domingo, 14 de dezembro de 2014

Narciso

Ah, esses olhos espelho da alma!
Ah, esses olhos tão profundos como o mar aberto!
Olhos tão profundos que me afogo só de encontrar os meus olhos nos seus.
Como Narciso encantado consigo mesmo admirando sua imagem refletida no rio.

Ah, esses olhos, acha que tinham a profundidade de um abismo,
Mas eis que me surpreendo ao ver que este olhos me dão pé.
Esses olhos me afogam em decepção posto que só vê a si mesmo.

Ah, Narciso! Narciso! Seduzido pela tua própria beleza te enganas
 E te afogas em uma poça de arrogância e tu a chamas de rio.
Ah, Narciso! Narciso! Gritas por céu denso e mares profundos
Mas te afogas no copo d’água que te servem para matar a tua sede.

Ah, esses olhos espelho da alma superfície plana que engana.
Reflete o que eu penso que sou, reflete o profundo sem profundidade.
Ah, esses olhos tão profundos, mas, tão profundos que se fossem um rio
Passaria a pé enxuto. Esses olhos espelhos de uma arrogância modesta.

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