sábado, 14 de novembro de 2015

3° Lei de Newton

Escreveu Sir Isaac Newton na grande obra Principia Mathematica “A toda ação há sempre uma reação igual ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas” (Newton, 2008,.p.54).

Todos conhecem a 3° lei de Newton, a lei da ação e reação. Ela diz que se eu der um soco em uma parede a dor que vou sentir é proporcional a força com que a minha mão a atingiu. A dor parece maior, é verdade, mas é proporcional.
 Acontece é que a minha mão é feita de um material menos resistente que a parede e, portanto, passível de sentir mais os efeitos da força reativa do que a parede sentiria em termos destrutivos a força ativa do golpe desferido. ( como contra exemplo a parede sente o dano ao ser golpeada por uma marreta e se deixa destruir, quando a marreta não parece ter sofrido absolutamente nada).

Mas, por que falar da 3° lei de Newton? Em que ela nos ajuda a pensar os problemas éticos e sociais que tem envolvido a humanidade recentemente?
Porque, penso, a lei de Newton mais poderosa que a lei de Murphy não diz apenas sobre força de ação e reação e o impacto que isso tem sobre os corpos, mas diz também sobre a força de ação e reação das nossas escolhas morais e do impacto que provoca sobre a nossa sociedade.

Explico: A polarização recente na política e seus contrastes visíveis principalmente nas redes sociais é um fenômeno que pode ser explicado pela 3° lei de Newton.  Quero dizer que pode ser compreendido, e não que é capaz de avaliar quem está certo ou errado na história. O EI (Estado Islâmico) e seus ataques também podem, penso ser explicado por essa maravilha da física moderna.
Se há uma força de mudança haverá na mesma proporção uma reação conservadora, se há uma força violenta haverá uma resposta a altura. É isso o que tenho pensado recentemente observando os fatos.

Pessoas ao fazer escolhas morais, ao se engajarem em projetos sociais, ao escolher esta ou aquela ideologia produzem os efeitos da 3° lei de Newton. Porém esses efeitos não são imediatos, pode ser que a resposta venha no mesmo instante, pode ser que a resposta venha ao longo de meses ou anos, mas ela vem.
E vem na forma do ressentimento, da covardia, do medo, do irracionalismo e de inúmeras formas de violência. A palavra que agride, que projeta, que recusa até a violência física e a negação dos direitos básicos do outro.

Suprimir a alteridade até silenciá-lo. E tal como a mão que dói ou a parede que é feita em pedaços pela marreta também aquele que resistir ao choque de forças antagônicas permanecerá de pé. Mas deveria ser assim?

Se como disse o filósofo Eric Weil escapamos à violência e ao medo ao sermos racionais, pergunto-me quando, então, seremos racionais? É verdade quem nem todos estão abertos ao diálogo, que nem todos almejam à paz, mas e então? Eis o paradoxo do humanismo, como lidar com a alteridade que não reconhece o outro? Como permitir o reconhecimento ético? Duas alteridades que se afirmam e se respeitam, duas alteridades, posto que um é sempre outro para o outro. O reconhecimento é um dos grandes desafios da ética contemporânea e da filosofia política contemporânea. A violência é a resposta que subjaz à falta de diálogo, não apenas a violência física, mas a violência verbal à discriminação de todo o tipo também são violências nossas de cada dia.

A 3° lei de Newton se torna cada vez mais perceptível para mim, ela explica a natureza dos corpos e das gentes será que haverá algum meio de escapar de tal lei? Ou de minimizar os efeitos dessa lei?


Edição da Principia Mathematica usada:


NEWTON, Isaac. Principia: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural Livro I. trad: Trieste Ricci, Leornado Gregory Brunet, Sônia Terezinha Gehring, Maria Helena Curcio Célia. São Paulo: Edusp, 2008 2° edição.

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