sábado, 14 de novembro de 2015

Ponte de Palavras

Para atravessar o rio de silêncio ergo uma ponte de palavras.
Com cordas de pensamento e suporte de sentimentos.
Entre verbos e adjetivos e um sujeito indeterminado.
Entre o pensamento e a voz que materializa as ideias.

Palavras desajeitadas se seguram a qualquer custo.
Se a ponte se romper irrompe o ruidoso silêncio.
Rio sem riso vazio que angustia.
Palavras que morrem afogadas em agonia.

Palavras vacilantes dizem e nada dizem
Se a ponte balança muito é por medo do silêncio que me agride.
Águas que passam rápido num curto espaço de tempo.
Palavras amedrontadas por causa do agitar dos ventos.

Ponte de palavras instrumento limitado.
Rompe com o silêncio e configura o significado.
Ponte de palavras pinguela dos necessitados.
Por cima do silêncio liga sujeitos e predicados.

Palavras que se ligam como os elos de uma corrente.
Se tornam caminho para as vozes recorrentes.
Tudo flui e a palavra é massacrada pelo movimento.
Ponte frágil de palavras sobre o rio de silêncio.

Como Crátilo a ponte de palavras aponta o sentido.
Anuncia aquilo que com o silêncio é desdito.
Um dedo fala muito ao indicar a direção.
Como a ponte de palavras que possui duas mãos.
Duas direções necessárias para se fazer entendido.
A palavra é desnecessária se não houver algum sentido.

A ponte de palavras estabelece a relação.
Que o abismo de silêncio engole com a solidão.
A ponte é simples necessária e urgente.
Periga por cima do rio que separa as gentes.

Uma ponte feita para ligar os espíritos
Almas isoladas e corações contritos.
Que o silêncio aparta como rio intransponível.
Engolindo amores e amigos.