brasil com tamanha diversidade étnica carece de um estadista de verdade, que sendo homem com seus defeitos seja indefectível no poder, é o paradoxo da humanidade acreditar numa ideia e ir até o fim por ela. Todos os vícios da vida privada convertidos em virtudes na vida pública, como desejaríamos que fosse assim, mas nem sempre é deste modo.

Uma mãe que desacredita no filho, uma esposa traída, ser um pai que não aceita a homossexualidade do filho, e mesmo assim ser um homem capaz de ser presidente. Ser presidente é ser presente é estar presente, é incorporar a alma da nação o sonho de milhões que querem uma vida digna. Maquiavel sabia muito bem que o homem de vida pública, o príncipe (aquele que é o principal) precisa ser excelente, eficaz, mas também precisa da ajuda da sorte para conseguir vencer as dificuldades que hão de surgir.

Maquiavel tão criticado pelo seu oportunismo, pelo seu “desleixo moral” foi quem percebeu que o que faz o homem público não é ser um bom esposo, ou um bom pai, Sócrates e Péricles, ambos de Atenas não discordariam dele (isso porque mesmo Péricles o grande estadista da democracia Ateniense, largou a mulher para se envolver com uma hetaira, uma acompanhante de executivo da época, e incapaz de tornar seus filhos virtuosos era considerado o um dos mais mais corretos de Atenas), mas a eficiência na ação ao agir no momento certo e uma ajuda da fortuna (deusa romana que personifica a sorte) é que garantem um bom governo, será que é melhor ser amado ou ser temido? A resposta a esta pergunta pode ser a solução de um problema que a mais ou menos 500 anos habita o solo brasileiro.

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