terça-feira, 1 de abril de 2014

Silêncio V

Esse silêncio é respeito
O meu silêncio é medo
E o seu silêncio é liberdade pra mim.

Esse vazio é desejo
Que a minha mudez manifesta
Que o coração encerra
E a alma chora.

Esse silêncio que me desrespeita
Esses olhar que já não posso ver!
O meu silêncio é agonia
O meu silêncio é solidão.

O meu silêncio é cegueira
Distante do teu campo de visão
O seu silêncio é vida que segue
O meu continua a ser solidão.


segunda-feira, 31 de março de 2014

comemorar a ditadura?

   Tenho percebido que quando se trata de política, as pessoas em geral fundamentam seus argumentos no medo, e com isso reagem sempre de modo pouco razoável.

    Li esta manhã uma coisa que me chamou bastante a atenção, uma pequena chamada enquanto esperava para fazer um exame laboratorial, dizendo que em vários lugares as pessoas estão “descomemorando” a ditadura militar que começou em 1964 num 31 de Março como o de hoje, ou seja, a exatos 50 anos.

    Parei para refletir e pensei comigo mesmo, que ao descomemorar as pessoas querem esquecer esse capitulo negro da nossa história. Afinal, de contas comemorar só significa fazer festa para algo ou alguém no sentido mais coloquial do termo, o sentido exato da palavra comemorar é: “trazer a memória junto”, “recordar junto”ou “lembrar junto”. Em outras palavras, comemorar é um ato de não apagar da memória, E não necessariamente fazer festa, geralmente empregamos a palavra comemorar quando acontece algo bom, mas se comemora o que não é bom também, como por exemplo o aniversário de morte de um ente querido, a comemoração não é com festa, mas é com o trazer a memória a imagem daquela pessoa que nos deixou o vazio da saudade.

     Imaginem se os romanos se esquecessem da tirania de Sula? E os atenienses a tirania dos 30?
Não é e não pode ser um olhar para história galgada no partidarismo político, não é a esquerda, ou a direita, mas é a nossa cidadania, somos cidadãos de uma república, de um espaço democrático, no qual reconhecer as mazelas que carregamos a 500 anos de história a fora do qual esses 50 é uma parte recente. Devemos dizer não a toda forma de totalitarismo, pois o totalitarismo é a expressão imperiosa da tirania e da demagogia. Quem argumenta fundamentado no medo, como se um leviatã fosse nos devorar a qualquer momento. Talvez haja mesmo um leviatã, criado por nós mesmos, alimentado pelo nosso medo e que nos faz reagir irracionalmente pedindo ditaduras, afinal de contas ditadura do proletariado, também é uma ditadura, ditadura militar também é ditadura, são formas de poder abusivas em que o direito à cidadania é restringido ao mínimo.

     Como cidadãos devemos nos esforçar para combater essas posturas antidemocráticas, pelo menos na medida em que estamos vivendo em uma república.
Aí reside a importância da História, enquanto ciência humana e enquanto processo da nossa condição de existência, a História é o lugar privilegiado da comemoração, desse ato de trazer à memória os fatos do passado. Tucídides se exprimiu assim sobre a sua História da guerra do Peloponeso

“Quem quer que deseje ter uma ideia clara tanto dos eventos ocorridos quanto daqueles que algum dia voltarão a ocorrer em circunstâncias idênticas ou semelhantes em consequência de seu conteúdo humano, julgará a minha história útil e isto me bastará. Na verdade, ela foi feita para ser um patrimônio sempre útil, e não uma composição a ser ouvida no momento da competição por algum prêmio.” (TUCÍDIDES, História da Guerra do Peloponeso. I,22).

     Portanto, como também disse Platão: “recordar é saber” (citando de memória).
Combatamos o medo com sabedoria e virtude, que o medo não sirva para fundar a nossa reação, mas que ele seja a fonte da nossa busca por conhecimento para que nunca mais o medo seja a base do poder político em nosso país.


Brener Alexandre 31/03/2014

domingo, 30 de março de 2014

Esperança

Você sempre diz que é tarde demais, sempre acha que já não dá mais...
Tenha esperança, acredite que sempre haverá uma nova chance, uma nova oportunidade. Lute pelo que você acha que é certo, não deixe quem você ama na escuridão.
Lute contra as trevas que habita o coração solitário, leve a esperança ao que caiu no mar do desespero.
Não é tarde demais, pode ser agora, pode ser às três da manhã, não importa, se o seu coração está aberto para acolher qualquer hora é hora!
Tenha esperança, leve-a consigo, seja você mesma a esperança para quem a perdeu!

Se é tarde, que a esperança seja como a beleza do pôr do sol que sempre nos lembra que ele nascerá de novo mais uma vez!
Se o tempo parece ter findado, vire a ampulheta do destino e recomece de onde parece ter terminado.
Só é tarde para os covardes, o tempo só não basta para quem já morreu.
Com a esperança levamos vida a quem se sente sem esperança  entre os mortos.
Com a benevolência resgatamos os homens de suas misérias.
Enfrentando o destino redescobrimos a esperança.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Mea Culpa

Confesso a ti o meu pecado, confesso-te a minha culpa...
Esse sentimento que me inunda me fez imundo aos teus olhos.
E que me trouxe sofrimento sem fim e medo.
A culpa é minha e só minha, porque nasci torto e minha acidentalidade é a causa de assimetria entre nós.  Mea culpa, mea maxima culpa!
Não espero seu perdão... eu não o mereço, sou miserável demais para receber seu amor.
Não espero que me dirijas a palavra, porque não sou digno de ouvir tua voz, muito menos de olhar nos teus olhos outra vez.

A culpa é minha, porque te amo, a culpa é minha porque te desejei sem que houvesse seu consentimento.
Minha transgressão foi respeitar a tua liberdade e o meu castigo é carregar o fardo dessa emoção involuntária que me cega, que me tortura.
Minha transgressão foi descobrir suas virtudes, ver o bem em ti. Meu pecado foi querer que as tuas virtudes fossem o remédio para as minhas feridas, que o teu sorriso aliviasse as minhas dores e o teu olhar iluminasse o meu caminho e que eu já não caminhasse sozinho.
A culpa é minha porque o meu afeto não fazia parte dos teus projetos.
O meu amor não estava nos teus planos, mas não estavam também nos meus, e mesmo assim a culpa é minha...
Ah, se soubesse como é o meu grito de dor silencioso!
Ah, se você visse o estado da minha alma!
Lançado nas profundezas escuras da solidão e da saudade, do medo, esse vale de lágrimas eclipsadas pela sua ausência.

O meu pecado é o meu existir, por isso a maioria das vezes acordo desejando morrer. O meu erro é ser quebrado, sem conserto, é assim... do jeito que sou... chagado pelo destino..
O meu pecado é ter a consciência de que estou a morrer de amor num sofrimento sem fim, causado pelo remorso de amar e não pelo amar em si.


Mea culpa, mea máxima culpa! Já só o brilho caloroso dos teus olhos podem me salvar...